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Haddad tenta transformar dados positivos em apoio popular

Ministro da Fazenda luta contra percepção negativa da economia que contradiz indicadores oficiais e ameaça projeto de reeleição.

Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica

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TL;DR · 4 min de leitura

Ministro da Fazenda luta contra percepção negativa da economia que contradiz indicadores oficiais e ameaça projeto de reeleição.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em janeiro mostra um abismo entre a realidade estatística e o sentimento do eleitor. O desemprego caiu a 5,2% em novembro, menor nível da série histórica do IBGE iniciada em 2012. A inflação fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta e no menor patamar desde 2018. Ainda assim, 61% dos entrevistados dizem que o poder de compra encolheu nos últimos doze meses e 58% afirmam que os alimentos ficaram mais caros no último mês Valor.

O ministro Fernando Haddad carrega o ônus de traduzir esses números em narrativa política. A tarefa não é técnica, é comunicacional. O governo lula 3 herdou a desconfiança do mercado financeiro desde a transição, quando declarações do presidente sobre “mudar conceitos” de responsabilidade fiscal derrubaram a bolsa e fizeram o dólar saltar 4,1% em um único dia BBC News Brasil. Essa memória ainda pesa nas expectativas de agentes econômicos e, por tabela, na formação da opinião pública.

A rejeição à percepção oficial não se distribui de forma uniforme. No Sul e no Sudeste, 52% e 49% respectivamente avaliam que a economia piorou. No Nordeste, reduto eleitoral tradicional do PT, 56% dizem que está mais difícil conseguir emprego — apesar de a taxa nacional indicar pleno emprego. O dado expõe uma fratura: o discurso de “país voltando a crescer” não chega à mesa de quem faz a feira semanal.

Inflação de alimentos explica parte do descompasso. O IPCA geral mascara a alta persistente de itens básicos, que pesam mais no orçamento das famílias de menor renda. Analistas ouvidos pelo Valor projetam que o índice de preços ceda pouco em 2026, mantendo a sensação de aperto. O equilíbrio das contas públicas, por sua vez, segue como variável de risco para os juros futuros Valor.

A polarização amplifica o efeito. Para Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec, a insegurança econômica se mistura a inseguranças de outras naturezas — violência, saúde, educação — criando um bloco de insatisfação resistente a dados positivos. O eleitor não separa a gestão da economia da avaliação geral do governo. Quando 43% dizem que a economia piorou, o número carrega também juízo sobre a direção do país.

O desafio de Haddad, portanto, extrapola a planilha. Exige uma estratégia de comunicação que reconheça a dor real do supermercado sem abrir mão da credibilidade fiscal conquistada a custo. O governo lula 2022 a 2026 apostou na expansão de programas de transferência de renda como ponte para a popularidade. Os números mostram que a ponte não está sendo atravessada.

O que vem a seguir? O calendário eleitoral não espera a convergência entre indicadores e percepção. Se a inflação de alimentos não ceder e o mercado de trabalho der sinais de arrefecimento — mesmo que marginal —, a janela para reverter o humor se fecha. A pergunta que fica é se a equipe econômica terá autonomia política para manter o curso ou cederá a pressões por medidas de efeito imediato, porém custo fiscal posterior.

Fontes
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/01/20/percepcao-negativa-sobre-economia-e-desafio-para-lula.ghtml
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64072279

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