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Brasilia 4 min de leitura

Mercado mantém rejeição a pacote fiscal e déficit segue acima de 8% do PIB

Análise do pacote fiscal rejeitado pelo mercado e do cenário atual de contas públicas com déficit elevado e rigidez orçamentária.

Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica

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TL;DR · 4 min de leitura

Análise do pacote fiscal rejeitado pelo mercado e do cenário atual de contas públicas com déficit elevado e rigidez orçamentária.

Em dezembro de 2024, 90% dos gestores ouvidos pela Genial/Quaest classificavam o terceiro mandato de Lula como negativo. Apenas 3% viam a gestão com bons olhos e 7% a consideravam regular. O gatilho imediato foi o pacote de contenção de R$ 70 bilhões para 2025 e 2026, anunciado no fim de novembro e recebido com ceticismo generalizado. A pesquisa ouviu economistas de 105 fundos de investimento em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro CNN Brasil.

O mercado considerou as medidas insuficientes para estancar a deterioração das contas públicas. O anúncio simultâneo da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi lido como sinal de que o governo priorizava a agenda política sobre o ajuste fiscal. A avaliação do ministro Fernando Haddad, porém, permaneceu menos negativa que a do presidente, refletindo a percepção de que a equipe econômica tinha margem de manobra limitada.

Sete meses depois, o quadro fiscal não inverteu. Artigo do economista Marcello Averbug no Correio Braziliense desta quarta-feira aponta que o déficit primário segue em torno de 8% do PIB, com 92,6% das despesas travadas por rigidezes legais e obrigações constitucionais Correio Braziliense. O consultor, ex-economista do BNDES e do BID, identifica duas fases desde 2000: até 2013, superávits positivos mas aquém do necessário; de 2014 a 2025, déficits constantes, com exceção de 2022. Os dados disponíveis para 2026 mantêm o clima deficitário.

O que mudou desde o anúncio

O pacote previa economia de R$ 70 bilhões no biênio, mas a execução esbarrou na mesma rigidez que Averbug descreve: gastos obrigatórios, indexações automáticas e pisos constitucionais limitam o espaço de manobra do Executivo. A receita, por sua vez, não acompanhou o ritmo necessário para fechar a conta sem aumento de carga tributária. O arcabouço fiscal aprovado em 2023 — o melhor momento da série Quaest, em julho daquele ano — previa trajetória de convergência para superávit primário. A realidade de 2026 mostra o oposto: déficits primários consecutivos há mais de uma década e projeções que mantêm o vermelho.

A rejeição de 90% não era apenas humor de mercado; era leitura de que o desenho do pacote não atacava a raiz do problema estrutural. Com juros reais elevados para conter a inflação, o custo da dívida consome parcela crescente do Orçamento, comprimindo investimentos e criando ciclo vicioso. O governo Lula 3 herdou a rigidez, mas não apresentou reforma administrativa nem revisão de gatilhos de gastos que dessem credibilidade à trajetória fiscal. O Instituto Nacional do Seguro Social e demais despesas previdenciárias seguem como vetor principal de expansão obrigatória.

A pergunta que fica é se o Executivo terá capital político para enfrentar as corporações que blindam 92,6% do gasto — ou se o próximo pacote virá tardiamente, sob pressão de mercado mais severa.

O que foi o pacote fiscal de novembro de 2024 Conjunto de medidas de contenção de despesas com economia estimada em R$ 70 bilhões para 2025 e 2026, anunciado pelo governo federal.

Por que o mercado rejeitou as medidas Considerou-as insuficientes para estabilizar a dívida e criticou o anúncio paralelo da isenção de IR até R$ 5 mil, visto como contraditório ao esforço fiscal.

Qual a situação do déficit primário em julho de 2026 Gira em torno de 8% do PIB, com trajetória deficitária desde 2014, exceto 2022, segundo análise de Marcello Averbug.

O que significa 92,6% de despesas rígidas Que a quase totalidade do Orçamento é composta por gastos obrigatórios, indexados ou com piso constitucional, limitando cortes discricionários.

Fontes
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
  • tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
  • correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7470451-a-proposito-do-deficit-fiscal.html
  • metropoles.com — https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/nao-resta-duvida-jair-bolsonaro-e-perseguido-politico
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/impresso/noticia/2026/07/30/bolsonaro-nega-ter-autorizado-video-com-ia.ghtml

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