Lula admite que crescimento não chega à percepção popular
Pesquisa Quaest mostra 46% dos brasileiros insatisfeitos com a economia. Lula admite contradição entre crescimento do PIB e percepção negativa da população.
Pesquisa Quaest mostra 46% dos brasileiros insatisfeitos com a economia. Lula admite contradição entre crescimento do PIB e percepção negativa da população.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, em março de 2026, uma contradição que o seu próprio governo ainda não sabe resolver: a situação econômica é boa, mas a população não percebe isso. A declaração foi feita no ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. “A percepção da sociedade ainda não é boa”, disse Lula. “Temos que fazer mais.”
Mas “fazer mais” não tem funcionado como resposta. Uma pesquisa Quaest de março de 2026 mostrou que 46% dos brasileiros avaliam que a economia piorou, e 43% reprovam a condução econômica do presidente. Esses números não surgem do nada: o CNN Brasil reportou que o índice de aprovação de Lula despencou para 24% no Datafolha de fevereiro de 2025, queda de 11 pontos percentuais em apenas dois meses.
A inflação de alimentos é parte central dessa conta. Em 2024, os preços dos alimentos subiram 7,69%, mais de dois pontos acima da inflação oficial de 4,83% medida pelo IBGE. Quando o bolso aperta na feira e no supermercado, nenhum indicador macroeconômico positivo convence.
O custo real da percepção
Com o conflito no Irã pressionando o preço do petróleo, os combustíveis viraram novo ponto de atrito no governo Lula 3. O governo federal tentou propor subsídios, mas estados resistiram a abrir mão do ICMS. Lula chegou a acusar distribuidoras de inflar preços de produtos sem relação direta com a guerra, como o etanol, sem apresentar evidências de quais empresas ou práticas específicas estaria denunciando.
O InfoMoney registrou a declaração do presidente no evento paulistano sem que houvesse da parte dele uma causa estrutural apontada para a diferença entre os números e o sentimento da população. A frase ficou solta, quase uma confissão sem plano de ação.
Num editorial publicado em 2024, o Jornal Opção resumiu o dilema numa fórmula incômoda para o Planalto: o terceiro mandato é melhor do que apontam os críticos mais duros e pior do que creem os petistas mais entusiastas. Há setores em expansão, novos investimentos anunciados, estabilidade nos tratos com o mercado financeiro. Mas esses dados coexistem com a percepção de que o custo de vida corrói o dia a dia de quem vive de salário.
O que os números escondem
Existe uma diferença relevante entre crescimento econômico agregado e distribuição de bem-estar. O governo Lula tem apresentado crescimento do PIB, mas expansão que beneficia setores específicos, como agronegócio e shoppings, não necessariamente se traduz em alívio imediato para trabalhadores urbanos. A inflação de serviços e alimentos come essa diferença antes que ela chegue ao bolso. É nessa lacuna que reside o problema político: estatísticas e sensação cotidiana falam línguas diferentes.
Outro fator é a comunicação. O próprio governo reconhece que a troca do ministro da Secom, com a chegada de Sidônio Palmeira em janeiro de 2025, não surtiu o efeito esperado. Analistas de política apontam que falta dentro do Planalto um núcleo capaz de contrapor o presidente quando a narrativa oficial descola da realidade vivida nas ruas.
Com as eleições de 2026 no horizonte, o cenário se complica para o PT. A entrada de Joaquim Barbosa na corrida presidencial, pelo Democracia Cristã, confirmada pela Veja, adiciona um candidato com capital simbólico próprio: o magistrado que presidiu o julgamento do mensalão tem reconhecimento público transversal, independente de campo ideológico. O DC havia lançado antes o nome de Aldo Rebelo, retirado da disputa depois de não pontuar em pesquisas de intenção de voto. Para Lula, isso significa que a competição por votos fora do campo petista vai se tornar ainda mais acirrada.
A pergunta que 2026 vai responder
A contradição que Lula admitiu em março não é pequena. Um presidente que precisa explicar por que a economia está boa mas as pessoas não sentem isso está, na prática, reconhecendo que o crescimento não chegou onde precisava chegar. No governo Lula 2025, essa distância entre estatísticas e realidade cotidiana virou o principal risco eleitoral do PT. A comunicação pode melhorar e o cenário externo pode ajudar, mas nenhuma dessas variáveis está sob controle do Planalto.
Se a inflação de alimentos não ceder e os combustíveis seguirem pressionados, nenhuma narrativa de crescimento vai convencer o eleitor na hora de votar. Os dados podem estar corretos. O problema é que o brasileiro paga a conta antes de ver o lucro.
Perguntas frequentes
Por que Lula disse que a economia é boa mas a percepção não é? Durante ato de pré-candidatura de Haddad em São Paulo, em março de 2026, Lula reconheceu que indicadores macroeconômicos estão positivos mas que isso não se reflete na sensação da população, que enfrenta preços altos de alimentos e combustíveis.
Qual é a aprovação de Lula nas pesquisas? O Datafolha de fevereiro de 2025 registrou aprovação de 24%, queda de 11 pontos em dois meses. A Quaest de março de 2026 mostrou que 43% dos brasileiros avaliam negativamente a condução econômica do presidente.
Quanto subiu a inflação de alimentos no governo Lula? Em 2024, a inflação de alimentos alcançou 7,69%, enquanto a inflação oficial fechou em 4,83%. A diferença explica boa parte do descontentamento popular com o custo de vida.
Joaquim Barbosa vai ser candidato à presidência em 2026? Sim. O ex-ministro do STF se filiou ao Democracia Cristã e deve ser lançado como candidato presidencial. O partido substituiu a pré-candidatura de Aldo Rebelo, que não avançou nas pesquisas de intenção de voto.
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
- jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao/
- tribunadejundiai.com.br — https://tribunadejundiai.com.br/politica/eleicoes-2026/joaquim-barbosa-candidato-presidencia-2026/
- veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/brasil/joaquim-barbosa-sera-candidato-ao-planalto-em-2026-diz-presidente-do-dc/