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Lula diz que a economia está boa e culpa percepção da sociedade

Lula defende gestão econômica no governo Lula 3, mas pesquisa Quaest mostra que 46% dos brasileiros enxergam deterioração e 43% reprovam o governo.

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TL;DR · 4 min de leitura

Lula defende gestão econômica no governo Lula 3, mas pesquisa Quaest mostra que 46% dos brasileiros enxergam deterioração e 43% reprovam o governo.

Lula subiu ao palanque no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo na quinta-feira (19) e entregou um diagnóstico que deveria ser mais preocupante do que tranquilizador: a economia brasileira está bem, o problema é que os brasileiros não percebem isso. A declaração, feita durante o ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, expôs o dilema central do governo Lula 3 às vésperas de um ciclo eleitoral decisivo.

“A situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”, afirmou o presidente, segundo a InfoMoney. A frase abre uma pergunta que o Planalto prefere não responder diretamente: quando 46% dos brasileiros enxergam piora na economia e 43% reprovam a condução econômica de Lula, conforme pesquisa Quaest divulgada em 10 de março, quem está com a percepção distorcida?

O peso do combustível nas bombas

Os preços dos combustíveis subiram com a escalada do petróleo provocada pela guerra no Irã, e o impacto chegou rápido ao bolso do trabalhador. O governo federal tentou subsidiar parte do aumento, mas os estados se recusaram a abrir mão de receita do ICMS para amortecer o choque nas bombas. O resultado é que o custo chegou quase inteiro ao consumidor final.

Ainda na mesma quinta-feira, Lula reclamou do que classificou como “falsa inflação”: distribuidoras que teriam reajustado o preço do etanol, produto sem qualquer relação com o conflito no Oriente Médio. A declaração revela uma tensão interna ao próprio diagnóstico governamental. Se a economia está bem, por que os preços sobem de forma que o próprio presidente classifica como abusiva?

O padrão que se repete

Não é a primeira vez que o governo recorre à tese de que a comunicação, e não a política, é o problema. Ainda nos primeiros cem dias do mandato atual, Lula já reclamava das críticas ao desempenho econômico e chegou a dizer que o mercado “não tem coração, sensibilidade, humanismo”, conforme registrou O Globo. Ao longo de todo o governo Lula 2025, o padrão se manteve: quando os números desagradam, a culpa recai sobre quem os divulga ou sobre quem os sente.

No campo fiscal, a trajetória tampouco tranquiliza. O governo editou a Medida Provisória 1227, que cria novas taxações sobre empresas para tentar elevar a arrecadação. Economistas criticaram a medida, argumentando que uma carga tributária mais pesada desincentiva investimentos e pode comprometer o crescimento no médio prazo, de acordo com análise publicada pelo Tudo OK Notícias. O dilema permanece sem resposta: mais receita sem corte de despesas não resolve o desequilíbrio fiscal, apenas transfere o ônus para o setor produtivo.

Percepção não é ilusão

Há um equívoco conceitual no argumento do presidente. Percepção não é ruído a ser corrigido com comunicação melhor: é informação gerada por experiências concretas. Quando quase metade da população sente que a economia piorou, esse dado reflete realidades objetivas como o preço do supermercado, da conta de luz e do aluguel. Governos que tratam a percepção popular como falha de marketing tendem a demorar para corrigir os problemas reais que a causam.

A postura do governo Lula diante da economia também preocupa pelo que revela sobre sua visão de longo prazo. O Estadão reportou que a revista The Economist questionou se o Brasil estaria “aprendendo as lições erradas” ao ampliar o protagonismo de estatais e fortalecer o papel do Estado na economia. Mais Estado, historicamente, costuma significar mais gastos, menos espaço para o setor privado e maior pressão sobre os preços no médio prazo.

O teste que vem pela frente

Com Haddad posicionado como pré-candidato ao governo de São Paulo e o calendário eleitoral de 2026 ganhando velocidade, a narrativa econômica do PT precisará se sustentar fora do palanque. Os números da Quaest mostram que a tarefa não é simples. A questão relevante não é se a percepção da sociedade está errada: é se o governo está disposto a ouvir o que ela está comunicando.

Perguntas frequentes

O que Lula disse sobre a economia em março de 2026?

O presidente afirmou que a situação econômica brasileira é boa, mas que a percepção da sociedade sobre o tema ainda não reflete essa realidade. A declaração foi feita durante evento de pré-candidatura de Fernando Haddad em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Por que os combustíveis estão mais caros no Brasil em 2026?

A alta tem origem na escalada do preço do petróleo provocada pela guerra no Irã. Distribuidoras também reajustaram produtos como o etanol, sem relação direta com o conflito. O governo federal tentou subsidiar parte do aumento, mas estados resistiram a reduzir o ICMS sobre os combustíveis.

O que a pesquisa Quaest mostrou sobre o governo Lula em março de 2026?

Levantamento divulgado em 10 de março apontou que 46% dos brasileiros avaliam que a economia piorou e 43% reprovam a condução econômica do presidente. Os números refletem o desgaste acumulado ao longo do governo Lula 3.

O que é a Medida Provisória 1227?

É uma medida editada pelo governo federal que cria novas taxações sobre empresas com o objetivo de aumentar a arrecadação. A MP gerou críticas de economistas por potencialmente desincentivar investimentos e prejudicar o crescimento econômico no médio prazo.

Fontes
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • tudooknoticias.com.br — https://tudooknoticias.com.br/destaque/o-fracasso-do-governo-lula-e-a-critica-a-gestao-economica
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-critica-estado-forte-do-governo-lula

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