Avaliação negativa do STF atinge 47% e marca pior índice desde 2019
Novo levantamento do Datafolha revela queda na confiança popular sobre o STF, atingindo o patamar mais crítico desde o início da série histórica em 2019.
Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica
Novo levantamento do Datafolha revela queda na confiança popular sobre o STF, atingindo o patamar mais crítico desde o início da série histórica em 2019.
A confiança da população brasileira nas instituições de cúpula do Judiciário sofreu um novo e expressivo revés. Segundo levantamento divulgado pelo instituto Datafolha no último sábado, a avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 47% dos entrevistados. O índice, que classifica o desempenho da Corte como ruim ou péssimo, representa o pior resultado registrado desde o início da série histórica do instituto, em 2019.
O aumento na insatisfação é nítido quando comparado ao levantamento de maio do ano passado. Naquela ocasião, o percentual de brasileiros que criticavam a atuação do tribunal era de 40%. O salto de 7 pontos percentuais consolida uma tendência de erosão da credibilidade da Suprema Corte perante o eleitorado, refletindo um descontentamento crescente com as condutas e decisões proferidas pelos ministros em esferas tanto judiciais quanto administrativas.
O cenário de desconfiança não se restringe apenas ao Judiciário. O Congresso Nacional também enfrenta um momento de baixa aprovação, com 37% dos entrevistados classificando o desempenho dos parlamentares como ruim ou péssimo. Apenas 18% dos brasileiros avaliam o Legislativo de forma positiva, enquanto uma parcela de 40% mantém uma visão intermediária, classificando a atuação dos congressistas como regular.
A polarização política também desenha o mapa da percepção sobre o STF. Entre os eleitores do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a visão sobre a Corte é mais favorável, com 32% de aprovação contra 24% de rejeição. Em contrapartida, o apoio a figuras da oposição tende a coincidir com uma visão mais crítica sobre o papel do tribunal na condução institucional do país.
Crise de confiança e o peso das decisões
A escalada da rejeição ao STF ocorre em um momento de alta tensão política e institucional. Decisões que interferem diretamente no equilíbrio entre os poderes e na dinâmica das eleições têm alimentado o debate público. Um exemplo recente foi a determinação do ministro Dias Toffoli, que ordenou a retirada da Federação PSDB/Cidadania da coligação de Raquel Lyra em Pernambuco, alterando o tempo de propaganda eleitoral no estado.
Essa atuação do Supremo em questões que tangenciam o processo eleitoral é um dos pontos que geram atrito com setores que defendem a autonomia das legendas e o respeito às regras internas das federações. Para o investidor e para o cidadão que busca estabilidade, o ativismo judicial é frequentemente lido como um fator de incerteza jurídica, o que pode impactar o ambiente de negócios e a previsibilidade das regras do jogo.
O descontentamento com as instituições ocorre simultaneamente a um período de forte pressão sobre a gestão econômica. Enquanto o mercado exige responsabilidade fiscal, o governo tem adotado um tom de confronto. O presidente Lula tem criticado abertamente as exigências de ajuste, afirmando que é necessário gastar para promover melhorias sociais. Essa postura gera ruídos constantes com o setor produtivo e com o mercado financeiro.
O governo lula 2026 enfrenta o desafio de equilibrar as expectativas de crescimento com a necessidade de manter a confiança dos agentes econômicos. Em declarações passadas, o presidente chegou a classificar como uma indústria de desconfiança as notícias sobre o déficit fiscal, tentando desviar o foco da necessidade de contenção de gastos. No entanto, para o contribuinte, a percepção de descontrole nas contas públicas soma-se à sensação de insegurança institucional provocada pelas decisões do STF.
O que esperar para o futuro próximo
A proximidade das eleições gerais de 4 de outubro deve intensificar o papel do Judiciário e do Legislativo nos debates nacionais. Com o eleitorado atento ao cumprimento das regras e à integridade das instituições, o STF terá o desafio de reverter a queda de popularidade sem comprometer sua independência. A pergunta que fica para o próximo ciclo é se as instituições conseguirão recuperar a confiança perdida ou se a fragmentação da percepção pública se tornará um traço permanente da política brasileira.
FAQ
Qual é a porcentagem de rejeição ao STF segundo o Datafolha? A avaliação negativa do STF chegou a 47%, sendo o índice mais alto desde 2019.
Como está a aprovação do Congresso Nacional? Apenas 18% dos entrevistados avaliam o Congresso como bom ou ótimo, enquanto 37% o consideram ruim ou péssimo.
O que causou o aumento da avaliação negativa do STF? A pesquisa indica que a alta reflete a insatisfação popular com as decisões e condutas dos ministros em funções judiciais e administrativas.
- br.jetss.com — https://br.jetss.com/2026/09/27/datafolha-avaliacao-negativa-do-stf-chega-a-47-pior-indice-desde-2019/
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/30/lula-critica-mercado-e-diz-que-e-preciso-gastar-dinheiro-para-melhorar-as-coisas.ghtml
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/lula-critica-industria-de-jogar-desconfianca-sobre-politica-fiscal-do-governo
- tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
- diariodepernambuco.com.br — https://www.diariodepernambuco.com.br/politica/2026/09/11725058-stf-determina-retirada-da-federacao-psdb-cidadania-da-coligacao-de-raquel-que-vai-recorrer.html
- jovempan.com.br — https://jovempan.com.br/politica/eleicoes-2026-confira-documentos-horarios-ordem-de-votacao-e-regras/