Estatais federais acumulam déficit de R$ 18,48 bilhões no governo Lula
Déficit de R$ 18,48 bilhões em estatais federais pressiona o orçamento da União e evidencia falhas na supervisão ministerial, aponta auditoria do TCU.
Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista
Déficit de R$ 18,48 bilhões em estatais federais pressiona o orçamento da União e evidencia falhas na supervisão ministerial, aponta auditoria do TCU.
As empresas estatais federais não dependentes acumularam um déficit de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio de 2026. O dado, revelado por uma auditoria do Tribunal de Contas da União, marca uma inversão drástica em relação ao período entre 2019 e 2022, quando o mesmo grupo de empresas registrou um superávit de R$ 17,46 bilhões.
O conceito de estatais não dependentes refere-se a entidades que possuem capacidade de gerar receitas próprias para cobrir seus custos operacionais, sem recorrer ao Orçamento da União. O grupo inclui instituições como os Correios, a Infraero, a Eletronuclear e a Casa da Moeda. A deterioração desses resultados, conforme aponta a Gazeta do Povo, sinaliza uma perda de eficiência e de autonomia financeira dessas organizações.
O TCU destaca que a queda na capacidade de autofinanciamento dessas empresas tem exercido uma pressão direta sobre o esforço fiscal do governo. Segundo o órgão de controle, houve uma deficiência na supervisão ministerial, que falhou tanto na atuação preventiva quanto na indução de ajustes estruturais necessários para conter o prejuízo.
O contraste histórico é evidente. Durante o governo anterior, o conjunto de estatais não dependentes apresentou resultados positivos em 2019, 2021 e 2022. No atual mandato, o cenário é de déficits consecutivos: R$ 656 milhões em 2023, R$ 6,73 bilhões em 2024 e R$ 5,13 bilhões em 2025. Apenas nos primeiros cinco meses de 2026, o rombo já atingiu R$ 5,96 bilhões.
Impacto no Orçamento da União
A crise nas estatais não fica restrita aos balanços dessas empresas, pois o impacto transborda para as contas públicas. Dos R$ 3,29 bilhões que o governo precisou contingenciar até o quinto bimestre de 2025, cerca de 91% foram necessários para absorver o déficit dessas entidades. Essa necessidade de cobertura impõe restrições severas a outros órgãos e serviços essenciais.
O Programa de Dispêndios Globais reflete essa fragilidade. Mais da metade das 21 empresas que compõem o programa fecharam o ano de 2025 no vermelho. Entre os casos mais expressivos estão a Empresa Gerencial de Projetos Navais, com déficit de R$ 2,8 bilhões, os Correios, com perda de R$ 1 bilhão, a Empresa Gestora de Ativos, com R$ 791 milhões, e a Infraero, com R$ 775 milhões.
Perspectivas de longo prazo
A tendência de desequilíbrio parece estar institucionalizada. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027 projeta que as estatais federais não dependentes continuarão operando em déficit até o ano de 2030. Esse cenário de gastos crescentes ocorre em um momento de forte ceticismo por parte dos agentes econômicos. Segundo dados da CNN Brasil, a avaliação negativa do mercado financeiro sobre a gestão atual atingiu o patamar de 90% em pesquisas recentes.
O governo tem tentado justificar a política de gastos sob a ótica de uma dívida social. Em declarações passadas, o presidente afirmou que programas de políticas públicas são frequentemente rotulados de forma equivocada como meros gastos, defendendo que o país possui obrigações históricas a cumprir. No entanto, o mercado interpreta a condução fiscal como insuficiente para garantir a estabilidade necessária para o crescimento.
O descompasso entre a retórica governamental e a realidade contábil é um ponto de atenção para o investidor. Enquanto o Executivo busca espaço para novas despesas, as projeções do Relatório Focus indicam que o déficit nominal para 2026 deve subir para 8,78% do PIB. A dificuldade em equilibrar as contas das estatais, que deveriam ser fontes de receita, acaba por alimentar um ciclo de dependência e incerteza fiscal que compromete a previsibilidade econômica do país.
FAQ
O que são estatais não dependentes? São empresas públicas que geram receita suficiente para cobrir seus próprios custos e não precisam de repasses diretos do Orçamento da União para funcionar.
Qual o tamanho do prejuízo das estatais no governo atual? O déficit acumulado entre janeiro de 2023 e maio de 2026 é de R$ 18,48 bilhões.
Como o déficit das estatais afeta o cidadão? O rombo obriga o governo a fazer contingenciamentos, ou seja, bloqueios de verbas que poderiam ser usadas em outras áreas, como saúde, educação e segurança.
Quais empresas tiveram os maiores prejuízos? Destacam-se a Empresa Gerencial de Projetos Navais, os Correios, a Empresa Gestora de Ativos e a Infraero.
- tribunapr.com.br — https://www.tribunapr.com.br/noticias/economia/estatais-federais-acumulam-deficit-de-r-1848-bi-no-governo-lula/
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
- cartacapital.com.br — https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-volta-a-rebater-criticas-sobre-gastos-do-governo-e-diz-haver-uma-divida-social-impagavel
- bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
- jornalpp.com.br — https://jornalpp.com.br/noticias/economia/deficit-primario-do-setor-publico-em-2026-segue-em-050-do-pib/