Inflação a 0,14 ponto do teto: mercado desconfia do governo Lula
Focus aponta IPCA em 4,36% para 2026, a apenas 0,14 ponto do teto da meta. Com Selic a 14,75% e PIB fraco, o governo Lula aperta o bolso do brasileiro.
Focus aponta IPCA em 4,36% para 2026, a apenas 0,14 ponto do teto da meta. Com Selic a 14,75% e PIB fraco, o governo Lula aperta o bolso do brasileiro.
A projeção do mercado para o IPCA de 2026 chegou a 4,36% no Boletim Focus desta segunda-feira, 6 de abril, segundo o InfoMoney. É a quarta semana seguida de alta nas expectativas. O teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional é 4,5%. A distância entre o número projetado e o limite formal do fracasso: 0,14 ponto percentual.
Quem paga a conta?
Quatro altas consecutivas nas projeções do Focus não acontecem por acaso. O mercado, que reúne mais de 100 instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central, está mandando um recado claro para Brasília: a política fiscal do governo Lula não inspira confiança. Para tentar segurar a inflação gerada pelo próprio descontrole do Planalto, o Banco Central mantém a Selic em 14,75% ao ano, de acordo com o Poder360. Um dos maiores patamares das últimas décadas.
O crédito caro sufoca empresários e famílias. O investimento produtivo trava. Quem tem dívida no cartão ou no cheque especial sente no bolso o custo de um governo que não sabe conter o próprio gasto.
Déficit que não para de crescer
O déficit primário projetado para 2026 é de R$ 59,8 bilhões, conforme o InfoMoney. Quarto rombo consecutivo da era Lula. Ano eleitoral, que deveria ser de cautela fiscal, virou mais um capítulo da mesma história: gasto crescente, receita insuficiente e expectativas de inflação subindo toda segunda-feira de manhã.
A meta de inflação é 3%. O país está 1,36 ponto acima disso, com tendência de piora. Se o IPCA real de 2026 superar 4,5%, o presidente do Banco Central terá de escrever uma carta aberta ao Ministério da Fazenda explicando o fracasso. Na prática, será uma confissão pública de que o governo perdeu o controle dos preços.
Crescimento pífio, dólar pressionado
O PIB projetado para 2026 é de apenas 1,85%, segundo o Poder360. Ritmo insuficiente para gerar emprego em escala ou melhorar o padrão de vida de quem depende de salário. O dólar deve fechar o ano em R$ 5,40. O fato é que a combinação de juros altos, crescimento baixo e inflação persistente tem nome na literatura econômica. O Brasil ainda não chegou lá, mas a trajetória aponta nessa direção.
O que poucos analistas falam abertamente é que o ciclo se retroalimenta: o governo gasta mais para garantir popularidade em ano eleitoral, o mercado desconfia, as expectativas sobem, o Banco Central aperta os juros, o crédito encarece, o crescimento desacelera. No fim das contas, quem arca com tudo isso é o trabalhador brasileiro, não o ministro da Fazenda.
Perguntas Frequentes
O que é o Boletim Focus? É um relatório semanal do Banco Central que compila as expectativas de mais de 100 instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos do país, como IPCA, Selic, PIB e câmbio.
O que acontece se a inflação superar o teto de 4,5%? O presidente do Banco Central é obrigado a enviar uma carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando as causas do descumprimento da meta e as medidas que serão adotadas para trazer a inflação de volta ao intervalo tolerado.
Por que o mercado projeta inflação acima da meta? A desconfiança fiscal é o principal fator. Quando o governo sinaliza dificuldade em controlar gastos, o mercado antecipa maior emissão de moeda e repasse de custos, elevando as projeções de preços para frente.
Fontes
- InfoMoney — https://www.infomoney.com.br/economia/boletim-focus-projecoes-macroeconomicas-06042026/
- Poder360 — https://www.poder360.com.br/poder-economia/boletim-focus-eleva-projecao-da-inflacao-para-436-em-2026/