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Lula retoma diálogo com Alcolumbre para conter crise no STF

Depois de meses de frieza, Lula e o presidente do Senado retomam diálogo; sabatina de Messias ao STF é agendada para 28 de abril em troca política.

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TL;DR · 4 min de leitura

Depois de meses de frieza, Lula e o presidente do Senado retomam diálogo; sabatina de Messias ao STF é agendada para 28 de abril em troca política.

O presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre mantiveram uma conversa discreta à margem da cerimônia de posse do novo ministro José Guimarães, na terça-feira, dia 14. A cena foi breve, mas os petistas presentes a leram como sinal de virada: dois políticos que passaram meses evitando um ao outro voltam a buscar entendimento.

A frieza entre os dois tem raiz no fim de 2025. Lula anunciou publicamente o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mas só enviou a mensagem formal de indicação ao Senado em 1º de abril deste ano, mais de quatro meses depois. O atraso alimentou a desconfiança de Alcolumbre, que detém poder para pautar ou travar o processo de sabatina a seu critério.

Não travou. Segundo o Bem Paraná, o presidente do Senado abriu a tramitação e marcou a sabatina de Messias para 28 de abril, num gesto que aliados do governo e analistas políticos interpretaram como início de uma nova fase.

O preço do acordo

O movimento de Alcolumbre não foi gratuito. No mesmo dia em que desbloqueou a indicação de Messias, ele agendou para 30 de abril uma sessão do Congresso para analisar o veto presidencial à redução de penas dos condenados pela tentativa de golpe de 2022. A tendência, conforme apurado pelo Bem Paraná, é de que o veto seja derrubado, o que beneficiaria réus ligados ao movimento que tentou impedir a posse de Lula. É uma concessão politicamente incômoda para o Planalto, mas que compõe a equação negociada nos bastidores.

Alcolumbre foi além no gesto simbólico: participou da cerimônia de Guimarães, exaltou em seu discurso o diálogo e a boa política, e fez uma série de elogios à ex-ministra Gleisi Hoffmann, que deixou a Secretaria de Relações Institucionais para concorrer ao Senado em outubro. Sua presença numa cerimônia eminentemente palaciana foi lida pelos petistas como declaração pública de reconciliação. Quem acompanhou a deterioração da relação entre os dois, segundo o Bem Paraná, aponta a ausência de interlocução frequente como raiz do problema: entre o fim de 2025 e os primeiros meses de 2026, o canal praticamente secou.

O contexto que explica a urgência

A reaproximação ocorre numa semana em que a tensão entre o STF e o Legislativo chegou a um patamar incomum. Sem entrar nos detalhes específicos do atrito institucional, o fato é que o governo Lula 3 sentiu a necessidade de estabilizar o Congresso antes que o conflito com o Supremo se tornasse uma crise de governabilidade plena.

Nesse cenário, a composição com Alcolumbre serve a um duplo propósito: normalizar a relação com o Senado e reduzir a pressão sobre o STF, cuja composição o Planalto tenta influenciar pela indicação de Messias. O Jornal Opção já observou que o governo Lula opera no fio da navalha entre concessões políticas e a tentativa de manter alguma coerência institucional. A gestão do Congresso segue a mesma lógica.

O que está em jogo

O governo Lula chegou a 2026 com aprovações modestas e um Congresso que oscila entre cooperação e pressão por espaço. A nomeação de Messias para o STF é uma peça de xadrez de longo prazo: um nome do Planalto no Supremo representa investimento na correlação de forças dentro do tribunal, que julga questões que vão de pautas fiscais a crimes políticos.

A sabatina de 28 de abril, portanto, não é apenas um rito parlamentar. É o momento em que Alcolumbre decidirá se honra a sinalização de distensão ou se volta a usar o calendário como instrumento de pressão. Por ora, os gestos indicam disposição ao entendimento.

A pergunta que fica é se essa reaproximação tem substância ou se é trégua de conveniência antes de outubro. O calendário eleitoral pesa sobre cada gesto e cada voto no Congresso, e Alcolumbre tem seus próprios cálculos como político em ano eleitoral. Lula precisa do Senado para avançar sua agenda e preservar o STF como aliado estratégico. O diálogo recomeçou; o que definirá sua durabilidade é se o interesse mútuo sobrevive ao próximo embate.

Perguntas frequentes

Por que Lula e Alcolumbre estavam afastados?

O afastamento começou quando Lula demorou mais de quatro meses para enviar ao Senado a indicação formal de Messias ao STF, após já ter anunciado o nome publicamente. O atraso gerou desconfiança e reduziu a interlocução entre o Planalto e a presidência do Senado.

O que é a sabatina de Jorge Messias?

É a audiência pública no Senado em que o indicado ao STF responde a perguntas dos senadores antes de ser aprovado ou rejeitado. Está marcada para 28 de abril.

O que acontece com o veto às penas dos condenados pelo golpe?

O veto presidencial à redução das penas vai a votos no Congresso em 30 de abril. A tendência atual aponta para a derrubada do veto, reduzindo as penas dos réus condenados.

Como a crise entre STF e Legislativo afeta o governo Lula 3?

O atrito institucional aumenta o custo político do governo, que precisa manter o Congresso cooperativo para aprovar projetos e ao mesmo tempo preservar sua relação com o Supremo. A composição com Alcolumbre é uma tentativa de equilibrar essas frentes ao mesmo tempo.

Fontes
  • bemparana.com.br — https://www.bemparana.com.br/noticias/politica/lula-e-alcolumbre-se-reaproximam-e-congresso-sinaliza-contencao-de-atritos-com-governo/
  • jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/

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