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Déficit em conta corrente supera previsão e dobra em um ano

Brasil fecha março de 2026 com déficit externo de US$ 6 bi, acima do previsto e mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior.

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TL;DR · 4 min de leitura

Brasil fecha março de 2026 com déficit externo de US$ 6 bi, acima do previsto e mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior.

O Banco Central divulgou nesta sexta-feira que o Brasil fechou março com déficit de US$ 6,036 bilhões em transações correntes. O resultado superou a mediana das projeções do mercado, que apontava para US$ 5,620 bilhões, segundo o Estadão. Em comparação com março de 2025, quando o saldo negativo ficou em US$ 2,930 bilhões, o rombo mais que dobrou em doze meses.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o déficit soma US$ 20,270 bilhões. Em 12 meses, o indicador avançou de 2,61% do PIB em fevereiro para 2,71% em março, retomando trajetória de piora.

A deterioração das contas externas

Três fatores explicam o salto. Conforme O Globo, o superávit comercial recuou de US$ 7,2 bilhões em março do ano passado para US$ 5,6 bilhões agora. As importações cresceram 19,9% no período, enquanto as exportações avançaram apenas 9,5%.

O déficit de serviços ficou em US$ 4,785 bilhões, alta de 14,5% sobre março de 2025. Um item chama atenção: brasileiros gastaram US$ 2 bilhões no exterior no mês, aumento de 27,8% na comparação anual. A conta de renda primária, que inclui remessa de lucros e dividendos para o exterior, registrou saldo negativo de US$ 7,384 bilhões.

Para o ano todo, a projeção do Banco Central é de déficit em transações correntes de US$ 58 bilhões, equivalente a 2,2% do PIB. Esse número já incorpora um superávit comercial estimado em US$ 73 bilhões e pressupõe déficits de US$ 54 bilhões em serviços e US$ 82 bilhões em renda primária.

O que os números não contam

Déficit externo, por si só, não significa colapso. O Brasil conviveu com rombos maiores em proporção ao PIB durante os anos 2000 sem crise de balanço de pagamentos. O risco atual está na combinação: déficit externo crescente somado a déficit fiscal sem equacionamento e juros em patamar restritivo formam um caldo de desconfiança que se reflete diretamente no câmbio.

O Investidor Sardinha registrou que o mercado já vinha demonstrando ceticismo quanto à trajetória fiscal: um pacote de cortes de gastos foi anunciado, mas sua votação foi adiada para o calendário eleitoral, reduzindo sensivelmente a credibilidade do ajuste. Quando o governo sinaliza cortes e depois posterga, o prêmio de risco sobe e o custo do financiamento externo aumenta junto.

A percepção que o governo tenta controlar

O governo Lula insiste que os fundamentos econômicos são positivos. Em março, durante ato partidário em São Bernardo do Campo, o presidente afirmou que a situação econômica era boa, mas que a percepção da sociedade ainda não acompanhava essa realidade, de acordo com a InfoMoney. O argumento pressupõe que o problema é de comunicação, não de política econômica.

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em março, registrada pelo G1, mostra 51% dos brasileiros avaliando como ruim ou péssima a atuação do governo no controle de gastos públicos, e 50% com percepção negativa sobre o combate à inflação. Em todas as nove áreas pesquisadas, a avaliação negativa superou a positiva.

O que vem pela frente

O Banco Central mantém a projeção de US$ 58 bilhões de déficit externo para 2026. Se a tendência de importações crescendo acima das exportações persistir nos próximos meses e o câmbio seguir pressionado, essa estimativa pode ser revisada para cima. A pergunta que interessa ao contribuinte e ao investidor é se o ajuste fiscal virá antes que o mercado cobre o preço pela incerteza acumulada.

Perguntas frequentes

O que é déficit em transações correntes? É o resultado negativo da soma das trocas do Brasil com o exterior em bens, serviços, renda primária e transferências correntes. Um déficit significa que o país gasta mais do que recebe do resto do mundo e precisa atrair capital externo para financiar essa diferença.

Por que o déficit externo do Brasil dobrou em um ano? A principal razão foi a queda no superávit comercial, com importações crescendo quase o dobro do ritmo das exportações. O déficit de serviços e o resultado negativo de renda primária também pioraram no período.

O déficit em conta corrente afeta câmbio e inflação? Diretamente, sim. Quando o déficit externo cresce e a confiança na trajetória fiscal é baixa, o real tende a se depreciar. Um câmbio mais fraco encarece importações e pressiona a inflação, especialmente em combustíveis e insumos industriais.

Qual a projeção do Banco Central para as contas externas em 2026? O BC projeta déficit de US$ 58 bilhões em transações correntes, equivalente a 2,2% do PIB, com base em superávit comercial de US$ 73 bilhões e déficits em serviços e renda primária.

Fontes
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/brasil-deficit-conta-corrente-marco-2026-bc/
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
  • jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula/
  • investidorsardinha.r7.com — https://investidorsardinha.r7.com/opiniao/lula-esta-destruindo-a-economia-brasileira/
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/24/brasil-registra-deficit-de-us-6-bilhoes-nas-contas-externas-de-marco-com-queda-na-balanca-comercial-mostra-bc.ghtml

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