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Déficit primário de 2026 cai R$ 1,2 bi no Prisma Fiscal de maio

Prisma Fiscal de maio aponta déficit primário de R$ 57,8 bi em 2026, com melhora puxada por arrecadação maior, não por contenção de despesas do governo.

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TL;DR · 4 min de leitura

Prisma Fiscal de maio aponta déficit primário de R$ 57,8 bi em 2026, com melhora puxada por arrecadação maior, não por contenção de despesas do governo.

O Prisma Fiscal de maio registrou queda de R$ 1,192 bilhão na projeção do déficit primário do governo central para 2026. A mediana das estimativas dos economistas consultados pelo Ministério da Fazenda recuou de R$ 59,019 bilhões para R$ 57,827 bilhões. Para 2027, o recuo foi ainda mais expressivo: de R$ 50,359 bilhões para R$ 47,965 bilhões.

Depois de aplicadas as deduções temporárias previstas no arcabouço fiscal, que incluem precatórios, gastos obrigatórios de saúde e educação e despesas de defesa nacional, o mercado projeta resultado positivo de R$ 3,5 bilhões para fins de cumprimento da meta. A meta oficial do governo Lula 3 é um superávit de 0,25% do PIB, com banda de tolerância de 0,25 ponto percentual. O governo permanece dentro dos limites, por ora.

A melhora, porém, não veio de contenção de gasto. A estimativa de arrecadação federal subiu de R$ 3,121 trilhões para R$ 3,141 trilhões em 2026, segundo o O Povo. Ao mesmo tempo, a projeção para o gasto total do governo central subiu de R$ 2,597 trilhões para R$ 2,615 trilhões. A melhora no saldo é real, mas marginal, e está atrelada a um crescimento de receita que depende da continuidade do ciclo econômico.

O buraco nominal que cresce em silêncio

O déficit primário exclui os encargos financeiros da dívida pública e, por isso, costuma aparecer nos comunicados oficiais como o principal termômetro das contas. O quadro muda quando se olha o déficit nominal: a projeção para 2026 saltou de R$ 1,016 trilhão para R$ 1,051 trilhão, conforme os dados apurados pelo O Povo. Esse número representa o total que o governo precisará captar no mercado para financiar todas as suas obrigações, juros incluídos.

A dívida bruta do governo geral como proporção do PIB teve leve recuo nas projeções: de 83,28% para 83,0% ao fim de 2026, e de 86,60% para 86,45% para 2027. A trajetória, ainda assim, segue ascendente. Cada exercício encerra com a dívida consumindo fatia maior da riqueza nacional, o que estreita a margem de manobra para choques futuros.

Por que o mercado não comemora

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em dezembro de 2025, apontou que 90% do mercado financeiro avaliava negativamente o governo Lula, de acordo com a CNN Brasil. O patamar era o mesmo registrado no início do terceiro mandato, sinal de que a percepção não melhorou ao longo dos anos. A razão central não é ideológica: é estrutural. Gastos tendem a se cristalizar em legislação, ao passo que a receita oscila com o ciclo econômico.

Esse diagnóstico converge com a análise da The Economist, noticiada pelo Estadão, que questionou a tendência do governo de ampliar o papel das estatais e expandir o aparato público. O padrão pressiona a despesa no médio prazo independentemente do comportamento da economia. Quando a arrecadação cresce por impulso conjuntural, as despesas tendem a subir junto e a resistir ao corte quando o cenário piora.

O que o Prisma Fiscal de maio revela, no limite, é um equilíbrio instável. O governo cumpre a meta dentro da banda de tolerância, mas apoiado em crescimento de receita, não em disciplina de gasto. A próxima coleta, prevista para junho, dirá se a tendência se sustenta ou se as projeções voltam a se deteriorar com os números do segundo trimestre.

Perguntas frequentes

O que é o Prisma Fiscal? É uma pesquisa mensal conduzida pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Ela consolida as projeções de economistas do setor privado para variáveis como déficit primário, dívida pública e arrecadação federal, servindo como termômetro das expectativas do mercado sobre as contas do governo.

O governo vai cumprir a meta fiscal de 2026? A projeção atual aponta resultado positivo de R$ 3,5 bilhões após as deduções do arcabouço, mantendo o governo dentro da banda de tolerância. O risco principal é uma desaceleração da arrecadação no segundo semestre, que comprimiria essa folga rapidamente.

Qual a diferença entre déficit primário e déficit nominal? O déficit primário mede o saldo de receitas e despesas sem considerar os juros da dívida pública. O déficit nominal inclui esses encargos e mostra o quanto o endividamento efetivamente cresceu. Em 2026, o déficit nominal projetado é de R$ 1,051 trilhão, valor muito superior ao déficit primário de R$ 57,827 bilhões.

Por que a dívida pública sobe mesmo quando o déficit primário melhora? Porque os juros sobre a dívida brasileira são elevados. Mesmo com melhora no resultado primário, o pagamento dos encargos financeiros exige novas captações, mantendo a dívida bruta em trajetória ascendente. Por isso a projeção da dívida bruta segue subindo, chegando a 86,45% do PIB em 2027.

Fontes
  • opovo.com.br — https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/05/18/previsao-do-deficit-primario-de-2026-passa-de-rs-59019-bi-para-rs-57827-bi-no-prisma-fiscal.html
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-critica-estado-forte-do-governo-lula/?srsltid=AfmBOoqKdAy22xs_XRqpuwGGhdKY1wlfgembgu5TE42MMdvSvT6KSqAp
  • tudooknoticias.com.br — https://tudooknoticias.com.br/destaque/o-fracasso-do-governo-lula-e-a-critica-a-gestao-economica/
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest/
  • cbn.globo.com — https://cbn.globo.com/politica/noticia/2024/12/05/lula-critica-mercado-e-diz-que-economia-pode-crescer-ate-4percent-em-2024.ghtml

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