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Governo Lula 3 terá o maior déficit fiscal médio da história

Déficit de R$ 80,7 bi em março e projeção de 8,54% do PIB consolidam o governo Lula 3 como o de maior rombo fiscal médio da história democrática do Brasil.

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TL;DR · 4 min de leitura

Déficit de R$ 80,7 bi em março e projeção de 8,54% do PIB consolidam o governo Lula 3 como o de maior rombo fiscal médio da história democrática do Brasil.

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira que o setor público consolidado encerrou março com déficit primário de R$ 80,676 bilhões, o pior resultado para o mês em quase três décadas de série histórica. Um ano atrás, o saldo do governo central era positivo em R$ 1,5 bilhão.

Esses dados, porém, não são um tropeço isolado. Segundo o Poder360, o governo Lula 3 caminha para fechar o mandato com déficit nominal médio de 8,54% do PIB, superando o recorde anterior de 8,48% registrado entre 2015 e 2018, sob Dilma Rousseff e Michel Temer. Nenhum mandato presidencial na história recente do país produziu rombo fiscal médio tão alto.

Para que a marca não se confirme, o setor público precisaria fechar 2026 com déficit nominal de no máximo 8,24% do PIB, o melhor resultado individual de todo o mandato atual. O mercado não projeta nada próximo disso.

O custo da dívida

Os gastos com juros da dívida atingem no governo Lula 3 uma média de 7,64% do PIB, também recorde histórico. Isso supera o primeiro mandato de Lula (2003-2006), até então o mais oneroso nesse quesito, com média de 7,25% do PIB.

Dentro do resultado de março, o GP1 aponta que a Previdência Social respondeu por R$ 49,2 bilhões do rombo, enquanto Tesouro e Banco Central somaram outros R$ 24,6 bilhões. O governo atribui parte do resultado à antecipação do pagamento de precatórios: R$ 34,9 bilhões desembolsados em março, despesas que em 2025 haviam sido concentradas em julho.

No acumulado do primeiro trimestre, o governo central fechou no vermelho em R$ 17,1 bilhões. No mesmo período do ano passado, o saldo era positivo em R$ 55 bilhões. Conforme o Valor Investe, o déficit primário acumulado em 12 meses até março chegou a 1,06% do PIB, ante 0,41% registrado até fevereiro.

Estatais e dívida

As empresas estatais federais registraram déficit de R$ 4,406 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mais do que o dobro do apurado no mesmo período do ano anterior, de acordo com o Valor Econômico. Os Correios lideram o sangramento, com déficit mensal de cerca de R$ 700 milhões e prejuízo total de R$ 8,5 bilhões em 2025.

A dívida pública bruta chegou a 80% do PIB em março, o maior patamar desde 2021. A meta do governo para 2026 é alcançar superávit primário de 0,5% do PIB, resultado positivo de ao menos R$ 36,6 bilhões ao longo do ano. Com o primeiro trimestre no vermelho, essa conta depende de arrecadação excepcional no segundo semestre.

O que os números revelam além do discurso

Em março, Lula afirmou que “a situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”. A frase contrasta com os dados da pesquisa Quaest do mesmo mês, citada pela InfoMoney, segundo a qual 46% dos brasileiros percebem piora na economia e 43% avaliam negativamente a condução econômica do governo.

Déficit elevado pressiona juros, encarece o crédito e deprecia o real. Cada ponto percentual a mais de dívida sobre o PIB eleva o prêmio de risco exigido por investidores e dificulta o próprio financiamento das despesas do Estado. Não é percepção: é mecânica fiscal.

O que vem a seguir

O Tesouro Nacional reconhece que a antecipação dos precatórios distorceu os resultados do início do ano. Para que o governo Lula 3 não feche o mandato com o maior rombo fiscal médio da história democrática do Brasil, será necessária arrecadação excepcionalmente forte no segundo semestre. O mercado observa. A conta recai sobre o contribuinte.

Perguntas frequentes

O que é déficit nominal e por que ele difere do déficit primário? O déficit primário mede o resultado das contas públicas sem incluir os juros da dívida; o déficit nominal os incorpora. Como o Brasil paga juros reais entre os mais altos do mundo, a diferença entre os dois indicadores é expressiva. É o déficit nominal que reflete o custo total para a sociedade.

Por que o pagamento de precatórios distorceu as contas de março? Em 2025, esses desembolsos foram concentrados em julho. Em 2026, foram antecipados para o início do ano, criando pressão pontual sobre o resultado de março. O governo afirma que o impacto será compensado ao longo do exercício fiscal.

Qual é a meta fiscal do governo Lula para 2026? O arcabouço fiscal prevê superávit primário de 0,5% do PIB, equivalente a resultado positivo de pelo menos R$ 36,6 bilhões. Com o primeiro trimestre no vermelho em R$ 17,1 bilhões, o desafio é considerável.

O que acontece se a dívida pública continuar subindo? Dívida em ascensão eleva o custo de financiamento do Estado e pressiona os juros da economia. O efeito prático para o cidadão: crédito mais caro, câmbio pressionado e menor capacidade de crescimento do país.

Fontes
  • poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-economia/3o-mandato-de-lula-tera-o-maior-rombo-fiscal-medio-da-historia/
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • gp1.com.br — https://www.gp1.com.br/brasil/noticia/2026/4/30/contas-do-governo-lula-registram-deficit-recorde-de-r-737-bilhoes-em-marco-621922.html
  • valorinveste.globo.com — https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2026/04/30/setor-publico-consolidado-tem-deficit-primario-de-r-80676-bilhoes-em-marco.ghtml
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/04/30/deficit-de-estatais-federais-mais-que-dobra-no-1o-trimestre-mostra-bc.ghtml
  • noticiases.com.br — https://noticiases.com.br/deficit-de-r-807-bilhoes-em-marco-eleva-divida-publica-a-80-do-pib-maior-em-5-anos/

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