Zanatta articula impeachment de Lula e Flávio Bolsonaro mira embaixadores em dia de convenções
Oposição mobiliza impeachment contra Lula após tarifas dos EUA enquanto Flávio Bolsonaro usa evento com embaixadores para atacar sistema eleitoral; cenário eleitoral de 2026 se define.
Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica
Oposição mobiliza impeachment contra Lula após tarifas dos EUA enquanto Flávio Bolsonaro usa evento com embaixadores para atacar sistema eleitoral; cenário eleitoral de 2026 se define.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) começou a recolher assinaturas na Câmara para protocolar em agosto um pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A parlamentar catarinense atribui ao governo a responsabilidade pelo que chama de prejuízo nas negociações comerciais com os Estados Unidos após o anúncio de novas tarifas americanas. A estratégia é ampliar o apoio durante o recesso parlamentar antes da apresentação formal do documento.
O movimento ocorre no mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou encontro com embaixadores em Brasília. Diante de representantes diplomáticos, o pré-candidato do PL à Presidência repetiu informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral sobre a atuação da empresa venezuelana Smartmatic no sistema de votação brasileiro. A Smartmatic participou de licitação em 2020, mas perdeu a disputa para a Positivo, mantendo apenas contratos de suporte técnico para conexão de dados.
Flávio Bolsonaro comparou a reunião desta terça-feira ao encontro que seu pai, Jair Bolsonaro, promoveu com embaixadores em julho de 2022. Na ocasião, o ex-presidente apresentou críticas ao sistema eleitoral que resultaram em sua inelegibilidade pelo TSE. O senador corrigiu-se ao afirmar que o pai está inelegível, não preso, e disse que apenas manifestava preocupações com a transparência do processo.
As convenções partidárias para definir as candidaturas de 2026 tiveram início ontem, com prazo até 5 de agosto. O PL confirmou Flávio Bolsonaro como candidato, enquanto o PT oficializa Lula. Outras siglas como PSD, Novo, PSTU e PRTB também anunciaram datas para homologar seus nomes. O cenário eleitoral começa a se desenhar com pelo menos sete pré-candidatos à Presidência já definidos pelas legendas.
A ofensiva da oposição no Congresso encontra respaldo em pesquisas que mostram deterioração da avaliação do governo junto ao mercado financeiro. Levantamento Genial/Quaest de dezembro de 2024 indicou que 90% dos agentes econômicos viam negativamente a gestão Lula 3, patamar igual ao registrado no início do mandato. Apenas 3% avaliavam positivamente. O pacote fiscal anunciado em novembro, com economia prevista de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026, foi considerado insuficiente e seu anúncio paralelo à isenção de IR para rendas até R$ 5 mil foi visto como erro estratégico.
O pedido de impeachment articulado por Zanatta enfrenta barreiras institucionais. A Câmara tem 513 deputados e a admissibilidade depende de decisão do presidente da Casa, hoje Hugo Motta (Republicanos-PB). Historicamente, pedidos contra presidentes em exercício raramente avançam sem base ampla de apoio partidário. O PL tem 92 deputados, mas precisaria atrair siglas de centro e centro-direita para viabilizar a tramitação.
A reação do mercado
O movimento político ocorre em meio a incertezas sobre a política econômica. A retenção de dividendos extraordinários da Petrobras em 2024, decisão que gerou perdas de R$ 56 bilhões em valor de mercado, ainda repercute como sinal de intervencionismo estatal. Aliados do governo compararam internamente o momento ao governo Dilma Rousseff pela presença do Estado na economia. O ministro Fernando Haddad mantém avaliação mais favorável que a do presidente entre economistas, mas a percepção geral segue negativa.
Para o contribuinte e o empreendedor, a combinação de instabilidade política, risco de novo impeachment e incerteza fiscal eleva o prêmio de risco do Brasil. A agenda de reformas estruturais perde espaço para a disputa eleitoral antecipada. O Congresso tende a operar em ritmo reduzido até as convenções de agosto, postergando votações sensíveis.
O calendário eleitoral impõe prazos rígidos. As convenções terminam em 5 de agosto, o registro de candidaturas vai até 15 de agosto e a campanha oficial começa em 16 de agosto. Até lá, a oposição tentará capitalizar o descontentamento com a economia e as relações internacionais para ampliar sua base parlamentar. O governo, por sua vez, buscará demonstrar resultados concretos na inflação e no emprego para contrabalançar a narrativa de crise.
A pergunta que fica é se o pedido de impeachment terá fôlego para além do recesso ou se servirá apenas como peça de mobilização de base para a campanha de Flávio Bolsonaro. A resposta depende menos dos argumentos jurídicos e mais da aritmética partidária na Câmara nos próximos meses.
P: O pedido de impeachment de Júlia Zanatta tem chance de prosperar na Câmara? R: Depende de apoio amplo além do PL. Historicamente, pedidos contra presidentes em exercício raramente avançam sem base majoritária. A decisão final cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta.
P: O que Flávio Bolsonaro disse no evento com embaixadores? R: Repetiu informações falsas sobre a Smartmatic ter fornecido urnas ao Brasil, já desmentidas pelo TSE. Comparou o encontro ao de 2022 que tornou seu pai inelegível.
P: Quais partidos já definiram candidatos para 2026? R: PL (Flávio Bolsonaro), PT (Lula), PSD (Ronaldo Caiado), Novo (Romeu Zema), PSTU (Hertz Dias), PRTB (Leonardo Avalanche) e Missão (Renan Santos) anunciaram convenções.
P: Como o mercado avalia o governo Lula atualmente? R: Pesquisa Genial/Quaest de dezembro de 2024 mostrou 90% de avaliação negativa entre agentes econômicos, igual ao patamar inicial do mandato. Apenas 3% viam a gestão positivamente.
- ndmais.com.br — https://ndmais.com.br/politica/julia-zanatta-assinaturas-impeachment-lula/
- tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/21/em-encontro-com-embaixadores-flavio-resgata-episodio-que-tornou-bolsonaro-inelegivel-e-diz-que-pai-apenas-manifestava-suas-preocupacoes-com-o-sistema-eleitoral.ghtml
- metropoles.com — https://www.metropoles.com/brasil/eleicoes-2026-presidenciaveis-definem-datas-das-convencoes-confira