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Haddad foge das contas e deixa Durigan com rombo de R$ 60 bi

Haddad sai da Fazenda para disputar SP e passa a Durigan déficit de R$ 59,8 bi, dívida em 78,7% do PIB e Selic a 14,5% ao ano.

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TL;DR · 4 min de leitura

Haddad sai da Fazenda para disputar SP e passa a Durigan déficit de R$ 59,8 bi, dívida em 78,7% do PIB e Selic a 14,5% ao ano.

Fernando Haddad saiu do Ministério da Fazenda no dia 19 de março de 2026. Não foi demitido. Pediu para sair, de olho no governo de São Paulo, deixando para trás um déficit primário de R$ 59,8 bilhões, incluindo precatórios, e uma dívida pública que já consome 79,2% do PIB (Gazeta do Povo).

Foi a 16ª troca ministerial do governo Lula (InfoMoney). O que conta não é o número, mas o timing: ano eleitoral, fiscal no chão, e o ministro mais elogiado pelo presidente abandona o barco.

O que Durigan herdou

Dario Durigan assumiu a pasta com a missão de cumprir uma meta de superávit de R$ 3,5 bilhões que os próprios analistas de mercado já tratam como fictícia. A primeira medida foi anunciar bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento 2026, quantia que os especialistas consideram insuficiente diante do rombo real (Agência Brasil).

Na prática, o governo continua gastando em todas as direções ao mesmo tempo. Subsidia diesel importado a custo de R$ 3 bilhões, redistribui crédito para famílias já endividadas, com 27% da renda familiar comprometida com dívidas, e promete cortes de impostos às vésperas das eleições. Bloqueia R$ 1,6 bilhão de um lado e joga dinheiro pela janela do outro. É o equilíbrio fiscal à la PT: contabilidade criativa com dinheiro alheio.

O legado que Lula chama de sucesso

Lula declarou publicamente que Haddad foi “o ministro da Fazenda mais bem-sucedido da história”. Os números dizem o contrário. Em três anos, o governo gastou R$ 324 bilhões fora da meta fiscal, a dívida explodiu e a Selic permanece em 14,75% ao ano, corroendo cada real que o contribuinte tem no bolso (Agência Brasil).

A Fitch Ratings já apontou o Brasil como o país com o maior déficit fiscal da América Latina em 2026. A inflação projetada pelo Focus sobe para 4,31%. O cenário não é de ajuste fiscal; é de deterioração acelerada no pior momento possível para tomar decisões sérias, justamente quando o calendário eleitoral proíbe qualquer corte politicamente inconveniente.

Quem paga a conta

O contribuinte. Sempre o contribuinte. A troca de ministro não altera a trajetória do gasto público; muda apenas quem assina os documentos enquanto o PT monta sua campanha de reeleição. Durigan herda o caos e a missão impossível de parecer responsável sem cortar nada que importe eleitoralmente.

O fato é que nenhum bloqueio simbólico resolve um rombo de R$ 59,8 bilhões. E nenhuma troca de guarda apaga três anos de gastança sem controle.

Se Haddad foi mesmo o ministro mais bem-sucedido da história, o Brasil tem um problema muito maior do que a troca de um ministro.

Fontes

  • Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/durigan-assume-fazenda-sob-pressao-fiscal-e-herda-desafios-de-haddad
  • InfoMoney — https://www.infomoney.com.br/politica/saida-de-haddad-da-fazenda-e-a-16a-troca-ministerial-no-governo-lula-confira-lista/
  • Gazeta do Povo — https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-oficializa-saida-haddad-governo-nomeia-durigan-fazenda/

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