17 ministros fogem às urnas e deixam a crise fiscal para burocratas
Com prazo de desincompatibilização vencido, Haddad, Tebet e mais 15 ministros saíram. Secretários sem mandato herdam déficit de R$ 59,8 bi e LDO em 10 dias.
Com prazo de desincompatibilização vencido, Haddad, Tebet e mais 15 ministros saíram. Secretários sem mandato herdam déficit de R$ 59,8 bi e LDO em 10 dias.
17 ministros fogem às urnas e deixam a crise fiscal para burocratas
O prazo de desincompatibilização venceu ontem, 4 de abril, e 17 ministros do governo Lula entregaram os cargos para disputar as eleições de outubro. Fernando Haddad saiu da Fazenda. Simone Tebet deixou o Planejamento. Marina Silva abandonou o Meio Ambiente. Rui Costa, a Casa Civil. Geraldo Alckmin, a vice-presidência. Nenhum deles ficou para assinar a conta que ajudaram a montar.
No lugar deles, assumiram os chamados ‘Ministros 02’: secretários-executivos sem mandato popular, desconhecidos do grande público, herdeiros de uma agenda econômica que qualquer gestor experiente evitaria, conforme apurou o NeoFeed.
A herança envenenada
Dario Durigan assume a Fazenda com dez dias para enviar a LDO 2027 ao Congresso, prazo fatal de 15 de abril. Depois, ainda tem a LOA até 31 de agosto. E, para fechar o quadro, o governo precisa cumprir a meta de superávit primário de 0,25% do PIB em 2026 — na prática, zero. Jefferson Bitencourt, ex-secretário do Tesouro, classifica como “improvável” atingir superávit sequer em 2027, segundo o InfoMoney.
Bruno Moretti herda o Planejamento com déficit projetado de R$ 59,8 bilhões para 2026 e um bloqueio de R$ 1,6 bilhão em gastos já executado. Dois substitutos, duas bombas-relógio.
Combustível no fogo
A crise dos combustíveis aterrou direto no colo de Durigan. Sua primeira proposta foi um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado. Os estados ainda não garantiram adesão à medida. O querosene de aviação disparou 55% para distribuidoras só em abril, e companhias aéreas já ameaçam cortar rotas, conforme o NeoFeed. O contribuinte, como sempre, observa da plateia.
O legado de Haddad: 28 aumentos, déficit e recordes
Haddad deixa a Fazenda com um currículo peculiar: 28 aumentos de impostos ao longo do mandato, carga tributária em recordes históricos e despesas obrigatórias crescendo acima da receita. A arrecadação bateu R$ 2,9 trilhões em 2025. O país ainda fechou no vermelho pelo terceiro ano consecutivo. O governo elevou a previsão de despesas em R$ 23,3 bilhões acima do Orçamento aprovado.
O fato é que arrecadar mais nunca foi o problema; gastar menos nunca foi a solução adotada. Qualquer empresário sabe que receita recorde com prejuízo consecutivo é sinal de gestão falida, não de competência.
Quem paga a conta?
Os ‘Ministros 02’ não têm mandato, não têm capital político e assumem com prazos impossíveis e metas que o próprio governo já admite dificilmente cumprir. Herdam três anos de gastos crescendo acima da receita e uma agenda econômica que nenhum dos titulares quis assinar ao deixar o cargo. No final, como sempre, quem paga a conta é o contribuinte — sem ter votado em nenhum deles.
Fontes
- NeoFeed — https://neofeed.com.br/poder/a-republica-dos-ministros-02-entra-em-cena-e-encara-uma-extensa-agenda-economica/
- ISTOÉ — https://istoe.com.br/ministros-lula-exonerados-eleicoes-2026
- InfoMoney — https://www.infomoney.com.br/politica/haddad-deixa-fazenda-para-eleicao-em-sp-e-durigan-assume-em-cenario-de-tensao-fiscal/
- Conexão Política — https://www.conexaopolitica.com.br/eleicoes-2026/apos-28-aumentos-de-impostos-haddad-deixa-ministerio-da-fazenda-sob-recordes-de-carga-tributaria-e-gastos-publicos/