Schwartsman alerta sobre déficit primário de R$80 bilhões em 2026
Ex-diretor do BC avisa que o déficit primário do governo pode dobrar em 2026, segundo análise de dados orçamentários revisados.
Ex-diretor do BC avisa que o déficit primário do governo pode dobrar em 2026, segundo análise de dados orçamentários revisados.
O ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, alertou que o déficit primário do governo federal pode chegar a R$80 bilhões em 2026, segundo revisões orçamentárias recentes. A estimativa inicial de R$23 bilhões, prevista na Lei Orçamentária de 2025, foi revisada para R$60 bilhões na primeira revisão bimestral do orçamento de 2026, segundo o Estadão. Schwartsman destacou que o aumento não se deve a falhas nas receitas, mas sim ao crescimento das despesas obrigatórias, como previdência e benefícios sociais.
A revisão orçamentária revelou que o erro inicial subestimou o comportamento do gasto público. Mesmo com previsões precisas sobre variáveis como o salário mínimo e a demografia, o Ministério da Fazenda não ajustou adequadamente as projeções de despesas. Schwartsman afirmou que o governo ainda subestima o tamanho do problema, o que pode comprometer a estabilidade fiscal.
A análise aponta que o déficit primário de R$60 bilhões já representa 0,4% do PIB, um patamar historicamente alto. Em 2025, o déficit foi revisado de R$30 bilhões para R$45 bilhões, indicando uma tendência de piora contínua. Schwartsman destacou que a falta de disciplina fiscal no governo Lula agravou a situação, com gastos públicos descontrolados em setores como saúde e educação.
O contexto histórico mostra que déficits acima de 0,3% do PIB são incomuns no Brasil. O último episódio semelhante ocorreu em 2018, quando o governo Michel Temer enfrentou críticas por não conter o déficit. Schwartsman alertou que, sem ajustes urgentes, o país pode enfrentar uma crise de confiança no mercado financeiro.
A reação do mercado financeiro já reflete a preocupação. A curva de juros subiu 1,2% em relação ao ano anterior, e a moeda enfraqueceu 3% contra o dólar. Schwartsman sugeriu que o próximo governo deve priorizar a redução de gastos obrigatórios, como o salário mínimo e os benefícios sociais, para conter o déficit.
A longo prazo, o déficit elevado pode levar a aumentos de impostos ou redução de serviços públicos. Schwartsman enfatizou que a responsabilidade fiscal é essencial para atrair investimentos estrangeiros e manter a estabilidade econômica. Ele criticou a narrativa oficial de que o déficit é temporário, argumentando que a realidade é mais complexa.
A análise de Schwartsman reforça a necessidade de transparência nas contas públicas. O governo deve divulgar dados detalhados sobre as despesas para permitir que o Congresso e o público tomem decisões informadas. Sem isso, o risco de um déficit ainda maior em 2027 aumenta.
A pergunta que paira é: o governo conseguirá conter o déficit antes que ele atinja R$80 bilhões? A resposta dependerá de escolhas políticas difíceis, como cortar programas sociais ou aumentar receitas tributárias. Schwartsman não oferece soluções fáceis, mas insiste que o ajuste fiscal deve começar hoje.
Alexandre Schwartsman Estadão Ministério da Fazenda Banco Central
O que acontece se o déficit ultrapassar R$80 bilhões? Como o déficit afeta o real no mercado financeiro? Quais setores estão mais responsáveis pelo aumento das despesas? O governo Lula já tomou medidas para conter o déficit?
Fontes
- estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/alexandre-schwartsman/fazei-me-responsavel-mas-nao-agora/