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Pesquisa Ipsos-Ipec: 51% reprovam controle de gastos do governo Lula

Ipsos-Ipec registra rejeição do governo Lula em todas as 9 áreas avaliadas; controle de gastos e combate à inflação lideram reprovação.

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TL;DR · 4 min de leitura

Ipsos-Ipec registra rejeição do governo Lula em todas as 9 áreas avaliadas; controle de gastos e combate à inflação lideram reprovação.

Cinquenta e um por cento dos brasileiros avaliam como ruim ou péssima a atuação do governo Lula no controle e corte de gastos públicos. O número vem da pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada em março de 2026, e não é um dado isolado: nas nove áreas investigadas pelo levantamento, a percepção negativa supera a positiva em todas elas, sem exceção.

O segundo pior índice recai sobre o combate à inflação, reprovado por 50% dos entrevistados. Na segurança pública, 49% consideram a gestão ruim ou péssima, contra apenas 25% que a veem como ótima ou boa. Esses três números constroem um retrato sistemático de rejeição econômica, não um acidente estatístico.

A reação oficial

Confrontado com esse cenário, o presidente Lula escolheu um caminho incomum. Em discurso no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, relatado pela InfoMoney, ele sustentou que os indicadores econômicos são positivos, mas que a população ainda não internalizou essa realidade. A leitura do governo, portanto, é que o problema está na comunicação, não nas políticas adotadas.

Essa tese esbarra em outros dados concretos. A pesquisa Quaest de março registrou que 46% dos brasileiros enxergam piora na economia e 43% avaliam negativamente a condução econômica do governo Lula 3. Quando dois institutos independentes chegam a conclusões semelhantes, a explicação de falha de percepção perde sustentação empírica.

O pacote que não convenceu o mercado

O governo anunciou um pacote de corte de gastos, mas adiou sua votação para 2027, ano de calendário eleitoral. Conforme analisou o Investidor Sardinha, essa postergação comprometeu as chances reais de aprovação e aprofundou a desconfiança do mercado sobre o compromisso fiscal do governo.

Esse adiamento tem custo duplo. Para o mercado financeiro, significa que a sinalização fiscal prometida não se traduz em ação concreta. Para o contribuinte, significa que o debate sobre responsabilidade fiscal voltará à pauta num momento em que a pressão eleitoral tornará qualquer medida restritiva politicamente mais custosa de aprovar.

A alta nos combustíveis agravou o quadro. Com o petróleo pressionado pelo conflito no Irã, o governo tentou medidas de subsídio, mas os estados resistiram a abrir mão de receita de ICMS. Lula chegou a denunciar inflação artificial gerada por distribuidoras, mas a retórica não derrubou os preços nas bombas.

O que os números revelam além da manchete

Há um detalhe relevante que os dados carregam além do título. Mesmo nas áreas onde o governo colhe suas melhores notas, como educação (36% de avaliação positiva) e combate à fome e à pobreza (35%), a avaliação negativa ainda prevalece numericamente. Não existe, portanto, uma âncora de aprovação sólida que compense as rejeições nas áreas econômicas.

Para quem acompanha ciclos políticos brasileiros, isso tem implicação direta. Governos que perdem credibilidade fiscal tendem a compensar com expansão de gastos sociais, o que agrava exatamente o problema original. O risco de um ciclo vicioso nesse sentido é real e tem precedente histórico documentado no Brasil.

O próximo passo

Com o calendário eleitoral se aproximando e o governo em mínimas históricas de aprovação, a questão central é se haverá disposição política para aprovar medidas de ajuste fiscal antes de 2027 ou se o Palácio do Planalto optará por administrar a percepção pública via comunicação. Os números da pesquisa Ipsos-Ipec sugerem que a segunda estratégia já mostrou seus limites junto ao eleitor.

Perguntas frequentes

Por que 51% dos brasileiros reprovam o controle de gastos do governo Lula?

A pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada em março de 2026, registrou que a maioria dos entrevistados avalia a atuação do governo como ruim ou péssima nessa área. O anúncio de um pacote de cortes combinado ao adiamento da votação para o ano eleitoral contribuiu para reduzir a credibilidade das promessas fiscais.

O que o governo respondeu aos índices de rejeição?

O presidente Lula afirmou que a situação econômica do Brasil é positiva e atribuiu a rejeição a um problema de percepção da sociedade, não de política econômica. A declaração foi feita em março, durante evento de pré-candidatura em São Paulo.

Como está a avaliação do governo Lula em outras áreas?

Na inflação, 50% avaliam negativamente. Na segurança pública, 49%. Nas nove áreas pesquisadas pela Ipsos-Ipec, a avaliação negativa supera a positiva em todas elas, sem exceção.

O governo tem algum ponto de aprovação mais positivo?

Educação (36% positivo) e combate à fome e à pobreza (35% positivo) são as áreas com melhor desempenho do governo Lula. Ainda assim, mesmo nessas áreas, a avaliação negativa é numericamente maior, segundo o levantamento.

Fontes
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • investidorsardinha.r7.com — https://investidorsardinha.r7.com/opiniao/lula-esta-destruindo-a-economia-brasileira/
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/17/lula-deve-reenviar-nome-de-jorge-messias-ao-stf-apos-derrota-no-senado-dizem-aliados.ghtml

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