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Brasilia 4 min de leitura

Lula celebra harmonia com Congresso, mas Alcolumbre falta ao Planalto

Lula faz elogio público ao Legislativo em cerimônia no Planalto, mas ausência de Alcolumbre expõe mal-estar pós-rejeição de Messias ao STF.

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TL;DR · 4 min de leitura

Lula faz elogio público ao Legislativo em cerimônia no Planalto, mas ausência de Alcolumbre expõe mal-estar pós-rejeição de Messias ao STF.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou publicamente o Congresso Nacional nesta quarta-feira (20), menos de um mês depois de o Senado ter rejeitado seu indicado ao Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União Jorge Messias. O gesto veio durante a cerimônia dos 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, no Palácio do Planalto, onde o petista agradeceu nominalmente aos parlamentares pela aprovação célere do pacote de leis de proteção de gênero.

“A gente precisa reconhecer publicamente o Congresso Nacional, que muitas vezes é muito criticado e poucas vezes é elogiado”, declarou Lula, segundo o Poder360. O discurso soa como gesto de reconciliação, mas um detalhe pesou: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estava ausente. Ele havia assinado o pacto em fevereiro e foi convidado para o evento.

Alcolumbre foi um dos articuladores da derrota de Messias no Senado. Sua ausência fala mais alto do que qualquer frase sobre harmonia entre os poderes.

O sinal contraditório

Lula afirmou que a autonomia institucional não deveria criar distância, sobretudo no combate à violência contra mulheres. O argumento é coerente no plano das políticas públicas, mas ignora que a tensão com o Senado tem outra origem: a disputa por influência no STF. Quando o Senado rejeitou Messias, o recado foi explicitamente institucional. Elogiar o Legislativo sem reconhecer o atrito é estratégia de gestão de imagem, não de superação do conflito.

O governo Lula 3 já conviveu com outros episódios de atrito com o Congresso. A diferença agora é que o desgaste chega em um momento de queda de aprovação, com o calendário eleitoral de 2026 pesando sobre cada movimento do Planalto.

O pano de fundo econômico

O contexto não ajuda. Pesquisa Quaest de março de 2026 mostrou que 46% dos brasileiros veem piora na economia e 43% reprovam a condução do governo Lula, de acordo com a InfoMoney. O próprio presidente reconheceu, em ato de pré-candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, que “a percepção da sociedade ainda não é boa”, embora insista que os indicadores são positivos.

Parte do problema está no preço da gasolina, pressionado pela alta do petróleo decorrente da guerra no Irã. O governo federal não conseguiu convencer os estados a reduzirem o ICMS para amortecer o impacto, e o custo de vida continua corroendo a aprovação popular.

Em dezembro de 2024, levantamento da CNN Brasil já apontava que 90% do mercado financeiro avaliava o governo negativamente. O patamar refletia a deterioração das contas públicas e a insatisfação com o pacote fiscal, que prometia cortar mais de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026, mas chegou embalado pelo anúncio da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

O que os números revelam

Governos no segundo semestre do penúltimo ano de mandato, com aprovação em queda, tendem a buscar vitórias simbólicas. O evento desta quarta é, em parte, isso: uma foto com parlamentares, um elogio ao Legislativo, a narrativa de três poderes trabalhando em conjunto.

A crítica ao modelo de Estado hipertrofiado também não desapareceu do radar internacional. O Estadão reportou que a revista The Economist questionou se o Brasil estava aprendendo as lições erradas ao ampliar o peso das estatais, um caminho que reduz o espaço para o setor privado e tende a comprometer a eficiência econômica.

A ausência de Alcolumbre torna o cenário menos palatável do que o Planalto gostaria. O presidente do Senado é exatamente o tipo de interlocutor que o governo precisa, e sua recusa em comparecer indica que o mal-estar após a rejeição de Messias persiste.

O que vem a seguir

Com Alcolumbre na cadeira do Senado, qualquer pauta legislativa relevante depende de uma negociação que, por ora, está travada por ressentimento institucional. A questão que fica é se o Planalto vai optar por recuo real na agenda de controle do Judiciário ou vai continuar apostando no elogio público como substituto para a articulação política de fato.

Perguntas frequentes

O Senado realmente rejeitou o indicado de Lula ao STF?

Sim. O advogado-geral da União Jorge Messias foi vetado pelo Senado em votação realizada cerca de um mês antes do evento desta quarta-feira.

Por que a ausência de Alcolumbre importa?

Alcolumbre, presidente do Senado, foi apontado como articulador da rejeição de Messias. Ele assinou o pacto em fevereiro e foi convidado para a cerimônia, mas não compareceu, sinalizando que o mal-estar entre Planalto e Senado persiste.

Como está a percepção pública sobre a economia no governo Lula?

Pesquisa Quaest de março de 2026 mostrou que 46% dos brasileiros veem piora na economia e 43% reprovam a condução do governo, apesar de Lula insistir que os indicadores são positivos.

O que é o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio?

Acordo entre os três poderes, assinado no início de 2026, para aprovar em tempo reduzido um conjunto de leis de proteção às mulheres. A cerimônia desta quarta marcou 100 dias do pacto.

Fontes
  • poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-governo/depois-de-reves-lula-elogia-congresso-e-muito-criticado/
  • tudooknoticias.com.br — https://tudooknoticias.com.br/destaque/o-fracasso-do-governo-lula-e-a-critica-a-gestao-economica
  • cbn.globo.com — https://cbn.globo.com/politica/noticia/2024/12/05/lula-critica-mercado-e-diz-que-economia-pode-crescer-ate-4percent-em-2024.ghtml
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-critica-estado-forte-do-governo-lula
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest

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