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Lula admite que economia não convence brasileiros em 2026

Pesquisa Quaest mostra 46% de rejeição à gestão econômica, enquanto combustíveis sobem e Congresso vota repasses eleitorais em ano decisivo para o PT.

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TL;DR · 4 min de leitura

Pesquisa Quaest mostra 46% de rejeição à gestão econômica, enquanto combustíveis sobem e Congresso vota repasses eleitorais em ano decisivo para o PT.

46% dos brasileiros dizem que a situação econômica piorou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe disso e disse em voz alta.

Em ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no dia 19 de março, Lula colocou em palavras a contradição central de seu terceiro mandato: os indicadores são positivos, mas a população não sente isso no bolso. “A situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”, disse o presidente, acrescentando que “precisamos fazer mais”.

Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada em 10 de março e reportada pelo InfoMoney, 46% dos brasileiros avaliam que a economia piorou e 43% reprovam a condução do governo. São números que qualquer político em ano eleitoral leva a sério.

A percepção de deterioração

O preço dos combustíveis está no centro do desconforto. A guerra no Irã pressionou o petróleo, e o impacto chegou aos postos. O governo tentou amortecer os reajustes, mas os estados resistem a reduzir o ICMS - cada governador calcula seu próprio risco antes de abrir mão de receita tributária.

Além dos combustíveis fósseis, o que irritou Lula foi o etanol. Ele acusou distribuidoras de praticar o que chamou de “falsa inflação” - reajustes em produtos sem qualquer relação direta com o conflito no Oriente Médio. A lógica do governo é clara: a culpa pela carestia está no setor privado, não na política econômica.

Não é a primeira vez que o presidente adota esse enquadramento. Em dezembro de 2024, durante evento no Mato Grosso do Sul, Lula atacou o mercado financeiro e a direção do FMI, dizendo que a diretora “sabe de tudo menos de economia”. Na mesma ocasião, a ministra Simone Tebet foi mais longe: quem avalia o governo como ruim “joga contra o Brasil”. O padrão se repete - quando os números não convencem a população, a resposta oficial é questionar quem os mede.

O governo Lula 3 e o crescimento que não se sente

No aniversário de 45 anos do PT, o presidente voltou a criticar projeções do mercado e celebrou que o PIB cresceu 3,2% em 2023, quatro vezes acima do que analistas previam. Para 2024, o Banco Central apontava 3,8%, conforme registrou a CNN Brasil. Os dados de crescimento, de fato, têm superado as projeções mais pessimistas.

O problema está na composição desse crescimento. O pacote de contenção de despesas do próprio governo limita o reajuste real do salário mínimo a 2,5% acima da inflação - detalhe sistematicamente omitido quando o presidente fala sobre política de renda. Um PIB que cresce sem transferir poder de compra ao trabalhador não aparece nas pesquisas de aprovação.

Fora do Brasil, a leitura é ainda mais crítica. O Estadão noticiou que a revista The Economist questiona se o Brasil aprende as lições erradas de suas recuperações econômicas, à medida que estatais ganham espaço crescente na estratégia governamental. Para a publicação britânica, o risco é uma nova dependência do Estado em detrimento da iniciativa privada - crítica que ressoa com o papel ampliado de Banco do Brasil, Caixa e BNDES no atual ciclo econômico.

O ano eleitoral complica o cálculo

Nesta quinta-feira (21 de maio), o Congresso analisa o veto de Lula a transferências federais para municípios pequenos endividados. A derrubada do veto, conforme os Metrópoles, abriria caminho para repasses a 3.118 prefeituras antes do início do período eleitoral em julho. O governo liberou a base para votar - sinal de que a pressão dos prefeitos aliados pesou mais do que a coerência do veto original.

A contradição é visível: o mesmo governo que vetou as transferências por considerá-las inconstitucionais aceita a derrubada quando o calendário eleitoral exige. Responsabilidade fiscal e pragmatismo político raramente caminham no mesmo ritmo.

O que vem pela frente

Para o PT, a questão central é se o governo conseguirá transformar indicadores macroeconômicos em sensação concreta de melhora até outubro. Sem isso, o argumento de que a sociedade tem “percepção equivocada” pode se tornar o maior obstáculo eleitoral do partido - não por ser mentira, mas por soar distante de quem paga combustível, feira e conta de luz todo mês.

Perguntas frequentes

  1. Por que os brasileiros não percebem a melhora econômica que o governo Lula defende? A percepção de bem-estar é moldada pelo custo de vida cotidiano - preço do combustível, alimentos e serviços - e não pelo PIB agregado. Quando esses itens sobem, a avaliação popular piora independentemente das estatísticas oficiais.

  2. Qual é o impacto da guerra no Irã no preço dos combustíveis no Brasil? A guerra elevou o preço internacional do petróleo, pressionando gasolina e diesel nos postos. O governo federal tenta subsidiar parte do aumento, mas os estados resistem a reduzir o ICMS, tributo que compõe parcela significativa do preço final ao consumidor.

  3. O que é o período de defeso eleitoral e por que afeta os municípios? É o período de três meses antes das eleições em que transferências voluntárias entre entes federativos ficam proibidas. Começa em 4 de julho de 2026. A derrubada do veto analisada pelo Congresso permite repasses a prefeituras endividadas antes desse prazo, em plena campanha.

  4. O que o The Economist disse sobre a política econômica do governo Lula? A publicação britânica critica a expansão das estatais e questiona se o Brasil aprende as lições erradas de suas recuperações econômicas, sugerindo risco de dependência excessiva do Estado em detrimento do setor privado.

Fontes
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-critica-estado-forte-do-governo-lula
  • cbn.globo.com — https://cbn.globo.com/politica/noticia/2024/12/05/lula-critica-mercado-e-diz-que-economia-pode-crescer-ate-4percent-em-2024.ghtml
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/lula-critica-projecoes-do-mercado-e-volta-a-prever-alta-do-pib-de-38-em-2024
  • poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-congresso/lindbergh-e-janones-montam-time-do-lula-em-videos-contra-oposicao/
  • metropoles.com — https://www.metropoles.com/brasil/congresso-analisa-veto-para-liberar-doacoes-na-campanha-eleitoral

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