Lula repete expediente de Dilma e aprova R$215 bi em gastos para se reeleger
Análise mostra que o terceiro governo petista usa truques fiscais e a popular medida da escala 6×1 para impulsionar a reeleição, repetindo erros do passado.
Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica
Análise mostra que o terceiro governo petista usa truques fiscais e a popular medida da escala 6×1 para impulsionar a reeleição, repetindo erros do passado.
Em 2026, o governo Lula aprovou nada menos que 33 novas medidas que somam R$215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas, segundo relatório do economista Marcos Mendes publicado no Estadão. O número supera em muito a PEC 126/2022, a chamada “PEC da gastança” de Dilma Rousseff, que liberou R$168 bilhões no ano seguinte. A comparação é inevitável: assim como as pedaladas fiscais, as “pequenas bondades eleitorais” parecem inofensivas quando isoladas, mas juntas formam um rombo que ameaça as contas públicas.
O chamado “novo arcabouço fiscal”, que substituiu o teto de gastos, é apresentado como um freio à farra. Na prática, porém, apenas 4% dos R$215 bilhões afetam os indicadores previstos na nova regra, de acordo com o mesmo estudo do Gazeta do Povo. O restante escorre por buracos na legislação, confirmando a tese de que o governo perdeu a pouca vergonha que ainda tinha.
O histórico de gestão do PT não é melhor. Um estudo do Instituto de Economia da UFRJ, citado pelo Gazeta do Povo, mostra que Lula ocupa a 19ª posição entre 30 presidentes brasileiros em crescimento real do PIB, enquanto Dilma Rousseff ficou em terceiro lugar entre os piores. O Brasil cresceu, mas de forma medíocre, e os resultados foram insustentáveis, culminando na crise de 2015-2016. A herança de um governo medíocre parece se repetir no terceiro mandato petista.
A prioridade atual do Palácio do Planalto é a PEC 6×1, que põe fim à jornada de seis dias trabalhados por um de descanso e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. Após meses de impasse, Lula reuniu-se pessoalmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, no Alvorada, conforme noticiou a Metrópoles. A articulação inclui a pressão sobre Alcolumbre para levar a proposta ao plenário antes do primeiro turno das eleições, usando a medida como vitrine eleitoral. “Quebrei o Banespa, mas elegi meu sucessor”, lembra o velho ditado atribuído a Orestes Quércia, e o governo Lula parece ter adotado a mesma lógica.
A oposição, porém, já se organiza para retardar a tramitação. Parlamentares do Senado articulam estratégias para dificultar o avanço da proposta em ano eleitoral, segundo o Correio Braziliense. A avaliação entre oposicionistas e setores produtivos é que a combinação de apoio popular, interesse do governo e aproximação com o Centrão torna uma derrota direta da PEC pouco provável. Ainda assim, a oposição ameaça pedir vista e obstruir a análise na Comissão de Constituição e Justiça, onde o relator Omar Aziz (PSD‑AM) promete manter o texto aprovado na Câmara.
A reação do mercado já se faz sentir. Investidores monitoram o risco fiscal do governo Lula, especialmente depois que o relatório de Marcos Mendes expôs a fragilidade do novo arcabouço. A percepção de que o governo prioriza ganhos eleitorais em detrimento da responsabilidade fiscal pode elevar o prêmio de risco do Brasil, afetando o custo de financiamento da dívida pública. O histórico medíocre do PT, combinado com o novo ciclo de gastos, reforça a narrativa de que o partido repete velhos erros.
O que está em jogo vai além da escala 6×1. A capacidade do governo de aprovar R$215 bilhões em despesas sem um correspondente ajuste fiscal pode definir o tom da campanha eleitoral. Se o eleitorado perceber que o governo está “quebrando o Brasil” para garantir a reeleição, o efeito pode ser reverso do desejado. A oposição já tenta explorar esse sentimento, enquanto o Planalto aposta na popularidade da medida para garantir votos.
Perguntas frequentes
- Por que os R$215 bilhões em gastos são comparados às pedaladas fiscais de Dilma? – Porque ambos os casos envolvem manobras contábeis para ocultar o aumento real das despesas e violar regras fiscais, criando um risco sistêmico para as contas públicas.
- Qual é o impacto da PEC 6×1 para os trabalhadores? – A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado, melhorando a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
- Como a oposição pode impedir a aprovação da PEC antes das eleições? – Os oposicionistas podem pedir vista, obstruir a pauta e usar o regimento interno do Senado para retardar a tramitação, mas a base aliada do governo detém a maioria.
- O que significa o “novo arcabouço fiscal” para as finanças do país? – É a nova regra que substitui o teto de gastos, mas, segundo análises, apenas 4% dos gastos recentes estão alinhados com suas metas, indicando fragilidade na disciplina fiscal.
- estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/opiniao/lula-quebra-o-brasil-para-se-reeleger
- gazetadopovo.com.br — https://www.gazetadopovo.com.br/instituto-politeia/5-fatos-pt-mediocres
- metropoles.com — https://www.metropoles.com/brasil/6x1-lula-pressiona-alcolumbre-enquanto-oposicao-e-setores-ensaiam-reacao
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/25/lula-volta-a-cobrar-alcolumbre-por-votacao-da-pec-6x1-antes-da-eleicao-e-rebate-oposicao.ghtml
- correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/08/7487535-oposicao-se-articula-para-tentar-frear-fim-da-escala-6x1.html
- agenciabrasil.ebc.com.br — https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/politica/audio/2026-08/lula-se-reune-com-alcolumbre-e-motta-nesta-quarta-feira-no-alvorada