Rombo das estatais bate recorde: R$ 4,1 bi em apenas 2 meses
Estatais federais acumulam déficit de R$ 4,16 bilhões em janeiro e fevereiro de 2026, o pior resultado desde 2002. Correios lideram o prejuízo.
Estatais federais acumulam déficit de R$ 4,16 bilhões em janeiro e fevereiro de 2026, o pior resultado desde 2002. Correios lideram o prejuízo.
As empresas estatais federais abriram 2026 com um rombo que envergonha qualquer planilha: R$ 4,16 bilhões de déficit em apenas dois meses, segundo dados do Banco Central. É o pior resultado para o período de janeiro-fevereiro desde o início da série histórica, em 2002. Para efeito de comparação, o déficit de todo o ano de 2025 foi de R$ 5,1 bilhões — ou seja, em 60 dias o governo já consumiu mais de 80% do estrago do ano inteiro anterior, conforme apurou o Diário do Povo.
E o detalhe que o governo prefere não destacar: esses números excluem Petrobras e bancos públicos. Estamos falando de empresas que dependem diretamente do Tesouro Nacional para sobreviver. Ou seja, do seu bolso.
Correios: o campeão do prejuízo
O principal peso no rombo atende pelo nome de Correios. A estatal acumulou um prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro de 2025 e, para não fechar as portas, precisou contrair um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro, de acordo com o Portal de Prefeitura. Infraero, Serpro e Dataprev também contribuem para o buraco nas contas públicas.
São empresas historicamente criticadas por ineficiência e por servirem, segundo análises recorrentes, mais como instrumento de acomodação política do que como prestadoras de serviço eficiente ao cidadão brasileiro. O resultado está nos números.
O governo subestimou o problema
No início do ano, o próprio governo revisou a previsão de déficit das estatais de R$ 1,074 bilhão para R$ 1,520 bilhão em 2026. A realidade, como se vê, já ultrapassou essa estimativa por uma margem absurda. Em dois meses, o rombo real foi quase três vezes maior do que a projeção revisada para o ano inteiro. Diante dessa discrepância, cabe perguntar: a previsão foi fruto de erro técnico ou de uma leitura excessivamente otimista do cenário fiscal?
O quadro geral é ainda pior
Quando se olha além das estatais, o cenário fiscal é de arrepiar. O setor público consolidado registrou um déficit de R$ 16,4 bilhões apenas em fevereiro, e nos últimos 12 meses o rombo acumulado já alcança R$ 52,8 bilhões, conforme dados do Banco Central apontados pelo Agora RN.
A dívida bruta do governo bateu R$ 10,2 trilhões, o equivalente a 79,2% do PIB — um patamar que pressiona o custo de financiamento de toda a economia. Não por acaso, a taxa Selic está em 15% ao ano, um dos maiores patamares das últimas duas décadas.
Quem paga a conta?
A resposta é sempre a mesma: o contribuinte. O trabalhador que já enfrenta juros escorchantes no cartão de crédito, no financiamento da casa e no crediário. O empreendedor que luta para manter seu negócio de pé enquanto sustenta, com seus impostos, a ineficiência de estatais que, na visão de muitos economistas, deveriam ter sido privatizadas há décadas.
Enquanto o governo Lula insiste no modelo de Estado expansivo e gastador, os números não mentem. O recorde histórico do rombo das estatais não é um acidente — é consequência direta de uma política fiscal que pressiona cada vez mais o bolso do brasileiro.
Fontes
- Agora RN — https://agorarn.com.br/ultimas/estatais-federais-tem-deficit-4-16-bilhoes/
- Portal de Prefeitura — https://portaldeprefeitura.com.br/bastidores-da-politica/deficit-estatais-fevereiro-2026-banco-central-divida-pib/618240/
- Diário do Povo — https://diario.dopovo.com.br/2026/03/31/deficit-de-r-41-bilhoes-em-estatais-marca-recorde-negativo-no-inicio-de-2026/