Rombo fiscal de maio cresce 26,3% para R$ 53,3 bilhões
Deficit fiscal cresce 26,3% em maio de 2026, atingindo R$ 53,3 bilhões, com destaque para o aumento de gastos discricionários e a Previdência Social como principal fator.
Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista
Deficit fiscal cresce 26,3% em maio de 2026, atingindo R$ 53,3 bilhões, com destaque para o aumento de gastos discricionários e a Previdência Social como principal fator.
O governo federal encerrou maio com déficit primário de R$ 53,3 bilhões, um aumento de 26,3% em relação a maio de 2025, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados na segunda-feira. O resultado, considerado o pior para o mês desde 2024, reflete desequilíbrio entre receitas e despesas, com os gastos crescendo 9,4% em termos reais enquanto as receitas subiram 5,5%.
A Previdência Social foi o principal responsável pelo déficit, registrando R$ 60,7 bilhões em déficit, 3,1% acima do mesmo período de 2025. Esse valor supera o déficit total do Tesouro e do Banco Central combinados, que mantiveram superávit de R$ 7,4 bilhões. A carga previdenciária cresceu 3,1% em relação a 2025, pressionada por benefícios e precatórios pagos em maio.
Enquanto a receita líquida do governo federal atingiu R$ 197,9 bilhões em maio, um crescimento de 5,5% em termos reais, as despesas subiram para R$ 251,2 bilhões, um avanço de 9,4%. O aumento das despesas discricionárias, que incluem custeio da máquina pública e investimentos, foi o principal motor do déficit, crescendo R$ 16,7 bilhões em relação a 2025. Investimentos também dispararam 73,9% em termos reais, enquanto o custeio administrativo avançou 19,7%.
O desempenho fiscal contrasta com as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em abril destacou a perspectiva de crescimento econômico de 3,8% para 2026. Em entrevista, Lula afirmou que ‘o Brasil hoje está infinitamente melhor do que nós pegamos’, citando crescimento de 3,5% em 2024 e 3,2% em 2023. No entanto, os dados de maio sugerem que a pressão fiscal pode limitar a execução de políticas expansivas.
O contexto histórico revela que governos do PT, como o de 2003 a 2010, enfrentaram desafios fiscais semelhantes, especialmente na gestão da Previdência. Na época, o déficit primário médio era de 3,5% do PIB, enquanto em 2026 o valor já atinge 2,4% do PIB, segundo estimativas do Banco Central. A diferença está na magnitude absoluta: em 2003, o déficit era de R$ 12 bilhões, enquanto em 2026 é R$ 53,3 bilhões.
A alta dos juros em 2025, que atingiu 13,75% ao ano, pode estar influenciando a alocação de recursos. Com a dívida pública crescendo 12% no ano passado, o governo enfrenta custos maiores com juros, mesmo que o déficit primário não inclua esse item. A pressão sobre a dívida pode forçar ajustes futuros, especialmente se a inflação persistir.
A arrecadação fiscal em maio foi recorde, com R$ 266,8 bilhões em impostos e contribuições. A CSLL teve alta de 36,7%, o IOF cresceu 30,4% e os royalties do petróleo avançaram 84,5%. No entanto, os dividendos de empresas estatais caíram 40% em relação a 2025, impactando negativamente a arrecadação.
A questão do déficit vai além dos números: representa um desafio para a credibilidade fiscal do governo. Com o mercado já alertando sobre riscos de descontrole, a manutenção de déficits elevados pode elevar a dívida pública e aumentar a pressão por reformas estruturais. O arcabouço fiscal proposto pelo governo, que inclui limites de gastos, será testado no Congresso, onde o PT enfrenta resistência de setores que defendem mais flexibilidade.
A reação do mercado financeiro será crucial. Embora o Tesouro e o Banco Central mantenham superávit, o déficit da Previdência pode gerar incerteza sobre a capacidade do governo de cumprir compromissos. Investidores estrangeiros, que detêm 35% da dívida pública, podem exigir ajustes fiscais mais rigorosos.
Lula, em declarações anteriores, minimizou a preocupação do mercado com governos do PT. Em janeiro, afirmou que ‘o mercado não tem coração’ e que o governo tem obrigação de cuidar dos mais necessitados. No entanto, a realidade fiscal sugere que a narrativa de ‘gastos necessários’ enfrenta limites, especialmente com a dívida em alta e a inflação controlada.
A longo prazo, o déficit de maio pode impactar a capacidade do governo de investir em prioridades como educação e saúde. Com receitas crescendo 5,5% e despesas 9,4%, a margem para novos programas é limitada. A reforma tributária, que Lula defende, pode ser uma solução, mas enfrenta resistência política e técnica.
O déficit também levanta questões sobre a gestão da dívida. Com a dívida pública crescendo 12% em 2025, o governo precisa equilibrar entre financiar despesas e reduzir a carga de juros. A alta dos juros em 2025, que atingiu 13,75% ao ano, pode ser um fator limitante para futuros investimentos.
A comparação com governos anteriores do PT é relevante. Em 2003, o déficit primário era de 3,5% do PIB, enquanto em 2026 atinge 2,4%. No entanto, a dívida pública em 2026 é 2,5 vezes maior que em 2003, em termos absolutos. Isso sugere que, embora a proporção do déficit em relação ao PIB seja menor, o impacto real é maior devido ao tamanho da dívida.
A questão da Previdência Social é central. Com R$ 60,7 bilhões em déficit, o setor enfrenta pressão por reformas. O governo já anunciou discussões sobre a reforma, mas o timing e o escopo serão determinantes. A alta dos custos previdenciários, impulsionada por benefícios e precatórios, exige ajustes estruturais.
A resposta do Congresso será decisiva. Com o arcabouço fiscal a ser enviado ao Legislativo em abril, o governo precisa de maioria absoluta para aprovar o texto. O PT enfrenta resistência de setores que defendem mais flexibilidade, especialmente na Previdência. A negociação entre Executivo e Legislativo será crítica para evitar bloqueios.
A longo prazo, o déficit de maio pode ter implicações para a estabilidade macroeconômica. Com a dívida pública em alta e a inflação controlada, o foco será manter a confiança dos mercados. A alta dos juros em 2025, que atingiu 13,75% ao ano, pode ser um fator limitante para futuros investimentos.
A pergunta que paira é se o governo conseguirá equilibrar as prioridades sociais com a sustentabilidade fiscal. A alta dos custos previdenciários e a pressão por gastos discricionários indicam que ajustes serão necessários. A reforma tributária, se aprovada, pode ser a chave para reduzir o déficit, mas enfrenta desafios políticos.
A análise do mercado financeiro será crucial. Embora o Tesouro e o Banco Central mantenham superávit, o déficit da Previdência pode gerar incerteza sobre a capacidade do governo de cumprir compromissos. Investidores estrangeiros, que detêm 35% da dívida pública, podem exigir ajustes fiscais mais rigorosos.
A reação do governo será determinante. Com Lula defendendo uma abordagem centrista, o desafio será conciliar as demandas sociais com a sustentabilidade fiscal. A alta dos custos previdenciários e a pressão por gastos discricionários indicam que ajustes serão necessários.
- correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/06/7451530-rombo-fiscal-de-maio-cresce-263-para-rs-533-bilhoes.html
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-critica-previsoes-de-pessimistas-para-economia-do-pais-e-cobra-ministros-por-relacao-com-o-congresso
- investnews.com.br — https://investnews.com.br/economia/lula-diz-que-criticas-de-mercado-e-a-esquerda-o-farao-governar-pelo-centro
- istoedinheiro.com.br — https://istoedinheiro.com.br/lula-critica-mercado-por
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais
- tribunapr.com.br — https://www.tribunapr.com.br/noticias/economia/governo-registra-deficit-de-r-533-bilhoes-em-maio-de-2026/