Reoneração gradual exige planejamento das empresas para 2026
Entenda o impacto da reoneração gradual da folha de pagamento e como o aumento da alíquota previdenciária em 2026 afeta o setor produtivo brasileiro.
Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica
Entenda o impacto da reoneração gradual da folha de pagamento e como o aumento da alíquota previdenciária em 2026 afeta o setor produtivo brasileiro.
As empresas de 17 setores estratégicos da economia brasileira enfrentam um cronograma de aumento de custos que exige atenção imediata. A transição para o modelo de reoneração gradual, estabelecida pela Lei 14.973/2024, impõe um ritmo de retorno da contribuição previdenciária sobre a folha de salários.
O planejamento tributário torna-se urgente diante da escalada de alíquotas. Em 2025, as organizações já deverão arcar com uma parcela da contribuição patronal, mas o salto mais significativo ocorrerá em 2026. Nesse ano, a alíquota sobre a folha subirá para 10%, o dobro do patamar previsto para o ano anterior.
Até o final de 2024, o modelo vigente permitia que essas empresas substituíssem a contribuição previdenciária tradicional de 20% sobre a folha por uma alíquota sobre a receita bruta, variando entre 1% e 4,5%. A mudança altera a lógica de custo fixo para uma composição híbrida que pressiona o caixa das companhias.
O impacto no emprego
A desoneração tem sido um pilar para a manutenção de postos de trabalho em setores intensivos em mão de obra. Segundo dados da ABES, apenas em janeiro de 2024, a política contribuiu para a criação de 80.975 novos empregos nos setores beneficiados. Esse crescimento superou o ritmo médio nacional no mesmo período.
Além da quantidade de vagas, a política influencia a qualidade da remuneração. Pesquisas indicam que o salário médio nos 17 setores desonerados chegou a ser 15,4% superior ao de setores que não contam com o benefício. Conforme noticiado pelo esquerda.blog, o debate sobre a manutenção desses incentivos divide opiniões no Congresso, mas os números de empregabilidade são um argumento central das associações patronais.
O cenário de incerteza
A dinâmica legislativa tem gerado instabilidade para o setor produtivo. A trajetória da medida passou por diversas alterações, desde a Lei 12.546 de 2011 até as recentes movimentações envolvendo a Medida Provisória 1.208/24. Essa volatilidade dificulta a projeção de investimentos de longo prazo pelas empresas.
De acordo com a Deel, a conformidade com a reoneração gradual é o principal desafio para a gestão financeira das empresas afetadas. O modelo atual busca equilibrar a necessidade de arrecadação do Estado com a manutenção da competitividade empresarial, mas o aumento da carga sobre a folha em 2026 coloca em xeque essa sustentabilidade.
Análise de mercado
A transição tributária ocorre em um momento de vigilância fiscal rigorosa. Enquanto o governo busca recompor as contas públicas, o setor produtivo alerta que o aumento do custo do trabalho pode desestimular a contratação formal. A substituição de um tributo sobre a receita por um sobre a folha altera o incentivo para a expansão de quadros de funcionários.
O risco para o empreendedor é a perda de competitividade frente ao mercado externo e a redução da capacidade de inovação. Como aponta a ADP, a compreensão dessas mudanças é crucial para que as empresas aproveitem as janelas de oportunidade antes que a carga tributária retorne aos níveis tradicionais.
O futuro da política fiscal
A questão que permanece é se o ritmo de reoneração proposto será compatível com a capacidade de geração de empregos do país. O aumento de 5% para 10% na alíquota da folha em 2026 será o teste definitivo para a eficácia da Lei 14.973/2024.
- deel.com — https://www.deel.com/pt/blog/como-fica-desoneracao-folha-de-pagamento-brasil
- abes.org.br — https://abes.org.br/dados-revelam-como-a-desoneracao-da-folha-gera-empregos-e-melhores-salarios
- br.adp.com — https://br.adp.com/conteudo/artigos-e-estudos/articles/d/desoneracao-da-folha-de-pagamento.aspx