Campanha de Lula planeja taxar pejotização e cortar privilégios previdenciários
Governo sinaliza novas medidas fiscais para 2027, focando em taxação de contratos PJ e revisão de benefícios da Previdência Social.
Por Beatriz Camargo · Reporter de Economia
Governo sinaliza novas medidas fiscais para 2027, focando em taxação de contratos PJ e revisão de benefícios da Previdência Social.
O governo federal já desenha a estratégia econômica para o próximo mandato. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, responsável pela área econômica da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende a redução de privilégios na Previdência Social e o combate ao que classifica como pejotização abusiva. A medida surge em um momento de transição demográfica que pressiona as contas públicas.
Durigan aponta que o déficit previdenciário é agravado por distorções, especialmente entre microempreendedores, que apresentam contribuições modestas e alta inadimplência. O ministro manifestou incômodo com benefícios concedidos a militares e a setores do serviço público, sugerindo que a base de arrecadação precisa ser ampliada e nivelada para garantir a seguridade social. Segundo reportagem do Terra, o plano envolve a atuação conjunta com o Ministério do Trabalho.
A mira está voltada para empresas com alta concentração de contratos de prestação de serviços. Durigan sugere que companhias com 80% da força de trabalho pejotizada possam ser obrigadas a realizar contribuições previdenciárias para proteger o futuro desses trabalhadores. A medida, na prática, representa um aumento de custo para o empreendedor e uma tentativa de forçar a formalização via CLT.
O plano fiscal
Enquanto a campanha projeta novas fontes de receita, o governo tenta blindar a imagem econômica. Lula afirmou recentemente que a situação financeira do país é boa, embora admita que a percepção da sociedade seja contrária. De acordo com a InfoMoney, pesquisas da Quaest indicam que 46% dos brasileiros veem piora na economia, reflexo direto do custo de vida e da alta dos combustíveis.
Para contrapor a narrativa de desgaste, o presidente utiliza a comparação com a gestão anterior. Em entrevista à Record, Lula alegou que seu déficit fiscal é menor que o de Jair Bolsonaro, citando que o máximo atingido foi 0,8% contra 2,8% no governo passado. Contudo, o presidente omitiu que o endividamento da União em relação ao PIB beira os 82%, dado essencial para qualquer análise de sustentabilidade fiscal a longo prazo, conforme destacado pelo Poder360.
O mercado, por sua vez, mantém a cautela. Uma pesquisa Genial/Quaest revelou que 90% dos agentes financeiros avaliam negativamente o governo lula 3. A desconfiança é alimentada por medidas de contenção de gastos vistas como insuficientes e por um histórico de intervencionismo em estatais. A CNN Brasil ressalta que a deterioração das contas públicas anula a percepção positiva de reformas pontuais.
O risco do intervencionismo
A estratégia de taxar a pejotização e intervir em privilégios previdenciários ecoa a tendência de maior presença estatal na economia. Analistas comparam a atual gestão ao governo Dilma Rousseff, especialmente no que tange à pressão sobre a Petrobras e a manipulação de dividendos para fins políticos. Esse modelo de gestão tende a afastar investimentos privados e gerar instabilidade no valor de mercado das companhias abertas.
Para o contribuinte e o empreendedor, o sinal é claro: a busca por equilíbrio fiscal no governo lula 2025 e além não virá de cortes estruturais de gastos, mas de novas formas de arrecadação e pressão sobre a contratação flexível. A promessa de um resultado positivo em 2027 depende, portanto, da capacidade do governo de tributar a eficiência do mercado sem asfixiar a geração de empregos.
O cenário agora depende da recepção dessas propostas pelo Congresso Nacional, que terá que decidir entre a proteção da liberdade de contratação ou a expansão do caixa previdenciário.
Perguntas Frequentes
O que é a pejotização abusiva segundo o governo? É a contratação de profissionais como PJ para funções que deveriam ser CLT, visando reduzir encargos trabalhistas.
Quais privilégios previdenciários podem ser cortados? O ministro Durigan citou especificamente benefícios de militares e de certas categorias de servidores públicos.
Como está a avaliação do mercado sobre o governo? A avaliação é amplamente negativa, com cerca de 90% de reprovação entre agentes financeiros devido à gestão fiscal.
Qual a meta fiscal para 2027? O governo afirma que entregará um resultado positivo, previsão que deve constar no próximo Orçamento enviado ao Congresso.
- terra.com.br — https://www.terra.com.br/economia/lula-4-pretende-diminuir-privilegios-na-previdencia-e-atacar-pejotizacao-abusiva-diz-durigan,38394b4121772fea0dd504ee6a9f7cc03xz8pivi.html
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
- tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
- bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
- poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/lula-diz-que-seu-deficit-fiscal-e-melhor-que-o-de-bolsonaro/