Lula enfrenta críticas por risco de recessão e falta de medidas fiscais
Críticas ao governo Lula aumentam com alta de dólar, Selic e inflação; pacote de cortes de gastos é adiado, alimentando risco de recessão e desconfiança do mercado.
Críticas ao governo Lula aumentam com alta de dólar, Selic e inflação; pacote de cortes de gastos é adiado, alimentando risco de recessão e desconfiança do mercado.
O dólar fechou a semana em R$5,38, a taxa Selic manteve-se em 13,75% ao ano e a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 5,9%. Esses números, divulgados pelo Banco Central nesta segunda‑feira, colocam o Brasil em um cenário de alta pressão inflacionária e de juros, exatamente quando o mercado espera ajustes fiscais que ainda não foram apresentados.
A expectativa de um crescimento moderado tem sido ofuscada pela falta de um plano concreto de contenção de gastos. Na última terça‑feira, o governo anunciou um pacote de cortes que deveria ser votado ainda este ano, mas a votação foi postergada para o próximo calendário eleitoral, reduzindo drasticamente as chances de aprovação. O adiamento gerou reação negativa nas bolsas, que recuaram 1,3% em média, e aumentou o custo de captação de crédito para empresas.
Segundo análise do Investidor Sardinha, a economia permanece aquecida, o que teoricamente abriria espaço para reformas fiscais. Contudo, a prioridade do Executivo parece estar na manutenção da popularidade, em vez de decisões impopulares, como a redução de subsídios ou a contenção de despesas correntes. A própria indicação de Lula para a presidência do Banco Central reforça a intenção de manter uma postura econômica alinhada ao governo, sem abrir mão de políticas de estímulo que podem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
A percepção da população, porém, diverge dos indicadores oficiais. Em discurso no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, Lula afirmou que a situação econômica é boa, mas que a sociedade ainda não percebe isso. Dados da pesquisa Quaest, divulgada em 10 de março, mostram que 46% dos brasileiros acreditam que a economia está pior e 43% avaliam negativamente a condução do presidente. O aumento do preço dos combustíveis, impulsionado pela guerra no Irã e pela alta do petróleo, tem sido apontado como um dos principais fatores de desgaste.
O governo tentou conter a alta dos combustíveis com subsídios e propostas de redução de impostos, mas a resistência dos estados em abrir mão de parte do ICMS tem limitado a efetividade das medidas. Na mesma ocasião, Lula acusou distribuidoras de praticar “falsa inflação”, ao elevar preços de álcool e etanol sem relação direta com o conflito no Oriente Médio.
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido palco de decisões que podem impactar as contas públicas. O ministro Flávio Dino pediu vista ao julgamento sobre a constitucionalidade da lei de 2012 que redistribui royalties do petróleo, medida que, se mantida, pode reduzir em até R$ 26 bilhões a receita do estado do Rio de Janeiro, maior produtor nacional. A ministra Cármen Lúcia, porém, votou pela manutenção da liminar de 2013, argumentando que a Constituição já estabelece um sistema de equilíbrio federativo que favorece a União e os estados produtores.
A mesma corte decidiu, ainda nesta quinta‑feira, manter a prisão preventiva do deputado estadual do Rio, Thiago Rangel (Avante), e impedir que a Assembleia Legislativa revogue a medida. O relator Alexandre de Moraes destacou que a imunidade parlamentar não pode ser usada como escudo para crimes comuns, reforçando a necessidade de combate à corrupção institucional.
Esses episódios revelam um padrão de instabilidade institucional que aumenta a incerteza para investidores. A combinação de alta de juros, dólar forte, inflação persistente e a ausência de um plano fiscal robusto cria um ambiente propício para uma desaceleração econômica, que pode se transformar em recessão caso o governo não apresente medidas corretivas.
O risco de recessão não é apenas teórico. O FMI projeta que o PIB brasileiro pode recuar 0,4% em 2026 se a política fiscal permanecer frouxa. Para empresários, a mensagem é clara: a falta de disciplina fiscal eleva o custo de capital e reduz a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
O que vem pela frente dependerá da capacidade do governo de equilibrar a necessidade de popularidade com a urgência de ajustes fiscais. A próxima votação do pacote de cortes, prevista para o final do ano, será um teste decisivo para a credibilidade do Executivo perante investidores e eleitores.
FAQ
- Por que o dólar está tão alto? – A alta reflete a combinação de juros elevados no Brasil, expectativa de inflação e fluxo de capitais para moedas consideradas mais seguras.
- O que impede o governo de cortar gastos agora? – O governo tem evitado medidas impopulares que possam reduzir sua já baixa aprovação nas pesquisas.
- Como a decisão do STF sobre royalties afeta a economia? – Mantendo a distribuição atual, o governo federal garante maior arrecadação, mas reduz a receita dos estados produtores, como o Rio de Janeiro.
- Qual a chance de recessão em 2026? – Analistas do FMI apontam risco moderado, com possibilidade de retração do PIB se não houver ajuste fiscal.
- O que a população pode esperar em termos de preço de combustíveis? – Enquanto a guerra no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo, a falta de consenso entre União e estados sobre ICMS limita a eficácia de subsídios.
- investidorsardinha.r7.com — https://investidorsardinha.r7.com/opiniao/lula-esta-destruindo-a-economia-brasileira/
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/07/stf-julgamento-distribuicao-royalties-de-petroleo.ghtml
- valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/05/07/primeira-turma-do-stf-tem-maioria-para-manter-deputado-preso-e-dispensar-aval-da-alerj.ghtml
- correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/05/7414327-stf-forma-maioria-para-manter-prisao-de-deputado-e-veta-revisao-pela-alerj.html