Valdemar condiciona Castro ao Senado à reversão no TSE
PF abre duas operações contra Cláudio Castro em 12 dias e STF vota pela manutenção da Ficha Limpa, colocando em risco a candidatura do ex-governador ao Senado do Rio.
PF abre duas operações contra Cláudio Castro em 12 dias e STF vota pela manutenção da Ficha Limpa, colocando em risco a candidatura do ex-governador ao Senado do Rio.
Cláudio Castro só estará na chapa do PL ao Senado do Rio de Janeiro se conseguir reverter sua inelegibilidade no Tribunal Superior Eleitoral. A declaração é de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, em entrevista à revista Veja nesta quarta-feira. A condição resume o impasse político em torno do ex-governador fluminense a menos de um ano das eleições.
O timing não é fortuito. Em doze dias, Castro foi alvo de duas operações da Polícia Federal. A mais recente, deflagrada na terça-feira, foi a oitava fase da Operação Compliance Zero: investiga a destinação de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central e investigada por operações de alto risco. Segundo O Povo, a defesa do ex-governador negou qualquer vínculo “indevido” com Daniel Vorcaro, controlador do Master.
No dia 15 de maio, a Operação Sem Refino havia apreendido o celular e o tablet do ex-governador. Naquela ação, a PF apurou a relação de sua gestão com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador do país. Os investigadores concluíram que Castro atuou para criar um “ambiente propício” às fraudes fiscais bilionárias do grupo no setor de combustíveis. A defesa, mais uma vez, negou qualquer ilícito.
O TSE e a Ficha Limpa
O destino eleitoral de Castro passa por um julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal. O STF analisa a constitucionalidade da Lei Complementar 219/2025, aprovada pelo Congresso, que havia suavizado a Lei da Ficha Limpa ao fixar um teto de 12 anos de inelegibilidade e unificar o início da contagem para a data da condenação por órgão colegiado ou da renúncia ao mandato.
O placar no plenário virtual está 2 a 0 pela derrubada das mudanças. O ministro Luiz Fux acompanhou o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, que qualificou as alterações como retrocesso e via de acesso à impunidade, conforme o Correio Braziliense. A votação encerra nesta sexta-feira. Se o resultado se confirmar, políticos como Eduardo Cunha, Anthony Garotinho e José Roberto Arruda seguem barrados das urnas em 2026.
Racha no PL carioca
Dentro do próprio PL, a situação divide o partido. Interlocutores de Flávio Bolsonaro avaliaram ao Estadão que a candidatura de Castro ficou inviável após a segunda operação federal. Para esses aliados, o ex-governador perdeu espaço na chapa e não reúne condições de sustentar a vaga no reduto eleitoral da família Bolsonaro.
Valdemar, por outro lado, insiste na candidatura com dois argumentos práticos: a popularidade de Castro no interior fluminense e a associação de seu nome à agenda de segurança pública, pilar da estratégia eleitoral do PL para 2026. Procurado para confirmar a declaração à Veja, o dirigente não respondeu.
O cálculo da centro-direita
A tensão interna do PL espelha um dilema mais amplo do campo oposicionista. Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência pelo PSD, descartou à Jovem Pan qualquer chapa com Romeu Zema e defendeu unidade para não dispersar o voto da centro-direita na reta final contra o governo Lula. “Ninguém vai ganhar segundo turno sem apoio da centro-direita no Brasil”, disse ele.
O episódio Castro revela o risco de uma estratégia que apostou na flexibilização da Ficha Limpa como saída para candidaturas sob investigação. Se o STF confirmar a derrubada da lei, fecha-se uma janela aberta pelo Congresso e o Judiciário reconquista a palavra final sobre quem participa da eleição de 2026. Candidaturas que dependiam da mudança legislativa terão de encontrar outra saída, ou aceitar a exclusão.
A votação no STF encerra nesta sexta-feira. Se o placar de 2 a 0 se mantiver, o PL fluminense terá de decidir, antes do prazo de registro das candidaturas, se insiste em Castro apostando em uma reversão solitária no TSE ou se busca um nome alternativo para a vaga ao Senado.
Perguntas frequentes
O que é a Operação Compliance Zero? É uma investigação da Polícia Federal sobre a destinação de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar créditos de alto risco.
Cláudio Castro pode ser candidato ao Senado em 2026? Depende da reversão de sua inelegibilidade no TSE. Valdemar Costa Neto condicionou publicamente a candidatura a esse resultado jurídico.
O que muda com a derrubada da Lei da Ficha Limpa pelo STF? Voltam a valer os prazos anteriores, que podiam afastar um político das urnas por até 15 ou 20 anos. O teto de 12 anos e a unificação da contagem deixariam de ter efeito.
O PL terá candidato ao Senado no Rio em 2026? O partido está dividido. Aliados de Flávio Bolsonaro consideram Castro inviável; Valdemar defende a candidatura condicionada à resolução no TSE. A definição deve ocorrer antes do prazo de registro.
- opovo.com.br — https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2026/05/27/valdemar-afirma-que-claudio-castro-so-nao-saira-ao-senado-se-nao-reverter-inelegibilidade.html
- estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-critica-estado-forte-do-governo-lula
- correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/05/7429102-stf-forma-2-a-0-contra-flexibilizacao-da-lei-da-ficha-limpa-votacao-acaba-nesta-sexta.html
- jovempan.com.br — https://jovempan.com.br/noticias/politica/caiado-desmente-chapa-com-zema-mas-defende-uniao-da-centro-direita-ninguem-ganhara-sem-apoio.html