Dólar | Selic | IBOV
Brasilia 4 min de leitura

8 em cada 10 famílias estão afogadas em dívidas: recorde histórico

Endividamento das famílias brasileiras atinge 80,2%, maior nível desde 2010. Inadimplência sobe e cartão de crédito é o grande vilão.

Compartilhar:
TL;DR · 4 min de leitura

Endividamento das famílias brasileiras atinge 80,2%, maior nível desde 2010. Inadimplência sobe e cartão de crédito é o grande vilão.

O brasileiro nunca esteve tão endividado. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), impressionantes 80,2% das famílias possuem algum tipo de dívida em fevereiro de 2026 — o maior nível já registrado desde o início da série histórica, em 2010. A pergunta que não quer calar: quem está pagando a conta da farra fiscal do governo?

Inadimplência volta a subir

Depois de três meses consecutivos de queda, a inadimplência voltou a crescer e atingiu 29,6% das famílias brasileiras. O dado mais preocupante está nos detalhes: quase metade dos inadimplentes — 49,5% — está com parcelas atrasadas há mais de 90 dias, e o tempo médio de atraso nos pagamentos chegou a 65,1 meses, ou seja, mais de cinco anos de contas vencidas.

Entre as famílias que ganham até 3 salários mínimos — justamente as que o governo diz proteger — a situação é dramática: 38,9% estão inadimplentes e 18,6% simplesmente não conseguirão pagar suas contas no próximo mês. São milhões de brasileiros que já não veem saída.

Cartão de crédito: o grande vilão

O cartão de crédito lidera como principal modalidade de dívida: 85% das famílias endividadas devem no cartão. Com juros rotativos que ultrapassam 430% ao ano, o cartão se transformou numa armadilha para milhões de consumidores que recorrem a ele como última alternativa para fechar o mês.

E não são apenas os mais pobres que sofrem. Até famílias com renda acima de 10 salários mínimos foram atingidas: 69,3% delas estão endividadas, contra 65,5% no ano anterior. O endividamento geral subiu 3,8 pontos percentuais em relação a fevereiro de 2025 e 0,7 ponto em relação a janeiro de 2026.

A conta da irresponsabilidade fiscal

O mecanismo é conhecido: o governo gasta sem freio, pressionando a inflação; o Banco Central é obrigado a responder com juros estratosféricos. A Selic chegou a 15% ao ano no início de 2026 e segue em 14,75% — um dos maiores patamares de juros reais do mundo. O resultado aparece diretamente no bolso das famílias: crédito mais caro, prestações mais pesadas e um ciclo de endividamento cada vez mais difícil de romper.

Enquanto o governo insiste em expandir gastos sem contrapartida fiscal, quem paga o preço são os brasileiros comuns — especialmente os mais vulneráveis, que dependem do crédito para sobreviver. Os números da Peic não mentem: o Brasil vive uma crise de endividamento que exige responsabilidade fiscal, e não mais promessas.

Fontes

  • Fecomércio RN — https://fecomerciorn.com.br/noticias/cnc-endividamento-das-familias-bate-novo-recorde-historico-em-fevereiro/
  • Jornal Empresas & Negócios — https://jornalempresasenegocios.com.br/economia/cnc-endividamento-das-familias-bate-novo-recorde/

Artigos relacionados