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Rombo fiscal bate recorde histórico e ultrapassa R$ 1,2 trilhão

Banco Central confirma rombo fiscal de R$ 1,218 trilhão nos 12 meses até março de 2026, maior da série histórica, com dívida bruta em 80,1% do PIB.

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TL;DR · 4 min de leitura

Banco Central confirma rombo fiscal de R$ 1,218 trilhão nos 12 meses até março de 2026, maior da série histórica, com dívida bruta em 80,1% do PIB.

O setor público brasileiro encerrou março com um déficit nominal acumulado de R$ 1,218 trilhão nos últimos 12 meses. Os dados foram divulgados pelo Banco Central na quinta-feira (30 de abril) e reportados pelo Poder360. É o maior rombo fiscal da série histórica, iniciada em 2002.

Não se trata de episódio isolado. O rombo ficou acima de R$ 1 trilhão por sete meses seguidos e cresceu pelo nono mês consecutivo. Dois fatores explicam o resultado: os gastos com juros da dívida, que chegaram a R$ 1,080 trilhão em março, também recorde histórico, e o saldo primário deficitário, que saltou de R$ 52,8 bilhões em fevereiro para R$ 137,1 bilhões no acumulado de 12 meses.

Só em março, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 80,7 bilhões, segundo o Banda B. O teto das projeções do mercado era de R$ 75,4 bilhões, com média de R$ 67,8 bilhões. O resultado final ficou quase 20% acima dessa estimativa central.

A dívida em perspectiva

A dívida pública bruta chegou a 80,1% do Produto Interno Bruto em março, ante 79,2% em fevereiro, totalizando cerca de R$ 10,356 trilhões. O patamar remete ao período mais crítico da pandemia de covid-19: em dezembro de 2020, a dívida bruta atingiu 87,6% do PIB, pressionada por gastos emergenciais. O governo Lula 3 se aproxima desse nível sem a justificativa de uma crise sanitária global.

Grande parte do encarecimento da dívida está atrelada à taxa Selic, ainda em patamar restritivo. O Comitê de Política Monetária reduziu o juro básico em 0,25 ponto percentual no fim de abril, mas o nível atual mantém o custo do serviço da dívida elevado. Juros altos e déficit primário crescente formam um ciclo difícil de romper sem ajuste pelo lado das despesas.

O governo fora das projeções

O governo central concentrou o maior pedaço do rombo de março, com déficit primário de R$ 74,8 bilhões. Estados e municípios somaram outros R$ 5,4 bilhões, e as estatais ficaram no vermelho em R$ 469 milhões. Nenhum dos três níveis de governo fechou o mês no azul, e o conjunto coloca em xeque o arcabouço fiscal aprovado em 2023, que prometia estabilizar a trajetória da dívida.

Enquanto os dados chegavam ao público, o presidente Lula reafirmou, em março, que a situação econômica é boa, mas que “a percepção da sociedade ainda não é boa”, de acordo com a InfoMoney. A frase condensa o dilema do governo Lula 3: a narrativa oficial diverge da experiência de quem paga impostos, enfrenta crédito caro e acompanha o valor do dólar resistindo a patamares que o próprio governo reconhece como problemáticos.

O que os números significam para quem produz

Déficits persistentes não ficam no abstrato. Eles alimentam pressão inflacionária, mantêm os juros elevados e reduzem o espaço para investimentos produtivos. Quando o governo gasta mais do que arrecada de forma estrutural, o ajuste vem por alguma via: mais carga tributária, mais inflação ou menos serviços. Para empreendedores e assalariados que já operam no limite da tributação, a conta chega pelo custo do crédito e pela incerteza sobre o ambiente de negócios.

A CNN Brasil registrou, em fevereiro de 2025, que a aprovação presidencial caiu a 24% no Datafolha, combinando inflação de alimentos, câmbio alto e percepção de piora no custo de vida. Os dados fiscais de março indicam que essa trajetória não foi revertida. Segundo o O Globo, o governo acumula derrotas no Congresso e enfrenta fragilidade em ministérios-chave, o que estreita ainda mais a margem para medidas de contenção fiscal.

O que vem a seguir

O calendário eleitoral de 2026 empurra o Executivo na direção contrária ao ajuste. Reduzir gastos ou elevar impostos em ano de eleição tem custo político alto, e a sinalização recente do governo não aponta para cortes estruturais. A pergunta que o mercado e os contribuintes colocam é direta: até onde a dívida pode crescer antes que o custo do seu financiamento torne o ajuste inevitável?

Perguntas frequentes

O que é o déficit nominal e por que difere do resultado primário?

O déficit nominal inclui os gastos com juros da dívida pública. O resultado primário considera apenas receitas e despesas correntes, excluindo esses encargos financeiros. Em março de 2026, os gastos anualizados com juros chegaram a R$ 1,080 trilhão, o maior valor da série histórica.

Como o rombo fiscal afeta o valor do dólar e a inflação?

Déficits elevados aumentam a percepção de risco do país e pressionam a taxa de câmbio. Dólar mais alto encarece importações e alimenta a inflação, que por sua vez exige juros mais altos, agravando o custo da própria dívida num ciclo de difícil interrupção.

O Brasil pode chegar a uma crise fiscal grave?

A dívida bruta está em 80,1% do PIB, abaixo do pico de 87,6% registrado em dezembro de 2020. Mas a trajetória é de alta contínua e sem o contexto emergencial que justificou o gasto pandêmico. Até quando o mercado aceita financiar essa expansão é uma questão em aberto.

O arcabouço fiscal está funcionando?

O mecanismo aprovado em 2023 prometia estabilizar a dívida limitando o crescimento das despesas à variação da receita. O déficit primário acumulado em 12 meses triplicou entre fevereiro e março de 2026, de R$ 52,8 bilhões para R$ 137,1 bilhões, levantando dúvidas sobre a efetividade real do arcabouço no médio prazo.

Fontes
  • poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-economia/rombo-fiscal-anualizado-supera-r-12-trilhao-o-maior-da-historia/
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao/
  • bandab.com.br — https://www.bandab.com.br/economia/divida-publica-bruta-do-brasil-sobe-em-marco-e-vai-a-801-do-pib/
  • cartacapital.com.br — https://www.cartacapital.com.br/politica/malafaia-acena-apoio-a-candidatura-de-flavio-bolsonaro-em-culto-no-rio/
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/04/derrotas-expoem-fragilidade-de-ministros-chave-enquanto-avanco-da-oposicao-pressiona-lula.ghtml

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