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MS registra déficit de R$ 170 mi e lidera gasto com pessoal no país

Mato Grosso do Sul registrou déficit de R$ 170 milhões no 1º bimestre de 2026 e lidera comprometimento de receita com folha de pessoal entre todos os estados.

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TL;DR · 4 min de leitura

Mato Grosso do Sul registrou déficit de R$ 170 milhões no 1º bimestre de 2026 e lidera comprometimento de receita com folha de pessoal entre todos os estados.

Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro bimestre de 2026 com déficit de R$ 170 milhões, equivalente a 4% da Receita Corrente Líquida. Os dados, divulgados pelo Tesouro Nacional e reportados pelo Campo Grande News, mostram uma virada brusca em relação ao início de 2025, quando o estado exibia superávit de R$ 350 milhões no mesmo período.

O motor do desequilíbrio é a folha de pagamento. Ela consome 76% de toda a receita estadual, o maior percentual entre as 27 unidades da federação. Rio Grande do Norte aparece na sequência, com 66%, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 64%. Com quase oito em cada dez reais arrecadados comprometidos antes mesmo de se discutir investimento, o orçamento virou refém de uma despesa que cresce sozinha.

As despesas correntes saltaram 27% no período, o maior avanço do país. O Rio de Janeiro vem em segundo, com alta de 20%. Na ponta oposta, Roraima, Pará e Goiás conseguiram conter ou reduzir essas mesmas despesas, mostrando que a contenção é possível quando existe decisão política para isso.

A contradição do resultado primário

Há um número que parece contradizer o diagnóstico. Mato Grosso do Sul apresentou superávit primário de R$ 490 milhões no primeiro bimestre, equivalente a 12% da RCL, revertendo um déficit de R$ 280 milhões registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Esse indicador mede o equilíbrio das contas sem incluir o pagamento de juros da dívida, e sua melhora é real.

O problema é que esse dado positivo convive com despesas estruturais em expansão acelerada. O superávit primário foi obtido num período de arrecadação favorável, mas se as despesas correntes mantiverem a trajetória de alta de 27%, esse colchão se comprime ao longo do exercício.

O cenário nacional

MS não está sozinho nessa pressão. O Brasil registrou déficit de US$ 6 bilhões nas contas externas em março de 2026, mais que o dobro dos US$ 2,9 bilhões de março de 2025, conforme reportado pelo O Globo com base em dados do Banco Central. O rombo acumulado em 12 meses atingiu US$ 64,3 bilhões.

Nesse ambiente, o governo Lula 3 mantém uma postura que mistura diagnósticos otimistas com hesitação nas medidas concretas. Em março, o presidente afirmou que a situação econômica do país é boa, mas reconheceu que a percepção da sociedade não acompanha esse julgamento, segundo a InfoMoney. Pesquisa Quaest de 10 de março indicava que 46% dos brasileiros avaliavam negativamente a economia e 43% reprovavam a condução do governo.

A pressão sobre os estados se agrava ainda com a alta dos combustíveis, consequência da guerra no Oriente Médio. Governos estaduais resistem a renunciar receita de ICMS para aliviar o custo ao consumidor, o que torna qualquer corte orçamentário politicamente mais custoso.

O diagnóstico: estrutura, não conjuntura

O caso de MS revela um problema que não é novo nem exclusivo do estado. A folha de pessoal cresceu por décadas como instrumento de barganha política e hoje funciona como âncora que impede qualquer flexibilidade orçamentária real. Não se trata de superendividamento no sentido técnico, mas de algo igualmente paralisante: uma despesa rígida que devora a maior parte da receita antes que um único projeto de infraestrutura seja sequer debatido.

Análises de mercado já apontavam, como registrou o Investidor Sardinha, que o governo federal não apresentou medidas robustas de corte capazes de convencer investidores. O comportamento fiscal de estados como MS não é anomalia: é reflexo, em escala reduzida, da mesma cultura de expansão de gastos que o arcabouço fiscal federal não conseguiu deter.

O segundo trimestre será o verdadeiro teste

Se as despesas correntes mantiverem a alta de 27%, o superávit primário do primeiro bimestre não vai resistir ao restante do exercício. O estado precisa responder a uma pergunta que nenhum gestor público gosta de formular: como reduzir uma folha que já consome 76% da receita sem o respaldo político que esse tipo de decisão exige?

A resposta dificilmente virá antes das eleições de outubro.

Perguntas frequentes

Por que a folha de pessoal de MS consome 76% da receita? O percentual resulta de décadas de contratações e reajustes no funcionalismo que superaram o crescimento da arrecadação. Sem reforma administrativa ou revisão de benefícios, a proporção tende a se agravar com o tempo.

O que é Receita Corrente Líquida? É a soma das receitas do estado depois de deduzir transferências obrigatórias. Serve como parâmetro legal para medir limites de gasto com pessoal, dívida e investimento.

O superávit primário significa que as contas de MS estão equilibradas? Não necessariamente. O superávit primário exclui o pagamento de juros da dívida. O déficit orçamentário de R$ 170 milhões mostra que, no total, as despesas ainda superam as receitas no período.

Como o déficit externo do Brasil afeta os estados? Um déficit externo crescente pressiona o câmbio e a inflação, o que eleva o custo da dívida e corrói o poder de compra da receita estadual, especialmente em estados que dependem de commodities agrícolas para gerar tributos.

Fontes
  • campograndenews.com.br — https://www.campograndenews.com.br/economia/contas-de-ms-comecam-2026-sob-pressao-mas-resultado-primario-melhora
  • jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • istoedinheiro.com.br — https://istoedinheiro.com.br/lula-critica-mercado-por
  • investidorsardinha.r7.com — https://investidorsardinha.r7.com/opiniao/lula-esta-destruindo-a-economia-brasileira/
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/24/brasil-registra-deficit-de-us-6-bilhoes-nas-contas-externas-de-marco-com-queda-na-balanca-comercial-mostra-bc.ghtml

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