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Veto à dosimetria vai a voto com derrota do Planalto à vista

Na quinta-feira, deputados e senadores decidem se derrubam o veto de Lula ao projeto que reduz penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro de 2023.

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TL;DR · 4 min de leitura

Na quinta-feira, deputados e senadores decidem se derrubam o veto de Lula ao projeto que reduz penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro de 2023.

O Congresso Nacional vota na quinta-feira, 30 de abril, se derruba ou mantém o veto do presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria. A proposta reduziria penas de condenados pelos atos do 8 de Janeiro e poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação a 27 anos e 3 meses em regime fechado por liderar tentativa de golpe de Estado. O veto foi integral, e a oposição chega à sessão conjunta com folga numérica.

A convocação foi feita pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, há duas semanas. Segundo Metrópoles, líderes da oposição contam com mais de 300 votos pela derrubada na Câmara, cifra acima dos 291 que aprovaram o texto original em dezembro de 2025. O próprio governo admite, em conversas reservadas, que o placar na câmara baixa está perdido.

A aposta do Planalto

Com a Câmara praticamente perdida, o Palácio do Planalto concentrou seus esforços no Senado. A lógica é aritmética: a derrubada de um veto exige maioria absoluta nas duas casas, ou seja, 257 deputados e 41 senadores. Segurar 20 senadores contrários à derrubada seria suficiente para manter o veto em vigor, independentemente do placar na outra casa.

Há, porém, um elemento que o governo quer usar a seu favor: o voto será secreto. Integrantes do centrão que defendem publicamente a pauta por pressão das redes sociais podem, na cabine, escolher diferente para não carregar o estigma de quem favoreceu os condenados pelos atos do 8 de Janeiro. A aposta governista é que o cálculo individual, longe dos holofotes, pese mais do que o discurso público.

A semana é tumultuada em mais de uma frente. Na quarta-feira (29), o Senado sabatina Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. De acordo com a Jovem Pan, o placar é incerto; o bloco Vanguarda, que reúne 18 senadores do PL, Novo e Avante, já fechou questão contra o nome do advogado-geral da União. O governo enfrenta dois testes de força em dias consecutivos.

O que os números dizem

O clima no Congresso não é separado do humor do eleitorado. Pesquisa Ipsos-Ipec reportada pelo G1 mostrou que 51% dos brasileiros avaliam negativamente o governo Lula no controle de gastos públicos e 50% fazem o mesmo no combate à inflação. Em todas as nove áreas pesquisadas, a percepção negativa supera a positiva.

Diante desse quadro, Lula afirmou em março que “a situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é”, conforme registrado pelo InfoMoney. A frase revela o dilema do governo Lula 2025: fundamentos macroeconômicos relativamente estáveis convivem com percepção generalizada de piora no custo de vida, agravada pela alta dos combustíveis associada ao conflito no Oriente Médio.

O que está em jogo além do mérito

A votação da dosimetria transcende o debate jurídico sobre proporcionalidade de penas. Ela funciona como medida da capacidade do governo de manter sua base legislativa coesa a menos de um ano das eleições gerais de 2026. Uma derrota com placar superior a 300 votos seria lida pelo mercado e pela oposição como sinal de um governo sem força para pautar o debate político.

Vale lembrar que o projeto foi aprovado originalmente em dezembro de 2025, num dos momentos mais tensos entre Lula e o Legislativo. O veto chegou ao Congresso com a relação já deteriorada. A diferença é que a eventual derrota de agora acontece em ano eleitoral, com cobertura intensa e narrativas em disputa sobre quem ganhou a primeira sessão conjunta de 2026.

A partir de quinta

Se o veto for derrubado, o texto retorna com força de lei. Os efeitos práticos sobre as penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro dependem de interpretação judicial caso a caso, e qualquer desdobramento envolvendo Bolsonaro ainda passaria pelo STF. O Planalto tem até quarta-feira para convencer senadores suficientes. O resultado dirá se a aposta no voto secreto foi capaz de segurar o que a maioria da Câmara parece ter decidido.

Perguntas frequentes

O que é o projeto de lei da dosimetria?

É uma proposta aprovada pelo Congresso em dezembro de 2025 que prevê redução de penas para quem foi condenado pelos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro de 2023. Lula vetou integralmente o texto, e agora a sessão conjunta decidirá se mantém ou derruba esse veto.

Como funciona a derrubada de um veto presidencial?

Exige maioria absoluta em sessão conjunta nas duas casas do Congresso: 257 votos na Câmara e 41 votos no Senado. Se qualquer uma das casas não atingir o quórum, o veto se mantém.

Por que o voto secreto importa nessa votação?

O voto secreto reduz a pressão pública sobre cada parlamentar. O governo Lula aposta que integrantes do centrão, que publicamente apoiam a dosimetria, podem votar diferente na cabine para evitar associação com a impunidade dos atos do 8 de Janeiro.

Se o veto cair, Bolsonaro sai da prisão?

Não automaticamente. A eventual redução de pena dependeria de análise judicial individualizada, e qualquer decisão envolvendo Bolsonaro passaria necessariamente pelo STF.

Fontes
  • metropoles.com — https://www.metropoles.com/brasil/dosimetria-volta-ao-congresso-com-derrota-iminente-do-planalto
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
  • jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • vermelho.org.br — https://vermelho.org.br/coluna/2026-entre-legados-discursos-e-projetos-de-pais/
  • jovempan.com.br — https://jovempan.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/bruno-pinheiro/oposicao-se-mobiliza-e-torna-sabatina-de-messias-a-maior-batalha-de-lula-no-congresso.html

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