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Brasilia 4 min de leitura

Economia e queda de popularidade pressionam governo Lula em 2026

Análise sobre o declínio da aprovação de Lula, o impacto da inflação de alimentos e as novas projeções de déficit primário para o orçamento de 2026.

Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista

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TL;DR · 4 min de leitura

Análise sobre o declínio da aprovação de Lula, o impacto da inflação de alimentos e as novas projeções de déficit primário para o orçamento de 2026.

A desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu o patamar de 56%, a maior marca registrada durante seu atual mandato. O dado, consolidado por pesquisas recentes, reflete um cenário de desgaste que combina a insatisfação com o custo de vida e a incerteza sobre o rumo das contas públicas.

O recuo na popularidade ocorre em um momento crítico, a pouco mais de um ano das eleições de 2026. O eleitorado tem demonstrado sinais claros de cansaço com a inflação de alimentos e com a perda do poder de compra, fatores que pesam diretamente no humor de grande parte da população.

O cenário econômico apresenta múltiplos gargalos. A taxa Selic, atualmente em 14,25%, impõe um custo elevado para o crédito, enquanto a desvalorização do real em períodos recentes gerou instabilidade nos preços. Segundo informações do G1, a condução das contas públicas e a percepção de falta de estratégia na comunicação oficial são pontos centrais para explicar esse declínio.

O governo tenta reagir com medidas de alívio, como propostas de isenção de Imposto de Renda para faixas de renda mais baixas. Contudo, analistas apontam que tais incentivos podem oferecer apenas um alívio momentâneo, sem atacar a raiz do problema: o impacto estrutural da elevação dos gastos públicos sobre a economia.

O peso do intervencionismo

A gestão econômica do governo Lula 3 tem sido marcada por tensões entre a política e a gestão de estatais. O episódio envolvendo a retenção de dividendos extraordinários da Petrobras gerou divisões internas no partido e instabilidade no mercado financeiro, resultando em perdas bilionárias de valor de mercado para a companhia.

Esse movimento de maior presença estatal na economia evoca comparações com gestões passadas, onde o dirigismo estatal gerou distorções de mercado. A interferência política em decisões de conselhos de administração, como observado em discussões recentes sobre a sucessão na Vale e na Petrobras, reforça o receio de investidores quanto à previsibilidade do ambiente de negócios.

O desafio fiscal e o orçamento de 2026

No campo das contas públicas, o relatório bimestral enviado ao Congresso nesta sexta-feira traz números que exigem leitura cautelosa. A previsão de déficit primário para 2026 foi revisada para baixo, passando de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões. A redução, contudo, não decorre necessariamente de um corte de gastos, mas de uma queda na estimativa de despesas obrigatórias.

É fundamental observar que esse cálculo de déficit considera os precatórios, que estão fora da meta fiscal após acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o Tribuna do Paraná, ao incluir as despesas que estão fora do arcabouço fiscal, o impacto no endividamento permanece significativo.

O governo projeta um superávit primário de R$ 10,8 bilhões se excluídos os precatórios e as exceções legais. Essa manobra contábil permitiu o desbloqueio de R$ 5,7 bilhões no orçamento, reduzindo o montante total bloqueado para R$ 17,9 bilhões. Entretanto, a arrecadação tem sido impulsionada, em parte, pelo aumento da inflação, o que eleva a base de cálculo do Imposto de Renda, mas não resolve o desequilíbrio estrutural.

O risco da dependência de receitas variáveis

A estratégia de equilibrar o orçamento através do aumento da arrecadação, em vez da contenção rigorosa de despesas, coloca o governo em uma posição vulnerável. A dependência de receitas que flutuam com a inflação e com o cenário internacional pode comprometer a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Para o mercado e para o contribuinte, a pergunta que permanece é se o governo conseguirá transitar de uma política de expansão de gastos para uma de responsabilidade fiscal antes que o desgaste político se torne irreversível. O equilíbrio entre o populismo fiscal e a necessidade de confiança dos investidores definirá o tom da disputa eleitoral que se aproxima.

FAQ

Qual a atual taxa de desaprovação do governo Lula? As pesquisas mais recentes indicam que a desaprovação do presidente Lula chega a 56%, representando o maior índice de rejeição de seu mandato.

O que é o déficit primário previsto para 2026? O déficit primário é o resultado negativo das contas do governo, sem contar o pagamento de juros da dívida, e está estimado em R$ 52 bilhões para 2026.

Por que a inflação de alimentos afeta a popularidade do governo? O aumento nos preços dos alimentos impacta diretamente o poder de compra das famílias, sendo um dos principais fatores de insatisfação do eleitorado.

O que são os precatórios no orçamento federal? Precatórios são dívidas judiciais que o governo é obrigado a pagar e, atualmente, estão fora das metas do arcabouço fiscal após acordo com o STF.

Fontes
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2025/04/03/popularidade-em-queda-como-a-economia-virou-um-desafio-para-lula-a-um-ano-e-meio-das-eleicoes.ghtml
  • tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao
  • tribunapr.com.br — https://www.tribunapr.com.br/noticias/economia/deficit-do-governo-cai-para-r-52-bilhoes-em-2026/
  • paraibaonline.com.br — https://paraibaonline.com.br/economia/2026/07/24/com-precatorios-previsao-de-deficit-primario-soma-r-52-bilhoes/
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/07/flavio-bolsonaro-segue-estrategia-de-radicalizacao-diz-autor-de-acao-que-tornou-ex-presidente-inelegivel.ghtml

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