Minas Gerais divide PT e PL a cinco meses do primeiro turno
Desde 1989, quem vence MG vence a eleição presidencial. PT pressiona Pacheco e PL segue sem candidato definido, com o primeiro turno em outubro.
Desde 1989, quem vence MG vence a eleição presidencial. PT pressiona Pacheco e PL segue sem candidato definido, com o primeiro turno em outubro.
Minas Gerais decidiu todas as eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização. Em 2022, a margem foi de menos de 50 mil votos num universo de 16 milhões de eleitores: 50,2% para Lula contra 49,8% para Bolsonaro. Esse número resume por que o segundo maior colégio eleitoral do país concentra tanto esforço político a cinco meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Aliados do presidente Lula trabalham para convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a disputar o governo de Minas. A pressão reflete uma realidade que o Palácio do Planalto prefere não admitir: o governo Lula 3 enfrenta avaliação negativa crescente e precisa de um candidato competitivo no estado para sustentar qualquer palanque presidencial. Segundo pesquisa Quaest de março de 2026, 46% dos brasileiros enxergam piora na economia e 43% reprovam a condução do presidente.
O próprio Lula reconheceu o problema em março, ao afirmar que ‘a situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade não é’. A declaração, feita num evento de pré-candidatura de Haddad em São Paulo, viralizou como síntese do descompasso entre o discurso oficial e o dia a dia dos brasileiros, pressionados pelo preço dos combustíveis e pela inflação de alimentos que fechou 2024 em 7,69%.
O campo adversário
Do lado da oposição, o cenário também está longe de definido. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera as pesquisas em Minas Gerais, mas ainda não confirmou a candidatura. Ele se apresenta como independente, embora seja apoiador declarado de Jair Bolsonaro e atribua ao ex-presidente parte decisiva de sua eleição ao Senado em 2022.
Nesta terça-feira, o PL realizou em Brasília uma reunião para avaliar os cenários mineiros. Participaram Flávio Bolsonaro, o presidente da legenda Valdemar Costa Neto, os deputados Nikolas Ferreira, Zé Vitor e Domingos Sávio, além do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. Até o fechamento desta matéria, o partido não havia definido quem representará o campo bolsonarista no estado, segundo o G1.
O desgaste que pesa nos bastidores
O governo Lula tenta administrar o desgaste em várias frentes ao mesmo tempo. A CNN Brasil documentou queda de 11 pontos percentuais na aprovação presidencial em dois meses, com Lula atingindo 24% no Datafolha em fevereiro de 2025. Os fatores mapeados incluíam inflação alimentar acima de 7%, alta do dólar, comunicação falha e ausência de uma estrutura interna capaz de contrapor o presidente quando necessário.
No Congresso, após uma semana de derrotas seguidas, aliados do governo apostaram no caso Banco Master como munição para vincular o senador Ciro Nogueira a Flávio Bolsonaro e transferir desgaste ao campo bolsonarista, conforme relatou a Jovem Pan. A tática revela o tom da disputa: antes mesmo do início formal das campanhas, o governo já opera em modo eleitoral.
A dimensão do problema extravasa as fronteiras. A revista britânica The Economist, conforme repercutiu a BBC, descreveu Lula como ‘incoerente no exterior e impopular em casa’, criticando especialmente a postura do Brasil nos Brics e o distanciamento dos Estados Unidos. A narrativa chegou ao repertório da oposição e reforça o argumento de que o isolamento diplomático tem custo eleitoral.
Minas como termômetro
Mineiros não votam errado. O ditado é folclore, mas o dado é real: nenhum presidente foi eleito desde 1989 sem vencer em Minas Gerais. A indefinição atual, com cinco meses de antecedência, indica que nenhum dos lados está confiante em seu próprio candidato.
Para o PT, convencer Pacheco é mais do que uma jogada tática. É uma tentativa de compensar, com força local, a popularidade federal em declínio. Para o PL, definir o nome antes que Cleitinho decline ou aceite é essencial para não desperdiçar meses de campanha. As coligações precisam estar formalizadas em setembro.
O que acontecer nos próximos dias revelará qual dos dois campos tem maior poder de articulação, e com isso, quem chega mais forte ao primeiro turno de outubro.
Perguntas frequentes
Rodrigo Pacheco vai ser candidato ao governo de Minas Gerais em 2026? Até o momento, Pacheco não confirmou a candidatura. Aliados do PT trabalham para convencê-lo, mas o senador ainda não se pronunciou publicamente.
Quem lidera as pesquisas para governador de Minas Gerais em 2026? O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece na frente nas pesquisas, mas também não confirmou se disputará o cargo.
Qual é a data do primeiro turno das eleições em 2026? O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. O segundo turno, se necessário, ocorre em 25 de outubro.
Por que Minas Gerais é tão decisivo nas eleições presidenciais? Desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 16 milhões de eleitores em disputa em 2022.
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/05/12/mg-candidatos-pt-pl-cenario-indefinido.ghtml
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao/
- bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
- jovempan.com.br — https://jovempan.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/bruno-pinheiro/banco-master-vira-municao-do-governo-contra-oposicao-no-congresso.html
- site.oatibaiense.com.br — https://site.oatibaiense.com.br/2026/05/eleicoes-2026-outubro-tem-datas-do-1o-e-do-2o-turnos-definidas-pela-constituicao/