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Déficit nominal chega a 9,41% do PIB e empurra dívida a 80%

Déficit nominal do Brasil atinge 9,41% do PIB em março de 2026, bem acima da média dos emergentes, enquanto a dívida bruta caminha para 83% do PIB até o fim do ano.

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TL;DR · 4 min de leitura

Déficit nominal do Brasil atinge 9,41% do PIB em março de 2026, bem acima da média dos emergentes, enquanto a dívida bruta caminha para 83% do PIB até o fim do ano.

O Brasil gastou R$ 1,217 trilhão a mais do que arrecadou nos 12 meses encerrados em março. Esse rombo nominal equivale a 9,41% do Produto Interno Bruto, e só ficou abaixo de dois dígitos por um acidente de câmbio.

Com o dólar oscilando em torno de R$ 5, o Banco Central acumulou R$ 97,2 bilhões em ganhos contábeis com contratos de swap cambial no período, o equivalente a 0,75% do PIB. Sem esse colchão, o déficit nominal teria chegado a 10,16%, segundo cálculo do economista-chefe da Tullett Prebon publicado pelo Valor Econômico. Em 2025 inteiro, esse buraco havia ficado em 8,34% do PIB.

Para efeito de comparação, o FMI estima que a média dos países emergentes feche 2026 com déficit nominal em torno de 6% do PIB. O Brasil já está 57% acima dessa marca, e em trajetória ascendente.

A anatomia do rombo

O déficit nominal combina dois componentes: o resultado primário, que mede receitas menos despesas sem juros, e os gastos financeiros com a dívida já acumulada. Nos 12 meses até março, os juros consumiram R$ 1,080 trilhão, ou 8,35% do PIB. Somou-se a isso um déficit primário de R$ 137,1 bilhões (1,06% do PIB), que piorou 0,65 ponto percentual em relação ao acumulado até fevereiro, em parte pela concentração de pagamentos de precatórios em março, conforme reportou o Valor Econômico.

Esses dados abrangem o setor público consolidado: União, estados, municípios e estatais não financeiras, com exclusão da Petrobras.

A dívida bruta chegou a 80,1% do PIB em março e deve encerrar 2026 perto de 83%, segundo o Bradesco. Em dezembro de 2022, início do governo Lula 3, o endividamento estava em 71,7% do PIB. Serão mais de dez pontos percentuais acumulados em quatro anos, um ritmo que poucas economias emergentes sustentam sem enfrentar deterioração na confiança dos credores.

O que o governo diz, e o que os dados mostram

Em março, o presidente afirmou que “a situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”, durante ato de pré-candidatura em São Bernardo do Campo, segundo a InfoMoney. O Planalto apoia esse diagnóstico em indicadores de emprego e crescimento do PIB. Eles, porém, não aparecem nas contas do Tesouro.

Pesquisa Datafolha de fevereiro de 2025 registrou aprovação de 24% para Lula, o pior nível em três mandatos, conforme a CNN Brasil. Uma Quaest de março mostrou que 46% dos brasileiros percebem piora na economia, quadro agravado por uma inflação de alimentos de 7,69% em 2024, quase três pontos acima do IPCA cheio. Percepção não é destino, mas raramente mente sobre tendência.

O ciclo que se retroalimenta

O déficit nominal é o termômetro mais honesto da saúde fiscal porque captura a fatura completa: despesas correntes, investimentos e, sobretudo, o custo de carregar a dívida já acumulada. Quando esse indicador sobe ano após ano, de 8,34% em 2025 para 9,41% em março de 2026, revela que o serviço da dívida cresce mais rápido do que qualquer ajuste primário consegue compensar. É um ciclo que se retroalimenta: mais dívida exige mais juros, mais juros ampliam o déficit, mais déficit gera mais dívida.

Acima de 80% do PIB, o endividamento bruto entra em território onde choques moderados, como alta de juros externos ou desaceleração do crescimento, podem exigir correções abruptas no lugar de ajustes graduais. O real valorizado que hoje mascara parte do rombo não é uma garantia permanente.

O ano eleitoral de 2026 raramente favorece cortes de despesa. O governo precisará explicar, nos próximos meses, como pretende estabilizar uma dívida que cresce a mais de dois pontos percentuais do PIB por ano sem ampliar uma carga tributária que já pressiona o setor produtivo. Enquanto isso, o câmbio ajuda a adiar a conta, mas não a quitá-la.

FAQ

O que é déficit nominal e por que é diferente do déficit primário? O déficit primário mede receitas menos despesas sem contar os juros da dívida. O nominal soma esses encargos financeiros, revelando o custo fiscal total que o Estado impõe ao contribuinte.

Por que o câmbio reduziu o déficit nominal em 2026? O Banco Central possui contratos de swap cambial que geram lucro contábil quando o real se valoriza. Com o dólar abaixo de R$ 5, esses ganhos somaram R$ 97,2 bilhões, reduzindo o déficit em 0,75 ponto percentual do PIB. Se o câmbio se inverter, esse amortecedor desaparece.

Qual é a projeção para a dívida pública no fim de 2026? O Bradesco projeta dívida bruta de cerca de 83% do PIB até dezembro, ante 71,7% registrado quando o atual governo assumiu em 2022. São mais de dez pontos percentuais em quatro anos.

Como o Brasil se compara a outros países emergentes nesse indicador? O FMI estima déficit nominal médio dos emergentes em 6% do PIB em 2026. O Brasil já está em 9,41%, praticamente 60% acima dessa referência, o que sinaliza uma trajetória fiscal fora do padrão do grupo.

Fontes
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/05/01/dficit-nominal-se-aproxima-de-10-pontos-percentuais-do-pib-e-coloca-mais-presso-sobre-dvida-pblica.ghtml
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao/
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/blog/gerson-camarotti/post/2026/05/01/pacheco-sinaliza-a-aliados-que-esta-fora-das-disputas-para-o-stf-e-governo-de-minas-gerais.ghtml

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