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Haddad admite que indicadores positivos não traduzem aprovação de Lula

Indicadores macroeconômicos positivos do governo Lula não se traduzem em aprovação popular. Pesquisas mostram percepção negativa da economia entre a população e o mercado financeiro.

Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista

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TL;DR · 4 min de leitura

Indicadores macroeconômicos positivos do governo Lula não se traduzem em aprovação popular. Pesquisas mostram percepção negativa da economia entre a população e o mercado financeiro.

Mesmo com a taxa de desemprego em 5,2% — a menor da série histórica — e a inflação fechando 2025 em 4,26%, a maioria dos brasileiros ainda enxerga a economia de forma negativa. Segundo pesquisa Genial/Quaest, 61% dos entrevistados afirmam que o poder de compra está menor do que há um ano, enquanto 58% consideram os alimentos mais caros no último mês.

Essa percepção contrasta com os números oficiais. A economia cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, segundo dados do IBGE. Além disso, 17,5 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2022 e 2024. Apesar disso, 44% dos entrevistados na pesquisa de junho afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses, contra apenas 20% que veem melhora.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconhece essa desconexão. Em recente entrevista, admitiu que os indicadores positivos não se traduzem automaticamente em aprovação do governo. Para ele, fatores como a persistência dos preços altos e a frustração de uma geração escolarizada sem empregos compatíveis explicam parte dessa percepção negativa.

A reação do mercado financeiro também reflete essa desconfiança. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 90% dos agentes econômicos têm avaliação negativa sobre o governo Lula, com apenas 3% considerando a gestão positiva. Apesar disso, a equipe econômica, especialmente Haddad, mantém certa credibilidade, com 49% dos entrevistados reconhecendo seu trabalho.

Contexto histórico Essa desconexão entre dados macroeconômicos e percepção de bem-estar não é nova. Durante os primeiros governos Lula (2003-2010), o país vivia um ciclo de crescimento com forte inclusão social. Hoje, apesar de indicadores semelhantes, a população exige mais transparência e resultados tangíveis no dia a dia.

Além disso, o ciclo de mobilidade social dos anos 2000 ainda pesa na memória coletiva. A comparação com aquele período, quando a classe média expandia-se rapidamente, dificulta a aceitação de um cenário mais modulado, mesmo que os números oficiais sejam positivos.

Mudanças no comportamento do consumidor também influenciam essa percepção. Com o aumento do acesso às redes sociais, as pessoas estão mais expostas ao padrão de vida de classes mais altas, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso alimenta a sensação de que o próprio país não está evoluindo ao mesmo ritmo.

O caminho à frente Com as eleições de 2026 em andamento, a percepção da economia será um fator decisivo. Enquanto o governo tenta equilibrar as contas públicas e manter o crescimento, a população e o mercado observam de perto cada movimento. A pergunta que fica é: será que os números positivos conseguem reverter a narrativa negativa antes das urnas?

FAQ

Por que a aprovação de Lula é baixa mesmo com indicadores econômicos positivos?

A percepção da população é influenciada por fatores como a inflação persistente, a dificuldade de encontrar empregos adequados e a comparação com governos anteriores, especialmente os primeiros mandatos de Lula.

Qual a avaliação do mercado financeiro sobre o governo Lula?

Segundo pesquisa Genial/Quaest, 90% dos agentes econômicos têm avaliação negativa sobre o governo Lula, com apenas 3% considerando a gestão positiva.

O que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz sobre essa desconexão?

Haddad admite que os indicadores positivos não se traduzem automaticamente em aprovação do governo, destacando fatores como a persistência dos preços altos e a frustração de uma geração sem empregos compatíveis.

Como a inflação afeta a percepção da economia?

Apesar de a inflação ter fechado 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta, os preços dos alimentos e outros bens essenciais continuam altos, alimentando a sensação de que o poder de compra está menor.

Fontes
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/01/20/percepcao-negativa-sobre-economia-e-desafio-para-lula.ghtml
  • maisretorno.com — https://maisretorno.com/portal/transicao-novo-governo-lula-devera-ser-marcado-por-politica-economica-responsavel-apontam-gestores
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjdgzzj25nro
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
  • br.jetss.com — https://br.jetss.com/2026/10/04/eleicoes-podem-ampliar-influencia-da-familia-bolsonaro-no-congresso-e-alterar-perfil-do-stf/
  • veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/politica/eleicoes-2026-o-numero-de-cada-candidato-a-presidencia-da-republica/

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