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Marçal promete ser escudeiro de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro

Recém-filiado ao União Brasil, Marçal declara apoio a Flávio Bolsonaro para outubro, mas carrega três condenações de inelegibilidade no TRE-SP.

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TL;DR · 4 min de leitura

Recém-filiado ao União Brasil, Marçal declara apoio a Flávio Bolsonaro para outubro, mas carrega três condenações de inelegibilidade no TRE-SP.

Pablo Marçal chegou a Brasília esta semana com um novo partido e uma promessa direta: será escudeiro do senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de outubro, se for o que a estratégia exigir. A declaração, feita ao Estadão, sintetiza o movimento do influenciador, recém-filiado ao União Brasil para ajudar o partido a ampliar a bancada federal. Na sua própria definição, eleição é guerra.

O problema é que Marçal inicia esse novo ciclo com um passivo pesado. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo o declarou inelegível por três condutas distintas durante a campanha à Prefeitura de São Paulo: oferta de dinheiro em troca de apoio político, pagamento a seguidores que produzissem cortes dos seus vídeos e abuso de poder econômico ao sortear brindes entre sua audiência. A dois dias do primeiro turno, ele ainda divulgou um laudo falso de internação do candidato do PSOL, Guilherme Boulos, episódio que o Estadão documentou como tendo impacto direto nos resultados do pleito paulistano.

Mesmo assim, Marçal afirma que se considera elegível. A aposta é reverter as três condenações no TSE antes de outubro. Enquanto os recursos tramitam, ele pretende manter eventual candidatura ativa na condição de sub judice. Sobre qual cargo disputar, foi vago: “O que der mais resultado, eu vou partir para cima.”

O peso das redes

Com 13,1 milhões de seguidores no Instagram, Marçal carrega um ativo que o União Brasil quer transformar em votos para a legenda, independentemente do que os tribunais decidam sobre sua própria candidatura. A reunião com dirigentes do partido em Brasília teve exatamente esse objetivo: traduzir audiência digital em bancada federal. A lógica é pragmática.

Em 2022, Marçal já havia sido eleito deputado federal, mas o TSE negou seu registro por irregularidades na documentação. Desta vez o obstáculo é mais profundo: não são falhas burocráticas, mas três condenações de mérito pelo TRE-SP, conforme relatou o Estadão. O calendário de outubro é implacável, e recursos eleitorais costumam seguir seu próprio ritmo.

O que isso significa para a direita

A movimentação de Marçal ao lado de Flávio Bolsonaro revela uma tentativa de consolidar o campo conservador antes que a disputa presidencial ganhe contornos definitivos. Flávio Bolsonaro, senador pelo PL no Rio de Janeiro, é um dos possíveis nomes da família para liderar o bloco, a depender do desfecho judicial que ainda envolve Jair Bolsonaro. Ter Marçal como aliado pode ser estratégico, sobretudo se ele não conseguir registrar candidatura própria.

Há, porém, um risco de credibilidade para quem se associa a esse histórico. As condenações do TRE-SP não são contestações procedimentais: envolvem compra de apoio e uso de dinheiro para mobilizar seguidores. Para um campo político que se apresenta como alternativa à corrupção, conviver com esse passivo exige explicações que vão além de “vou reverter no TSE”. Segundo o Estadão, Marçal não detalhou como pretende lidar com essas questões ao longo da campanha.

O que vem pela frente

O TSE terá de se pronunciar sobre os recursos de Marçal em tempo hábil. Se as condenações forem mantidas, a questão que fica é se sua influência digital vale mais do que a cadeira que ele eventualmente não poderá ocupar. O campo da direita precisa de amplificadores, mas não pode se dar ao luxo de ignorar o que seus aliados fizeram para chegar até ali.

FAQ

O que é inelegibilidade eleitoral? É a condição que impede um cidadão de concorrer a cargos eletivos por período determinado. Pode ser declarada por condenações em matéria eleitoral e fica sujeita a recurso até o trânsito em julgado.

Por que Marçal se filiou ao União Brasil? Para ajudar o partido a ampliar sua bancada federal nas eleições de outubro, segundo declarou ao Estadão. O partido quer aproveitar sua audiência de 13,1 milhões de seguidores no Instagram para alavancar candidatos da legenda.

Flávio Bolsonaro será candidato à presidência em 2026? Não está confirmado. Sua candidatura depende, em parte, do desfecho das ações judiciais que ainda envolvem Jair Bolsonaro. Marçal se colocou como apoiador, não como rival interno.

O que foi o laudo falso de Boulos? A dois dias do primeiro turno das eleições municipais de São Paulo, Marçal divulgou um documento forjado que simulava uma internação do então candidato Guilherme Boulos. O episódio foi uma das condutas que levaram às suas condenações no TRE-SP.

Fontes

  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/politica/eleicao-e-guerra-e-serei-escudeiro-de-flavio-bolsonaro-se-for-preciso-diz-pablo-marcal/

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