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Brasilia 4 min de leitura

Deficit nominal bate recorde e supera R$ 1,2 trilhão em 12 meses

Saldo negativo das contas públicas sobe 28,4% em um ano e atinge R$ 1,218 trilhão, maior valor da série histórica, impulsionado por juros e precatórios.

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TL;DR · 4 min de leitura

Saldo negativo das contas públicas sobe 28,4% em um ano e atinge R$ 1,218 trilhão, maior valor da série histórica, impulsionado por juros e precatórios.

O deficit nominal acumulado em 12 meses nas contas públicas atingiu R$ 1,218 trilhão em março, o maior da série histórica iniciada em 2002. O saldo negativo cresceu 28,4% em um ano e voltou ao patamar registrado durante a pandemia de covid-19, conforme dados divulgados pelo Banco Central na última quinta-feira.

Pelo sétimo mês seguido, o setor público consolidado fechou com deficit nominal acima de R$ 1 trilhão. O saldo negativo cresceu pelo nono mês consecutivo.

Os dois motores do rombo

Dois fatores combinados explicam a deterioração. O custo da dívida pública somou R$ 1,080 trilhão em juros no acumulado de 12 meses até março, também recorde histórico, segundo o Poder360. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual na última quarta-feira, mas o juro permanece em patamar considerado alto e restritivo para a atividade econômica.

O resultado primário, que exclui os juros, também piorou. O saldo negativo saltou de R$ 52,8 bilhões em fevereiro para R$ 137,1 bilhões no acumulado de 12 meses até março. Só em março, o governo central registrou rombo primário de R$ 74,8 bilhões, e governos regionais acrescentaram outros R$ 5,4 bilhões.

O pior março desde 1997

Em março, o governo central antecipou o pagamento de precatórios, dívidas da União reconhecidas por sentença judicial, concentrando despesas que em 2025 foram distribuídas ao longo do ano. O resultado foi um deficit primário de R$ 73,783 bilhões no mês, o pior para março desde 1997, segundo o Diário Digital. Em março de 2025, havia superávit de R$ 1,527 bilhão.

As despesas totais chegaram a R$ 269,881 bilhões, alta de 49,2% acima da inflação frente ao mesmo mês de 2025. A receita líquida cresceu apenas 7,5% acima da inflação. O desequilíbrio entre gasto e arrecadação resume o problema estrutural das contas públicas brasileiras.

O que os números revelam

O efeito calendário dos precatórios explica parte do resultado de março, mas o deficit primário acumulado em 12 meses mais que dobrou entre fevereiro e março. Esse ritmo de deterioração vai além de um ajuste de calendário.

Para o contribuinte e o empreendedor, o rombo de R$ 1,2 trilhão tem consequências diretas: dívida pública elevada pressiona os juros, encarece o crédito e restringe o espaço para investimento. O ciclo é cumulativo. Mais dívida gera mais juros, que produzem mais deficit, que demandam mais endividamento.

O governo Lula enfrenta pressão dupla. Em março, o presidente declarou que “a situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”, durante evento no ABC paulista, conforme a InfoMoney. Uma pesquisa Quaest de março indicou que 46% dos brasileiros enxergam piora na economia e 43% avaliam negativamente a condução econômica do governo.

O Congresso e as margens estreitas

A deterioração das finanças públicas coincide com o pior momento político do governo Lula 3. A sete meses do fim do mandato, o presidente acumula derrota na indicação de Jorge Messias ao STF e derrubada de veto sobre dosimetria de penas, conforme O Globo. Aliados descrevem o momento como o mais difícil da relação com o Legislativo. Em ano eleitoral, contas deterioradas e base fragilizada significam menos recursos para distribuir e menos aliados para negociar pautas.

O caminho à frente

A Selic em queda alivia o custo da dívida à margem, mas não resolve o desequilíbrio primário. O governo precisará responder, nos próximos meses, se apresentará medidas concretas de contenção de gastos ou seguirá apostando que o crescimento da arrecadação compensa o rombo. Com o deficit nominal acima de R$ 1,2 trilhão e em alta pelo nono mês seguido, o ônus da prova recai sobre o Executivo.

Perguntas frequentes

O que é deficit nominal? É a diferença total entre o que o governo gasta e o que arrecada, incluindo o pagamento de juros da dívida pública. Quanto maior esse número, mais o país se endivida, o que pressiona juros e encarece o crédito para empresas e famílias.

Por que os precatórios elevaram o deficit em março de 2026? O governo antecipou para março pagamentos de precatórios que, em 2025, foram distribuídos ao longo do ano. A concentração dessas despesas em um único mês criou um pico que levou o deficit primário de março ao pior nível desde 1997.

A Selic em queda resolve o problema fiscal? Não diretamente. A queda da Selic reduz o custo dos juros, mas o deficit primário, de natureza estrutural, continua crescendo. Resolver o desequilíbrio exige corte de gastos correntes, não apenas redução de juros.

O que muda para o cidadão comum? Um deficit elevado aumenta a dívida pública, pressiona as taxas de juros e encarece financiamentos e empréstimos. Indiretamente, também limita os investimentos públicos e contribui para pressionar a inflação.

Fontes
  • poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-economia/rombo-fiscal-anualizado-supera-r-12-trilhao-o-maior-da-historia/
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • diariodigital.com.br — https://www.diariodigital.com.br/economia/com-precatorios-governo-tem-maior-deficit-para-meses-de-marco
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/derrotas-no-congresso-estremecem-base-de-lula-para-tentativa-de-reeleicao-e-testam-relacao-entre-poderes.ghtml
  • seculodiario.com.br — https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-alinha-16-pre-candidados-para-as-chapas-eleitorais-de-2026/

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