Ex-secretário critica arcabouço fiscal e aponta despesas obrigatórias como problema central
Análise do ex-secretário do Tesouro Nacional sobre o fracasso do atual arcabouço fiscal brasileiro, os riscos de um crescimento lento da dívida e o impacto político no governo Lula.
Por Beatriz Camargo · Reporter de Economia
Análise do ex-secretário do Tesouro Nacional sobre o fracasso do atual arcabouço fiscal brasileiro, os riscos de um crescimento lento da dívida e o impacto político no governo Lula.
Hoje, o ex-secretário do Tesouro Nacional e head de Macroeconomia da Asa Investments, Jeferson Bittencourt, afirma que o Brasil precisa urgentemente de um novo conjunto de regras fiscais. Em entrevista ao Poder360, ele destacou que o arcabouço criado no governo Lula perdeu credibilidade e que o verdadeiro desafio está nas despesas obrigatórias, como salários e aposentadorias. O cenário atual projeta um ajuste da dívida que levaria de 12 a 13 anos para se aproximar da estabilidade, um ritmo considerado insuficiente para a saúde financeira do país.
Além disso, o superavit primário necessário para estabilizar a dívida seria de 1,5% do PIB, enquanto as projeções de mercado apontam para um déficit consolidado de 0,50% em 2026. O arcabouço fiscal, que substituiu o antigo Teto de Gastos, limita o crescimento das despesas públicas a um percentual da receita, mas não consegue conter o peso das obrigações legais. Essa rigidez deixa pouco espaço para investimentos discricionários e torna o ajuste lento.
Contudo, as críticas não se limitam aos números. O desgaste político de aprovar novas regras fiscais é visto como necessário, mas deve vir acompanhado de medidas concretas de controle de gastos. Bittencourt argumenta que, sem enfrentar as despesas obrigatórias, qualquer novo arcabouço será apenas uma formalidade, incapaz de gerar resultados concretos.
Por outro lado, a percepção pública sobre a gestão fiscal do governo Lula tem sido desfavorável. Uma pesquisa G1 mostra que 51% dos brasileiros avaliam como ruim ou péssima a atuação do governo no controle e corte de gastos públicos. A avaliação negativa se estende à inflação, outro ponto sensível para o eleitorado. Enquanto isso, o presidente Lula insiste que a situação econômica é boa, mas a sociedade ainda não percebe essa melhora, como destacou em um ato político no Infomoney.
Na prática, o país enfrenta um paradoxo. Dados econômicos melhoraram – desemprego em mínimos históricos, crescimento acima das expectativas e milhões de brasileiros saíram da pobreza – mas a insatisfação persiste, como mostra um estudo da BBC. Fatores como inflação persistente, comparação com a mobilidade social dos anos 2000, influência das redes sociais e frustração de uma geração escolarizada contribuem para o descompasso entre resultados macroeconômicos e percepção da população.
Entretanto, o intervencionismo estatal tem sido apontado como um fator adicional de preocupação. O caso dos dividendos extraordinários da Petrobras, em que o Conselho da empresa reteve 49 bilhões de reais, ilustra a tensão entre o governo e as empresas estatais, como relata a Tendências. A intervenção direta na gestão de empresas públicas gera incerteza para investidores e pode comprometer a credibilidade das políticas fiscais.
Ainda assim, o debate sobre o arcabouço fiscal ganha força no Congresso. Analistas observam que, sem uma reforma que desembolse as amarras das despesas obrigatórias, qualquer novo plano será apenas cosmético. O desafio para o governo Lula é equilibrar a necessidade de ajuste fiscal com a pressão por gastos sociais, especialmente em um ano de eleições municipais.
Finalmente, o mercado aguarda sinais concretos de que o próximo pacote de reformas abordará o nó das despesas obrigatórias. Se o Congresso conseguir aprovar um mecanismo que permita um ajuste mais rápido da dívida, a confiança dos investidores poderá se recuperar. Caso contrário, o Brasil continuará preso a um ciclo de ajustes lentos e a uma percepção pública negativa sobre a gestão fiscal do governo lula governo lula 3.
Perguntas frequentes
O que são despesas obrigatórias? São gastos que a lei exige, como salários de servidores, aposentadorias e benefícios sociais, e que não podem ser cortados facilmente.
Por que o superavit primário de 1,5% do PIB é importante? Esse nível de superavit é o necessário para estabilizar a dívida pública; sem ele, a dívida continua crescendo, mesmo que lentamente.
Como a crítica de Bittencourt afeta a aprovação de Lula? A insatisfação com o controle de gastos já é um dos pontos mais criticados do governo, e novas críticas reforçam a percepção de que as políticas fiscais não estão funcionando.
Quais reformas estão sendo consideradas? O Congresso discute mudanças no arcabouço fiscal que visam dar mais flexibilidade para ajustar as despesas obrigatórias e acelerar o caminho para a estabilidade da dívida.
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- poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-precisa-de-novas-regras-fiscais-diz-ex-secretario-do-tesouro/
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
- tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
- bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjdgzzj25nro
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao