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Dívida bruta volta a 88,6% do PIB e expõe fragilidade fiscal do país

A dívida bruta brasileira volta ao patamar de 88,6% do PIB, expondo um déficit estrutural que atravessa governos e não encontra solução em Brasília.

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TL;DR · 4 min de leitura

A dívida bruta brasileira volta ao patamar de 88,6% do PIB, expondo um déficit estrutural que atravessa governos e não encontra solução em Brasília.

A dívida bruta do governo geral voltou a 88,6% do Produto Interno Bruto, o mesmo patamar registrado no final de 2020, no auge da pandemia. O retorno a esse nível não é coincidência: é o resultado de uma trajetória fiscal que, independentemente do partido no poder, acumula desequilíbrios sem atacar as causas estruturais do problema.

Entre 2021 e 2022, a relação dívida/PIB havia caído, chegando a 71,7% no final do governo anterior. Mas esse recuo foi artificial, como analisa o Estadão: não decorreu de geração de superávit primário nem de reformas fiscais, e sim da inflação elevada, que produziu juros reais negativos e funcionou como um abatimento informal da dívida pública de cerca de R$ 600 bilhões. A herança que o governo Lula recebeu era melhor nos números do que na substância.

O custo da desordem

O governo Lula 3 optou por uma estratégia distante da consolidação fiscal. Apostou em estímulos de demanda via gasto público e crédito subsidiado para sustentar o crescimento, mas esse modelo tem mostrado limites claros. Com a inflação acima da meta, o Banco Central precisou elevar a taxa Selic, aumentando o custo do serviço da dívida e pressionando ainda mais as contas públicas.

Fernando Haddad tentou adotar uma postura fiscalista, mas a pressão da base política impediu cortes efetivos de subsídios e benefícios. Em março de 2026, o presidente Lula declarou publicamente que a economia vai bem, mas que a percepção da sociedade ainda não reflete esse desempenho, segundo registrou a InfoMoney. A pesquisa Quaest daquele mês registrava 46% dos brasileiros avaliando negativamente a economia e 43% reprovando a condução do governo.

A tentativa de aumentar a arrecadação pela MP 1227, que criou novas tributações sobre empresas, também não passou sem reação. Economistas ouvidos pelo Tudo ok Notícias alertaram que elevar a carga tributária sobre empresas pode desestimular investimentos, o contrário do que o crescimento sustentável requer.

O que os números não dizem sozinhos

Há um ponto que o debate político frequentemente ignora: o déficit fiscal brasileiro é estrutural e atravessa governos, como aponta análise do Estadão. Em 2020, o déficit primário chegou a 9,8% do PIB, o maior em décadas, impulsionado pelo auxílio emergencial, que distribuiu R$ 430 bilhões (a preços de abril de 2026) a 68 milhões de beneficiários. Mesmo sendo necessário, o programa foi mal focalizado e custou mais do que deveria.

O ponto central é que nenhum governo recente produziu a consolidação fiscal que o Brasil precisa. O anterior adiou cerca de R$ 47 bilhões em precatórios, empurrando o problema adiante. O atual expandiu gastos sem reformas estruturais que sustentassem o crescimento no longo prazo. O resultado é que a dívida voltou ao ponto de partida de 2020, sem que condições excepcionais de pandemia justifiquem o retorno.

Para o contribuinte e o empreendedor, as consequências são diretas. Juros altos encarecem o crédito, reduzem as margens das empresas e comprimem o consumo das famílias. A inflação corrói o salário real. E o governo segue com pouco espaço fiscal para reagir a choques externos, como o aumento do petróleo provocado pela guerra no Irã, que já pressiona os combustíveis no país, conforme registrou a InfoMoney.

O que vem pela frente

A questão agora é se o Congresso e o Executivo conseguirão convergir para medidas que ataquem o lado estrutural do problema, não apenas o ciclo político de curto prazo. Sem reformas que reduzam o gasto obrigatório e melhorem a focalização dos programas sociais, a trajetória da dívida continuará apontando para cima. O mercado já precificou esse risco. O eleitor, ao que indicam as pesquisas, também começa a sentir.

Perguntas frequentes

Por que a dívida bruta voltou a 88,6% do PIB se havia caído após a pandemia?

A queda observada entre 2021 e 2022 foi sustentada principalmente pela inflação alta, que gerou juros reais negativos e reduziu o valor real da dívida. Com o controle da inflação e a elevação da Selic, essa dinâmica se inverteu e a dívida voltou a crescer.

O governo Lula é o único responsável pelo aumento da dívida?

O desajuste fiscal é estrutural e atravessa governos. O governo Lula 3, contudo, optou por expandir gastos sem reformas que garantissem sustentabilidade no longo prazo, o que contribuiu para a reversão da trajetória iniciada em 2020.

O que é déficit primário e por que importa?

É o resultado das receitas menos as despesas do governo, sem incluir o pagamento de juros. Quando é negativo, o governo gasta mais do que arrecada, acumulando dívida. Em 2020, chegou a 9,8% do PIB.

O que a alta da Selic tem a ver com a dívida pública?

Grande parte da dívida brasileira é indexada à Selic. Quando o Banco Central eleva os juros para conter a inflação, o custo de servir essa dívida aumenta automaticamente, pressionando ainda mais as contas públicas.

Fontes
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/claudio-adilson-goncalez/o-deficit-fiscal-e-estrutural-nao-tem-ideologia-o-governo-e-o-congresso-precisam-entender-e-agir/
  • tudooknoticias.com.br — https://tudooknoticias.com.br/destaque/o-fracasso-do-governo-lula-e-a-critica-a-gestao-economica
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula

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