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Governo registra déficit primário de R$ 53,3 bilhões em maio de 2026

Análise do déficit recorde de maio, do aumento dos gastos públicos e da persistente desconfiança do mercado em relação às políticas fiscais do governo Lula.

Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica

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TL;DR · 4 min de leitura

Análise do déficit recorde de maio, do aumento dos gastos públicos e da persistente desconfiança do mercado em relação às políticas fiscais do governo Lula.

As contas do governo central fecharam maio de 2026 com um déficit primário de R$ 53,3 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado representa o pior desempenho para o mês desde 2024, em termos corrigidos pela inflação, e mostra que as despesas continuam a superar as receitas. Apesar do rombo, a arrecadação federal atingiu R$ 266,8 bilhões, o maior valor para meses de maio desde 2000, de acordo com a Receita Federal.

O aumento dos gastos foi o principal fator por trás do resultado negativo. As despesas discricionárias cresceram R$ 16,7 bilhões em termos reais, enquanto o custeio administrativo subiu 19,7% e os benefícios previdenciários aumentaram R$ 4,9 bilhões na comparação anual. O ritmo de expansão dos gastos superou o das receitas, que avançaram 5,5% acima da inflação, bem abaixo do crescimento de 9,4% das despesas.

Entre os tributos, a CSLL registrou alta de 36,7%, o IOF subiu 30,4% e as receitas de royalties do petróleo cresceram 45,5% na mesma base. Ainda assim, os dividendos recebidos de estatais caíram, refletindo a tensão entre o governo e as empresas públicas. O déficit acumulado em 12 meses atingiu R$ 142,3 bilhões, equivalendo a 1,06% do PIB, o que mantém a pressão sobre o cumprimento das metas fiscais.

A reação do mercado continua extremamente negativa. Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em dezembro mostrou que 90% dos agentes financeiros avaliam o governo Lula de forma desfavorável, o patamar mais alto desde o início do terceiro mandato. O presidente, porém, rebateu as críticas ao afirmar que o mercado cria uma narrativa de que qualquer despesa que não seja pagamento de juros é um problema, e defendeu que o Estado tem o dever de cuidar dos mais necessitados. A avaliação do ministro Haddad, no entanto, ainda é mais positiva do que negativa entre os investidores.

O cenário de intervencionismo também tem gerado atrito com o setor privado. A disputa em torno dos dividendos extraordinários da Petrobras, avaliados em R$ 49 bilhões, colocou em rota de colisão o presidente da estatal, Jean Paul Prates, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Após uma reunião com Lula, os ministros sinalizaram que a decisão poderia ser revista, mas o presidente continuou a defender a retenção dos recursos, o que causou mais perdas de valor de mercado para a empresa.

Do ponto de vista fiscal, o pacote de contenção de gastos anunciado pelo governo no fim de 2025, que prevê uma economia de mais de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026, foi recebido com ceticismo. Economistas argumentam que as medidas são insuficientes para reverter a deterioração das contas públicas, especialmente diante do aumento contínuo das despesas obrigatórias. O debate sobre o equilíbrio entre investimento social e responsabilidade fiscal continua acirrado, com o governo insistindo na necessidade de cumprir promessas de campanha e o mercado cobrando maior disciplina.

O que o leitor precisa saber:

O déficit primário de maio supera o resultado de R$ 40,2 bilhões registrado em maio de 2025, indicando uma piora nas finanças públicas. A arrecadação recorde de R$ 266,8 bilhões mostra que a receita está em alta, mas os gastos crescem em ritmo ainda mais acelerado. A avaliação negativa de 90% do mercado reflete a perda de confiança em relação à capacidade do governo de controlar as contas. A retenção de dividendos da Petrobras e as declarações de Lula sobre a “dívida social impagável” evidenciam a tensão entre o intervencionismo estatal e as expectativas do setor privado. O pacote fiscal anunciado em 2025 é visto como insuficiente para reverter a deterioração das contas, o que pode levar a novas medidas de austeridade ou a ajustes no arcabouço fiscal.

Perguntas frequentes:

Por que o déficit primário de maio é considerado tão preocupante?

O resultado de R$ 53,3 bilhões é o pior para o mês desde 2024, indicando que as despesas continuam a superar as receitas mesmo com a alta da arrecadação. O déficit acumulado em 12 meses já equivale a 1,06% do PIB, o que aumenta a pressão sobre o cumprimento das metas fiscais estabelecidas pelo governo.

Como a arrecadação recorde de R$ 266,8 bilhões se relaciona com o déficit?

Apesar do aumento histórico na receita, os gastos cresceram mais rapidamente, com as despesas discricionárias subindo R$ 16,7 bilhões e o custeio administrativo 19,7% acima do ano anterior. A disparidade entre o ritmo de expansão das despesas e das receitas explica por que o déficit continua elevado.

Qual é o impacto da avaliação negativa de 90% do mercado sobre a economia?

Uma avaliação tão desfavorável pode elevar o custo de financiamento do governo, reduzir investimentos privados e enfraquecer a confiança dos consumidores. O cenário também aumenta o risco de novas medidas de ajuste fiscal, que podem afetar programas sociais e o crescimento econômico no curto prazo.

Por que a disputa sobre os dividendos da Petrobras é relevante para as finanças públicas?

Os dividendos retidos pela Petrobras representam uma fonte potencial de recursos para o Tesouro. A decisão de reter R$ 49 bilhões, justificada pelo governo como necessária para investimentos, reduz a arrecadação direta e aumenta o debate sobre o papel das estatais na política fiscal do país.

Tags: [governo lula], [governo lula 3], [déficit primário], [arrecadação], [mercado financeiro]

Fontes
  • diariodigital.com.br — https://www.diariodigital.com.br/economia/governo-registra-deficit-primario-de-r-53-3-bilhoes-em-maio
  • istoedinheiro.com.br — https://istoedinheiro.com.br/lula-critica-mercado-por
  • tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
  • cartacapital.com.br — https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-volta-a-rebater-criticas-sobre-gastos-do-governo-e-diz-haver-uma-divida-social-impagavel
  • ndmais.com.br — https://ndmais.com.br/economia/contas-do-governo-federal-fecham-maio-com-deficit-de-r-533-bilhoes/

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