Um imposto novo a cada 27 dias: o fisco de Lula em números
Em 3 anos, o governo Lula editou 43 medidas tributárias — 36 com criação ou elevação direta de impostos. A arrecadação bateu recorde, mas o rombo fiscal não para de crescer.
Em 3 anos, o governo Lula editou 43 medidas tributárias — 36 com criação ou elevação direta de impostos. A arrecadação bateu recorde, mas o rombo fiscal não para de crescer.
Um imposto novo a cada 27 dias
Foram 43 medidas tributárias em três anos de mandato. Ou seja, o governo Lula assinou uma nova iniciativa para aumentar a arrecadação a cada 27 dias — ritmo que levantamento da Gazeta do Povo publicado em 30 de março de 2026 colocou em preto e branco. Das 43 ações, 36 envolvem criação ou elevação direta de impostos e taxas que recaem sobre trabalhadores, empresas e investidores.
A lista é extensa. Combustíveis foram reonerados via PIS/Cofins. Apostas esportivas tiveram a alíquota saltando de 12% para 18%. O IOF em câmbio e cartões foi a 3,5%. Títulos incentivados, seguros de vida e criptoativos passaram a ter alíquota de 17,5%. A CSLL do setor financeiro subiu de 9% para 15%. E, em março de 2026, o imposto de importação foi elevado para mais de 1.200 produtos — o governo chegou a chamar as críticas de fake news antes de recuar parcialmente, segundo a CNN Brasil.
Arrecadação recorde, rombo garantido
No papel, os números parecem vitória: a arrecadação federal atingiu R$ 2,9 trilhões em 2025, alta real de 3,65% (Gazeta do Povo). A carga tributária já representa 34% do PIB — patamar de países europeus desenvolvidos. A diferença, claro, é que na Europa esse nível de tributação financia saúde, educação e infraestrutura de qualidade. Aqui, financia déficit.
O paradoxo é gritante: mesmo com arrecadação histórica, o governo projeta rombo primário de R$ 59,8 bilhões em 2026 — o quarto déficit consecutivo do atual mandato. O mercado financeiro estima o buraco ainda maior: R$ 72,4 bilhões. A dívida bruta, que estava em 78,7% do PIB em 2025, deve alcançar 83,6% até o fim do ano, segundo projeções do próprio Ministério da Fazenda (Gazeta do Povo).
Mais imposto, menos crescimento
Enquanto o fisco avançava, a economia desacelerou. O PIB cresceu apenas 2,3% em 2025 — o menor índice desde a pandemia — e o crescimento foi puxado por consumo financiado a crédito e transferências, não por produtividade ou investimento (Gazeta do Povo). Na prática, o governo está sugando recursos do setor produtivo para alimentar uma máquina que gasta mais do que arrecada, mesmo arrecadando mais do que nunca.
O fato é que tratar imposto como solução estrutural para um problema de excesso de gasto é, no mínimo, desonesto intelectualmente. Nenhum país se desenvolveu tributando mais e gastando pior — e o Brasil parece determinado a testar esse limite. O empreendedor que paga IOF no cartão internacional, o investidor que vê seus rendimentos em títulos incentivados taxados a 17,5% e o trabalhador que reabastece o carro com PIS/Cofins reonerado financiam, juntos, um Estado que não consegue se equilibrar nem com arrecadação histórica.
Fontes
- Gazeta do Povo — https://www.gazetadopovo.com.br/economia/impostos-governo-lula-carga-tributaria-aumento-cada-27-dias/
- CNN Brasil — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/veja-todos-os-impostos-e-taxas-que-governo-lula-aumentou-desde-a-posse/