Dólar | Selic | IBOV
Brasilia 4 min de leitura

90% do mercado avalia Lula negativamente, aponta pesquisa

Pesquisa revela que 90% do mercado financeiro avalia negativamente o governo Lula, refletindo desconfiança em relação a políticas fiscais e à inflação.

Por Marcelo Tavares · Editor-chefe

Compartilhar:
TL;DR · 4 min de leitura

Pesquisa revela que 90% do mercado financeiro avalia negativamente o governo Lula, refletindo desconfiança em relação a políticas fiscais e à inflação.

Em dezembro, a pesquisa Quaest/Genial revelou que 90% dos agentes econômicos avaliam negativamente o governo Lula 3, enquanto apenas 3% o veem positivo. A avaliação negativa atingiu o pico já em março de 2023, no início do mandato, e tem se mantido estável desde então. A pesquisa, realizada entre 29 de novembro e 3 de dezembro, contou com a participação de 105 fundos de investimento em São Paulo e no Rio de Janeiro, evidenciando a percepção de risco entre os investidores.

O CME, que acompanha a evolução das contas públicas, destaca que a avaliação do mercado sobre o trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é mais positiva que negativa. No entanto, a percepção geral sobre a gestão do presidente permanece crítica, sobretudo em relação a questões fiscais e de inflação.

Segundo o relatório, o melhor momento da pesquisa ocorreu em julho de 2023, quando o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária estavam prestes a ser aprovados no Congresso. A proposta, que visava simplificar o sistema tributário, era vista como um potencial impulsionador da economia brasileira. Contudo, a partir de então, a deterioração das contas públicas e a percepção de que o governo não conseguiu conter a inflação têm piorado a avaliação do mercado.

Em novembro, o governo anunciou um conjunto de medidas de contenção de gastos, com previsão de mais de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026. O pacote fiscal, no entanto, foi mal recebido pelos investidores, que consideraram as medidas insuficientes e criticaram a simultaneidade do anúncio com a isenção do Imposto de Renda para contribuintes que ganham até R$ 5 mil. A crítica aponta que a combinação de medidas de contenção de gastos e de estímulo fiscal pode ter gerado insegurança sobre a trajetória da inflação.

A análise de especialistas aponta que a percepção negativa do mercado não se deve apenas a políticas fiscais, mas também a fatores estruturais, como o aumento do custo de vida e a alta nos preços de combustíveis. Em março de 2026, o presidente Lula afirmou que a situação econômica é boa, mas que a percepção da sociedade ainda não é boa. O comentário veio em meio a um cenário de alta no preço do combustível, gerada pelo aumento do valor do petróleo devido à guerra no Irã.

O contexto histórico reforça a preocupação dos investidores. O governo Lula 3 tem enfrentado um aumento significativo no custo de vida, refletido em preços nas prateleiras e nas tarifas de serviços. A tentativa de equilibrar políticas que agradem tanto a base de esquerda do PT quanto o mercado financeiro tem gerado críticas de técnicos e economistas, que argumentam que uma alta carga tributária sobre empresas pode desencorajar investimentos e prejudicar o crescimento econômico.

A crítica ao governo Lula também se estende ao ministro da Fazenda, que tem tentado conciliar seu papel com as demandas do mercado e do partido. A falta de coragem para cortar subsídios e benefícios tem sido apontada como um erro de gestão, que resultou em políticas inconclusivas e em um ambiente de incerteza para os investidores.

Em meio a esse cenário, o mercado continua a avaliar o governo Lula 3 com cautela. A percepção negativa, que já atingiu 90% em dezembro, indica que os investidores permanecem preocupados com a trajetória fiscal e a inflação. A avaliação do mercado pode influenciar a confiança dos investidores e, consequentemente, a taxa de juros e o custo de captação do governo.

O futuro do governo Lula 3 dependerá de sua capacidade de demonstrar disciplina fiscal e de reduzir a percepção de risco entre os investidores. Se o governo conseguir apresentar medidas concretas de contenção de gastos e de redução da inflação, a avaliação do mercado pode melhorar, trazendo maior confiança ao ambiente de negócios. Caso contrário, a percepção negativa pode se consolidar, afetando a credibilidade do governo e a estabilidade econômica do país.


FAQ

  1. Por que o mercado avalia negativamente o governo Lula 3?
  2. Quais são as principais críticas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad?
  3. Como o pacote fiscal anunciado em novembro afetou a percepção do mercado?
  4. O que o governo pode fazer para melhorar a avaliação do mercado?
Fontes
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
  • tudooknoticias.com.br — https://tudooknoticias.com.br/destaque/o-fracasso-do-governo-lula-e-a-critica-a-gestao-economica
  • investnews.com.br — https://investnews.com.br/economia/lula-diz-que-criticas-de-mercado-e-a-esquerda-o-farao-governar-pelo-centro
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/07/04/analise-a-90-dias-da-eleicao-erros-da-oposicao-favorecem-lula.ghtml

Artigos relacionados