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Brasilia 4 min de leitura

Pesquisa revela pior avaliação de Lula em gastos e inflação

Ipsos-Ipec mostra avaliação negativa do governo Lula em todas as 9 áreas pesquisadas, com piores notas em gastos públicos e inflação.

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TL;DR · 4 min de leitura

Ipsos-Ipec mostra avaliação negativa do governo Lula em todas as 9 áreas pesquisadas, com piores notas em gastos públicos e inflação.

Pesquisa da Ipsos-Ipec divulgada em março de 2026 revela que 51% dos brasileiros avaliam como ruim ou péssima a atuação do governo Lula no controle de gastos públicos. No combate à inflação, o índice negativo alcança 50%. Na segurança pública, 49% reprovam a gestão. Em todas as nove áreas examinadas, a percepção negativa supera a positiva, segundo o G1.

Os números consolidam uma tendência que se aprofundou ao longo de 2025. Em fevereiro daquele ano, o Datafolha registrou aprovação de apenas 24% para o presidente, queda de 11 pontos percentuais em dois meses, o pior índice dos três mandatos. A CNN Brasil identificou cinco fatores centrais: inflação dos alimentos, desvalorização do real, comunicação ineficaz, ausência de marcas de governo e falta de uma estrutura de aconselhamento eficaz dentro do Planalto.

O raio-x das reprovações

A inflação dos alimentos em 2024 chegou a 7,69%, ante 4,83% do IPCA oficial medido pelo IBGE. O dólar bateu R$ 6,20 em dezembro daquele ano. Mesmo após a estabilização em torno de R$ 5,70, a incerteza cambial não desapareceu. Para a família que vai ao supermercado e para o empreendedor que importa insumos, esses números têm nome e endereço.

O dado mais revelador da pesquisa pode não ser o topo da lista negativa, mas o fundo positivo. Mesmo nas áreas onde o governo Lula 3 colhe os melhores resultados, educação (36% de aprovação) e combate à fome e à pobreza (35%), a avaliação favorável não passa de um terço dos entrevistados. Não existe área em que o governo tenha maioria positiva. O problema, portanto, não é setorial: é de percepção geral sobre como o país está sendo conduzido.

A imagem além-fronteiras

O desgaste interno tem correspondência no exterior. A The Economist, publicada em junho de 2025 e relatada pela BBC, qualificou Lula como “incoerente no exterior” e “impopular em casa”. O texto aponta que o Brasil se isolou de democracias ocidentais ao condenar, pelo Itamaraty, os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, posição oposta à adotada por aliados tradicionais.

A participação em um Brics dominado pela agenda de China e Rússia torna o Brasil, na avaliação da publicação britânica, crescentemente hostil ao Ocidente. Para o setor produtivo brasileiro, esse posicionamento tem custo concreto: incerteza para acordos comerciais, sinal de risco para capital estrangeiro e afastamento dos foros onde se definem regras de comércio e investimento.

O que os números significam para quem trabalha e paga impostos

A queda na popularidade do governo Lula 2025 não é somente dado eleitoral. Ela traduz o que contribuintes, empreendedores e consumidores experimentam cotidianamente. Historicamente, governos que perdem credibilidade fiscal na metade do mandato precisam de reformas estruturais visíveis para estancar a sangria. O governo aposta em viagens e anúncios de obras, mas analistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que falta ao Planalto uma estrutura capaz de, quando necessário, contrariar o presidente antes que declarações se transformem em crise de imagem.

Há ainda a questão do Supremo Tribunal Federal, que decide entre 22 e 29 de maio o alcance da Lei Ficha Limpa e o futuro político de figuras como Eduardo Cunha e Anthony Garotinho, conforme reportou o R7. O resultado pode redesenhar o mapa da oposição às vésperas de 2026, com reflexos diretos sobre quem disputará o voto do eleitor insatisfeito com a economia.

A pergunta que o governo ainda não respondeu

Com aprovação econômica no pior patamar do mandato e 2026 no horizonte, o governo Lula precisa apresentar ao país uma resposta concreta: qual medida, em qual prazo, vai reverter a percepção de que os gastos estão fora de controle e a inflação corrói o poder de compra? As pesquisas não mostram esse caminho. O eleitor, aparentemente, também não vê.

Perguntas frequentes

Por que o governo Lula tem tão baixa aprovação na economia?

A pesquisa Ipsos-Ipec mostra que 51% dos brasileiros reprovam a gestão dos gastos públicos e 50% desaprovam o combate à inflação. O aumento nos preços dos alimentos, o câmbio volátil e a percepção de irresponsabilidade fiscal são os principais fatores citados pelos entrevistados.

Qual foi a pior aprovação de Lula no Datafolha?

Em fevereiro de 2025, o Datafolha registrou 24% de aprovação para o presidente, queda de 11 pontos em dois meses. Foi o pior índice dos três mandatos presidenciais de Lula.

O governo Lula vai recuperar sua avaliação antes das eleições de 2026?

Analistas consideram improvável uma recuperação significativa sem reformas fiscais estruturais visíveis. A aposta do governo em obras e viagens tem impacto limitado sobre a percepção econômica, segundo especialistas consultados pela CNN Brasil.

Como a política externa prejudica a imagem do governo Lula?

O alinhamento com o Brics, Irã e China, em detrimento de parceiros ocidentais, gera incerteza para investidores e dificulta acordos comerciais, afetando indiretamente a economia doméstica e a credibilidade internacional do Brasil.

Fontes
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao/
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
  • noticias.r7.com — https://noticias.r7.com/prisma/r7-planalto/cunha-garotinho-e-arruda-em-2026-stf-vai-bater-martelo-a-futuro-politico-por-lei-da-ficha-limpa-15052026/

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