Avaliação negativa do governo Lula atinge 90% do mercado, mostra pesquisa Quaest
O levantamento Quaest/Genial mostra que o descrédito do mercado em relação ao governo Lula atingiu 90%, refletindo preocupações com a política fiscal e o cenário econômico.
Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica
O levantamento Quaest/Genial mostra que o descrédito do mercado em relação ao governo Lula atingiu 90%, refletindo preocupações com a política fiscal e o cenário econômico.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada esta semana mostra que 90% dos agentes financeiros avaliam o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de forma negativa, com apenas 3% positivos e 7% regulares. O patamar de desaprovação, registrado pela primeira vez em março de 2023, tem se mantido próximo do topo desde então, contrastando com a confiança mais elevada captada em meados de 2023, quando o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária avançavam no Congresso.
O levantamento ouviu economistas de 105 fundos de investimento em São Paulo e Rio de Janeiro entre 29 de novembro e 3 de dezembro. Além do índice geral de desaprovação, a sondagem indica que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, desfruta de uma avaliação mais equilibrada, com inclinação para o lado positivo, mesmo em meio ao clima geral de pessimismo. A percepção mais favorável em relação a Haddad contrasta com a visão crítica sobre a direção geral da política econômica do governo.
Lula tem alertado que o mercado não pode ditar todos os passos da administração. Em um discurso proferido em abril de 2023 e registrado pelo O Globo, o presidente afirmou que “se a gente for governar pensando nisso, é melhor desistir”. Para ele, o barulho dos mercados seria um sinal de que o governo estava no caminho certo, ainda que incômodo.
Recentemente, o Executivo anunciou um pacote de contenção de gastos de mais de R$ 70 bilhões para 2025‑2026. O mercado, porém, considerou as medidas insuficientes e criticou o anúncio simultâneo de um corte do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, classificando a combinação como um erro de cálculo. A avaliação negativa do pacote fiscal foi destacada pelo CartaCapital ao abordar a reação de agentes financeiros.
A desaprovação também se intensifica em um cenário de mudanças na Previdência. Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal e exceções criadas pelo Congresso para categorias como profissionais de saúde enfraqueceram a reforma de 2019 e aceleraram o crescimento das despesas previdenciárias. Economistas alertam que o envelhecimento populacional e o aumento da informalidade pressionam ainda mais as contas públicas, um tema abordado pelo Tribuna PR em análise sobre o déficit crescente.
No cenário internacional, a postura de Lula tem sido questionada. A revista britânica The Economist descreveu o presidente como “incoerente no exterior” e “impopular no Brasil”, destacando a aproximação com o Irã dentro do bloco BRICS e a falta de um encontro pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reportagem foi repercutida pelo BBC e reforça a imagem de um governo que enfrenta resistência tanto internamente quanto além‑fronteiras.
Historicamente, o primeiro governo Lula (2003‑2010) gozou de ampla confiança do mercado, impulsionada por um ajuste fiscal robusto e por um crescimento econômico sustentado. O terceiro mandato, porém, ocorre em um contexto político mais fragmentado, com um Congresso dividido e pressões de bases ideológicas que limitam a capacidade de implementar reformas profundas. A desaprovação atual pode antecipar um desgaste ainda maior antes do ciclo eleitoral de 2026, caso o governo não consiga reverter a percepção de instabilidade fiscal.
O que o governo pode fazer para recuperar a confiança do mercado? A pesquisa Quaest sugere que a população financeira está atenta a sinais concretos de responsabilidade fiscal, e não apenas a anúncios. Medidas que demonstrem um controle real das contas públicas, aliadas a uma comunicação clara sobre os objetivos de longo prazo, poderão começar a reverter o índice de 90% de desaprovação.
Perguntas frequentes
- O que a pesquisa Quaest/Genial mede exatamente?
- Por que a desaprovação do mercado atingiu 90% justamente em dezembro de 2026?
- Como a avaliação de Fernando Haddad difere da percepção geral sobre o governo Lula?
- Quais são as implicações do pacote fiscal de R$ 70 bilhões para as contas públicas?
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
- investnews.com.br — https://investnews.com.br/economia/lula-diz-que-criticas-de-mercado-e-a-esquerda-o-farao-governar-pelo-centro
- cartacapital.com.br — https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-volta-a-rebater-criticas-sobre-gastos-do-governo-e-diz-haver-uma-divida-social-impagavel
- bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
- tribunapr.com.br — https://www.tribunapr.com.br/noticias/economia/brasil-discute-nova-reforma-da-previdencia-apos-mudancas-no-stf/