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Brasilia 4 min de leitura

Mercado financeiro avalia gestão de Lula de forma negativa para 90% dos agentes

Dados da pesquisa Genial/Quaest mostram o isolamento do governo Lula perante o mercado financeiro, com 90% de avaliação negativa sobre a gestão econômica.

Por Marcelo Tavares · Editor-chefe

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TL;DR · 4 min de leitura

Dados da pesquisa Genial/Quaest mostram o isolamento do governo Lula perante o mercado financeiro, com 90% de avaliação negativa sobre a gestão econômica.

A percepção de risco e a desconfiança sobre a condução econômica do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva atingiram um patamar crítico. Segundo dados da pesquisa Genial/Quaest, a avaliação negativa do mercado financeiro sobre a gestão atual voltou ao pico de 90%. O número, que marca um retrocesso significativo, iguala o índice registrado no primeiro inquérito da consultoria, realizado ainda em março de 2023.

Apenas 3% dos agentes econômicos consultados veem com bons olhos o atual governo. Outros 7% classificam a atuação do presidente como regular. O cenário de desaprovação reflete um distanciamento crescente entre as promessas de responsabilidade fiscal e a realidade das contas públicas, que tem gerado incertezas sobre a sustentabilidade do arcabouço fiscal.

O isolamento do Executivo não é um fenômeno recente. Logo nos primeiros cem dias de mandato, o presidente já demonstrava resistência às críticas técnicas. Em reunião com ministros, Lula chegou a declarar que, se fosse governar pensando nas avaliações do mercado ou de organismos internacionais, seria melhor desistir da gestão. Essa postura de confronto com o setor produtivo e financeiro tem moldado a relação do governo com quem financia o país.

O descompasso entre o discurso e a prática

A deterioração da confiança começou a ganhar corpo após o período de otimismo em julho de 2023, quando a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal eram vistos como vetores de estabilidade. Desde então, o aumento dos gastos públicos tem corroído essa percepção. Mesmo com o anúncio de um pacote de contenção de gastos previsto para o biênio 2025-2026, o mercado reagiu com ceticismo.

De acordo com a CNN Brasil, o pacote fiscal foi mal recebido por ser considerado insuficiente. Além disso, a estratégia de anunciar cortes de gastos simultaneamente à proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi interpretada como um erro de sinalização econômica, misturando política assistencialista com necessidade de ajuste.

A dificuldade de articulação política

O problema não se restringe à economia. O governo Lula enfrenta um bloqueio institucional que trava pautas fundamentais para o crescimento. Atualmente, projetos prioritários como a PEC da Segurança Pública e o marco regulatório para minerais críticos encontram-se paralisados no Congresso. A falta de maioria parlamentar e a baixa capacidade de negociação do Palácio do Planalto têm deixado a agenda governamental em um limbo legislativo.

Conforme reportado pela Veja, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, exerce papel central nessa paralisia. A dificuldade de avançar em temas estruturantes impede que o governo transforme suas promessas de campanha em realidade jurídica, o que alimenta o ciclo de desconfiança do investidor.

O cenário de instabilidade política e externa

Somam-se a isso as críticas internacionais sobre a coerência da política externa brasileira. A revista britânica The Economist, em análise recente, classificou a postura de Lula como incoerente no exterior, apontando um alinhamento com regimes autoritários dentro do bloco Brics, o que pode afastar parcerias com democracias ocidentais tradicionais.

No plano interno, o clima de polarização permanece intenso. Enquanto o governo tenta focar em pautas de impacto eleitoral, o cenário político é atravessado por desdobramentos judiciais que envolvem a oposição. O monitoramento de figuras centrais da direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, continua a movimentar os bastidores do poder, mantendo o país em um estado de constante tensão política.

A trajetória do governo Lula 3 parece caminhar para um isolamento cada vez maior. Sem a capacidade de entregar equilíbrio fiscal e sem o apoio necessário no Congresso, o Executivo corre o risco de ver sua agenda de reformas ser substituída por uma gestão de crises constantes.

Perguntas Frequentes

Por que o mercado avalia o governo Lula negativamente? A avaliação negativa deve-se principalmente à preocupação com o aumento dos gastos públicos, à falta de clareza sobre o cumprimento das metas fiscais e à percepção de que as medidas de contenção de despesas são insuficientes.

O que é a pesquisa Quaest mencionada? É um levantamento realizado com economistas de fundos de investimento que mede a percepção de agentes econômicos sobre a gestão do governo federal.

Quais projetos do governo estão travados no Congresso? Entre os projetos paralisados estão a PEC da Segurança Pública, o marco regulatório de minerais críticos e a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1.

Como a política externa afeta a economia? A percepção de incoerência diplomática e o alinhamento com blocos liderados por regimes autoritários podem impactar a imagem do Brasil e a atração de investimentos estrangeiros.

Fontes
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
  • veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/brasil/agenda-travada-no-congresso-poe-no-limbo-projetos-prioritarios-do-governo-lula/
  • metropoles.com — https://www.metropoles.com/colunas/manoela-alcantara/da-tornozeleira-a-prisao-bolsonaro-completa-1-ano-com-medidas-restritivas-mas-influencia-mexe-com-eleicoes-2026

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