Dólar | Selic | IBOV
Brasilia 4 min de leitura

Lula critica mercado sobre gastos; pesquisa mostra 51% de reprovação

Enquanto Lula critica o mercado por classificar tudo como gasto, pesquisa Ipsos-Ipec aponta 51% de reprovação na gestão fiscal do governo em 2026.

Compartilhar:
TL;DR · 4 min de leitura

Enquanto Lula critica o mercado por classificar tudo como gasto, pesquisa Ipsos-Ipec aponta 51% de reprovação na gestão fiscal do governo em 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mercado financeiro construiu uma narrativa desonesta ao tratar todo dispêndio público como ‘gasto’ e garantiu que ninguém tem razões para temer um governo petista. A declaração saiu em café da manhã com jornalistas, horas antes de Fernando Haddad anunciar medidas econômicas no Palácio do Planalto.

‘É preciso parar de usar a palavra gasto’, disse Lula, segundo a Isto É Dinheiro. Para o presidente, aplicar esse rótulo a saúde, educação e reajuste salarial seria uma distorção deliberada do debate público. Ele acrescentou que o setor financeiro ‘não tem coração’ e que cabe ao Estado cuidar dos mais vulneráveis.

A percepção do eleitor

Uma pesquisa Ipsos-Ipec publicada em março de 2026 colocou a gestão fiscal exatamente no pior lugar possível: 51% dos entrevistados avaliaram o controle de gastos como ruim ou péssimo, conforme divulgou o G1. O combate à inflação ficou logo atrás, com 50% de reprovação. Em segurança pública, o índice negativo chegou a 49%.

Em nenhuma das nove áreas avaliadas a percepção positiva superou a negativa. Nem mesmo em educação e combate à fome, os dois campos em que o governo Lula 3 colhe índices menos ruins.

Diante disso, o presidente apostou num argumento que deverá se repetir ao longo de 2026: o problema está na percepção, não na realidade. ‘A situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa’, disse em março durante ato de pré-candidatura de Haddad ao governo paulista, segundo a InfoMoney. A pesquisa Quaest do mesmo período mostrava 46% dos brasileiros vendo piora econômica e 43% reprovando a condução presidencial.

O pacote que não convenceu

O governo anunciou um conjunto de cortes de gastos, mas o timing revelou a contradição. A votação das medidas foi adiada para 2026, ano de eleições. Para analistas ouvidos pelo Investidor Sardinha, o adiamento esvaziou a credibilidade do anúncio: o mercado interpretou o movimento como sinal de que a popularidade pesaria mais do que o ajuste fiscal.

A lógica tem precedente. Debater corte de gastos é, para a base petista, um território tão árido quanto seria para um governo de direita propor ampliação de cotas. Cada liderança governa com o instinto de preservar sua própria coalizão.

O que os dados mostram

Lula tem razão num ponto: o Brasil registrou superávits primários em parte dos mandatos anteriores e as reservas internacionais cresceram entre 2003 e 2010. Esses são fatos verificáveis. O argumento de que o Estado salvou a economia em crises também tem lastro histórico, embora a extensão desse papel seja matéria de debate entre economistas.

O governo Lula em 2025 e 2026, porém, opera num cenário distinto: Selic elevada, dólar pressionado e combustíveis em alta pelo conflito no Irã. Subsidiar esse choque tem custo fiscal real. O mercado que o presidente critica não age por sentimento, age por expectativa. Quando medidas de ajuste são postergadas para o calendário eleitoral, essa expectativa se deteriora.

A pergunta que 2026 vai responder não é se saúde e educação são investimentos legítimos. São. A questão é se o ritmo e o modelo de financiamento desses gastos são sustentáveis sem corroer a estabilidade que o próprio governo diz ter construído.

Perguntas Frequentes

Lula gerou superávit nos governos anteriores? Sim. Nos mandatos de 2003 a 2010, o Brasil registrou superávits primários consecutivos, favorecidos em parte pelo ciclo de commodities. O cenário atual é diferente, com dívida pública maior e juros estruturalmente mais altos.

Por que o mercado reagiu mal ao pacote fiscal do governo Lula? A votação das medidas foi adiada para 2026, ano eleitoral. Analistas interpretaram o adiamento como sinal de que a aprovação seria improvável naquele momento político, o que reduziu a credibilidade do anúncio.

O que a pesquisa Ipsos-Ipec mostrou sobre o governo Lula? Em março de 2026, 51% dos brasileiros reprovaram o controle de gastos públicos e 50% reprovaram o combate à inflação. Em nenhuma das nove áreas avaliadas a aprovação superou a reprovação.

Qual é o impacto da guerra no Irã sobre a inflação no Brasil? O conflito elevou o preço internacional do petróleo, pressionando os combustíveis. O governo tentou subsidiar o impacto, mas governos estaduais resistiram a abrir mão de receita do ICMS para reduzir o repasse ao consumidor.

Fontes
  • istoedinheiro.com.br — https://istoedinheiro.com.br/lula-critica-mercado-por
  • investidorsardinha.r7.com — https://investidorsardinha.r7.com/opiniao/lula-esta-destruindo-a-economia-brasileira/
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/

Artigos relacionados