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Lula reeleito enfrenta Congresso à direita e pressão fiscal imediata

Reeleição de Lula abre mandato com Congresso mais conservador, promessas fiscais caras e percepção negativa da economia, exigindo negociações difíceis para aprovar ajuste.

Por Beatriz Camargo · Reporter de Economia

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TL;DR · 4 min de leitura

Reeleição de Lula abre mandato com Congresso mais conservador, promessas fiscais caras e percepção negativa da economia, exigindo negociações difíceis para aprovar ajuste.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu neste domingo (25) mais quatro anos no Planalto, mas o quarto mandato começa sob condições políticas e fiscais radicalmente diferentes de 2023. O Congresso que toma posse em fevereiro terá a maior bancada da direita desde a redemocratização: o PL, de Flávio Bolsonaro, elegeu 121 deputados e 28 senadores, contra 70 deputados e nove senadores do PT. Com 28 cadeiras no Senado, o partido de oposição dispõe de votos suficientes para bloquear sozinho qualquer proposta de emenda à Constituição, que exige 49 votos favoráveis InfoMoney.

A aritmética parlamentar obriga o governo a costurar maiorias com MDB, PSD, União Brasil e Republicanos — legendas que não integram a base tradicional petista. As eleições para as presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro, definirão o ritmo dessa articulação. Para o cientista político Murilo Medeiros, da UnB, a agenda do novo mandato será “fortemente condicionada” por essas negociações InfoMoney.

Enquanto a montagem da base parlamentar se desenha, a fatura das promessas de campanha já está na mesa. O chamado “pacote de bondades” anunciado às vésperas do segundo turno — que inclui tarifa zero no transporte coletivo aos finais de semana, ampliação do Pé-de-Meia para universitários e medidas de alívio ao endividamento familiar — soma quase R$ 300 bilhões em potenciais despesas adicionais, segundo estimativas preliminares. O pesquisador Marcos Mendes, do Insper, classifica o conjunto como “um enxame de medidas, todas elas com impacto eleitoral, sem nenhuma pesquisa técnica por trás” CNN Brasil.

A equipe de transição já sinalizou a intenção de retirar permanentemente as despesas do Auxílio Brasil do teto de gastos via PEC, movimento que desagradou o mercado financeiro. Em discurso no CCBB, Lula questionou a “tal da estabilidade fiscal” e defendeu priorizar a questão social em detrimento de metas que, segundo ele, interessam apenas ao mercado. A reação foi imediata: a Bolsa caiu 3,35% e o dólar subiu 4,14%, para R$ 5,39 Estadão.

A desconexão entre indicadores oficiais e sentimento da população complica o cenário. Dados do IBGE mostram desemprego em 5,2% — menor da série histórica — e IPCA de 4,26% em 2025, abaixo do teto da meta. Ainda assim, pesquisa Genial/Quaest de janeiro revelou que 61% dos brasileiros consideram o poder de compra menor que há um ano, 58% veem alimentos mais caros no último mês e 43% avaliam que a economia piorou. A percepção negativa é mais aguda no Sul (52%) e no Sudeste (49%) Valor.

Essa insatisfação, porém, não nasce apenas da economia. Para o economista Alexandre Manoel, ex-secretário da Fazenda nos governos Temer e Bolsonaro, o voto de protesto reflete antes uma rejeição institucional — a colagem da imagem do governo às instabilidades no Supremo Tribunal Federal — do que uma avaliação estritamente econômica. Manoel reconhece o trabalho de recomposição da arrecadação feito por Fernando Haddad, mas cobra “ao menos um aceno para o lado das despesas” Veja.

O xadrez institucional ganhou peça nova na véspera da eleição: Jair Bolsonaro (PL) teve os direitos políticos suspensos após condenação criminal definitiva pelo STF a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista, transitada em julgado em novembro de 2025. A restrição impede o ex-presidente até de votar, diferentemente da inelegibilidade eleitoral de 2023 AC24horas.

O governo Lula 3 herda, portanto, um paradoxo: indicadores macroeconômicos favoráveis, mas uma sociedade que não os sente no bolso e um Congresso desenhado para frear expansões de gasto sem contrapartidas. A capacidade de entregar o ajuste fiscal prometido — sem o qual a trajetória da dívida pública se torna insustentável — dependerá menos da vontade do Planalto do que da habilidade de transformar 28 senadores de oposição em parceiros de negociação. A primeira votação da PEC do teto, em fevereiro, será o teste de fogo.

Fontes
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/o-que-esperar-do-quarto-governo-lula-congresso-ajuste-fiscal-e-promessas-no-radar/
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/01/20/percepcao-negativa-sobre-economia-e-desafio-para-lula.ghtml
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/lula-ignora-mercado-critica-estabilidade-fiscal-e-defende-ampliacao-de-gastos
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/bondades-de-lula-agrava-crises-economica-e-institucional-diz-pesquisador
  • veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/economia/a-insatisfacao-com-lula-e-institucional-nao-economica-diz-ex-secretario-de-temer-e-bolsonaro
  • ac24horas.com — https://ac24horas.com/2026/10/25/saiba-por-que-bolsonaro-nao-podera-votar-na-eleicao-de-2026/

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