Pesquisa reprova governo Lula nas 9 áreas; gastos lideram rejeição
Pesquisa Ipsos-Ipec de março de 2026 mostra rejeição ao governo Lula em todas as nove frentes avaliadas, com pior nota no controle de gastos públicos.
Pesquisa Ipsos-Ipec de março de 2026 mostra rejeição ao governo Lula em todas as nove frentes avaliadas, com pior nota no controle de gastos públicos.
Uma pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em 11 de março trouxe um retrato sem ambiguidade do governo Lula: a rejeição supera a aprovação nas nove áreas testadas, sem exceção. O pior desempenho ficou no controle de gastos públicos, reprovado por 51% dos entrevistados como ruim ou péssimo.
Logo atrás, 50% reprovam a gestão do combate à inflação. Na segurança pública, tema central em qualquer debate eleitoral, o índice de rejeição chega a 49%, enquanto apenas um quarto dos brasileiros avalia o desempenho nessa área como ótimo ou bom, segundo dados compilados pelo G1.
O resultado chama atenção não apenas pelos números isolados, mas pela consistência. Nem educação, onde o governo colhe sua melhor marca relativa com 36% de aprovação, nem combate à fome e à pobreza, com 35%, escaparam da rejeição majoritária. Todas as nove frentes fecharam no vermelho.
A distância entre discurso e percepção
Em 19 de março, num ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o presidente Lula tentou nomear o paradoxo. “A situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”, disse, conforme registrou o InfoMoney. A declaração gerou repercussão porque inverte o problema: não seria a economia que precisa mudar, mas a sociedade que precisaria entender melhor.
Essa tese colide com outros números. A pesquisa Quaest de 10 de março registrou que 46% dos brasileiros veem piora econômica e 43% avaliam negativamente a condução do governo. Percepção ruim nessa escala, sustentada ao longo de meses, não se dissolve com discurso.
Parte do desgaste tem origem concreta. O preço dos combustíveis subiu em razão do conflito no Irã, e o governo federal não conseguiu conter o repasse ao consumidor. Propôs subsídios, mas esbarrou na resistência dos estados, que relutam em abrir mão de receita de ICMS. Lula ainda atribuiu parte do aumento do etanol a especulação de distribuidoras, mas a explicação chegou mais às manchetes do que às bombas de gasolina, segundo apurou o InfoMoney.
O nó fiscal do terceiro mandato
Controle de gastos, o item mais reprovado da pesquisa, não é novidade como ponto fraco do governo Lula 3. Em análise publicada pelo Jornal Opção, a posição do ministro Haddad foi descrita como equilíbrio precário: a missão real nunca foi zerar o crescimento das despesas, mas tentar que o gasto público não ultrapassasse em muito as metas estabelecidas. Contenção, não corte.
Esse arranjo explica, ao menos em parte, a percepção que a pesquisa captou. O governo chegou ao terceiro ano com crescimento do PIB e mercado de trabalho aquecido, mas o cidadão mede a economia no supermercado e no posto de gasolina. Quando esses dois termômetros sobem sem parar, os indicadores macroeconômicos perdem o poder de persuasão.
A combinação entre as duas piores notas, gastos e inflação, não é coincidência. Expansão fiscal sustentada pressiona a dívida pública, eleva os juros e, em cascata, dificulta o controle de preços. A população percebe o resultado antes de compreender a cadeia causal, e o que a pesquisa registrou foi exatamente isso: o efeito chegou antes da explicação.
O que vem pela frente
Com o calendário eleitoral de 2026 se desenhando, pesquisas como a Ipsos-Ipec deixam de ser apenas termômetros de governo e se tornam mapas de campanha. Reverter 51% de rejeição no item fiscal sem mudança estrutural nos gastos é uma equação que o Ministério da Fazenda ainda não resolveu, e o tempo para tentar está ficando curto.
Perguntas frequentes
O que a pesquisa Ipsos-Ipec avaliou no governo Lula?
A pesquisa, divulgada em março de 2026, testou a aprovação do governo em nove áreas distintas. Em todas elas, a avaliação negativa superou a positiva. Controle de gastos e combate à inflação registraram os piores índices, com 51% e 50% de rejeição, respectivamente.
Por que controle de gastos lidera a rejeição?
Cinquenta e um por cento classificaram a atuação do governo como ruim ou péssima nessa área. O tema reflete uma tensão estrutural do terceiro mandato: o governo precisa sustentar gastos para manter sua base política, mas essa expansão pressiona os juros e deteriora a percepção econômica da população.
O que Lula disse sobre os índices de reprovação?
Em março de 2026, afirmou que a situação econômica é boa, mas que a percepção da sociedade “ainda não é boa”. A declaração foi feita durante ato de pré-candidatura do ministro Haddad ao governo de São Paulo, e gerou debate sobre se o problema é de política econômica ou de comunicação.
A segurança pública também foi mal avaliada?
Sim. Quarenta e nove por cento dos entrevistados reprovam a gestão da segurança pública, apontada como uma das principais preocupações dos brasileiros. Apenas 25% a avaliaram como ótima ou boa, e 23% como regular.
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
- jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
- valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/05/04/associao-pede-inelegibilidade-de-flvio-bolsonaro-aps-culto-com-malafaia.ghtml
- istoe.com.br — https://istoe.com.br/acao-pede-inelegibilidade
- veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/brasil/acao-mira-flavio-bolsonaro-e-silas-por-propaganda-eleitoral-antecipada/