MP pede ao TCU investigação sobre déficit de R$ 142 bi e risco eleitoral nas contas
Subprocurador Lucas Rocha Furtado solicita acompanhamento específico das contas federais após resultado negativo de R$ 44,4 bi nos cinco primeiros meses de 2026.
Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica
Subprocurador Lucas Rocha Furtado solicita acompanhamento específico das contas federais após resultado negativo de R$ 44,4 bi nos cinco primeiros meses de 2026.
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União protocolou representação pedindo a abertura de investigação sobre a deterioração das contas públicas federais. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado quer apurar se a proximidade das eleições de 2026 influenciou o aumento das despesas e o agravamento do déficit primário, que atingiu R$ 142,3 bilhões em 12 meses — o equivalente a 1,06% do PIB VGN.
O documento foi encaminhado ao presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, na última quarta-feira. A representação cita dados do Tesouro Nacional: apenas em maio, o governo central registrou déficit primário de R$ 53,257 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, o rombo chegou a R$ 44,385 bilhões, revertendo o superávit de R$ 32,94 bilhões observado no mesmo período de 2025 Poder360.
Foi o pior resultado para o intervalo desde 2020, ano marcado pelos gastos extraordinários da pandemia. O governo central reúne Tesouro, Banco Central e Previdência Social; o resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas, sem contar juros da dívida.
A reação do mercado Furtado reconhece que fatores de calendário, como a antecipação do pagamento de precatórios, podem explicar parte da piora. Argumenta, porém, que esses elementos não afastam a magnitude do desequilíbrio nem a necessidade de fiscalização. O quadro indica reversão de superávit para déficit em curto espaço de tempo, com despesas crescendo acima das receitas e concentração da expansão em gastos obrigatórios de difícil reversão.
A avaliação negativa do mercado financeiro sobre a gestão econômica voltou a 90% em dezembro de 2024, segundo pesquisa Genial/Quaest — mesmo patamar do início do mandato CNN Brasil. O pacote de contenção anunciado em novembro, com economia prevista de R$ 70 bilhões para 2025-2026, foi considerado insuficiente e ofuscado pela simultânea promessa de isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil.
O subprocurador destaca que a deterioração fiscal não é problema “meramente contábil”. Déficits primários sucessivos pressionam a dívida pública, elevam o custo de financiamento e reduzem o espaço para investimentos. A percepção de piora econômica alcança 50% da população, enquanto 71% relatam perda de poder de compra — fenômeno que economistas chamam de “vibe de recessão”, uma desconexão entre números oficiais e a realidade sentida nas famílias Veja.
O que está em jogo agora é a capacidade do TCU de impor transparência a um ciclo que se repete: anos eleitorais historicamente correlacionados com expansão de gastos discricionários e pressão sobre a meta fiscal. A investigação pode estabelecer parâmetros para separar o que é sazonalidade do que é escolha política deliberada.
O relator no TCU ainda não foi definido. A corte tem poder para recomendar ajustes, determinar auditorias e, em última instância, subsidiar processos de responsabilidade fiscal. O prazo para resposta do governo não foi divulgado.
Perguntas frequentes
O que motivou o pedido de investigação ao TCU? O déficit primário acumulado em 12 meses atingiu R$ 142,3 bilhões (1,06% do PIB), com reversão de superávit para déficit nos cinco primeiros meses de 2026 — pior resultado para o período desde 2020.
Quem assina a representação? O subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado. O documento foi encaminhado ao presidente da corte, ministro Vital do Rêgo.
O ano eleitoral de 2026 já está afetando as contas? A representação aponta indícios de que a proximidade das eleições pode ter contribuído para a expansão de despesas, mas o TCU ainda vai analisar se há nexo causal direto ou se fatores como precatórios explicam a piora.
Quais as consequências práticas se o TCU confirmar irregularidades? A corte pode recomendar cortes, determinar auditorias específicas e encaminhar achados para órgãos de controle e ao Congresso, subsidiando eventuais processos de responsabilidade fiscal.
- vgnoticias.com.br — https://www.vgnoticias.com.br/vgnjur/mp-ve-risco-eleitoral-nas-contas-publicas-e-pede-investigacao-sobre-deficit-de-r-142-bilhoes/148642
- tudooknoticias.com.br — https://tudooknoticias.com.br/destaque/o-fracasso-do-governo-lula-e-a-critica-a-gestao-economica
- cbn.globo.com — https://cbn.globo.com/politica/noticia/2024/12/05/lula-critica-mercado-e-diz-que-economia-pode-crescer-ate-4percent-em-2024.ghtml
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
- veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/economia/nao-e-o-endividamento-que-piora-o-desempenho-do-governo
- poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-economia/mp-pede-que-tcu-avalie-se-ano-eleitoral-agravou-deficit-do-governo/