Lula tem avaliação negativa de 90% no mercado, mostra Quaest
Pesquisa Genial/Quaest revela que 90% do mercado financeiro avalia negativamente o terceiro mandato de Lula, com apenas 3% dando notas positivas à gestão. Análise com dados cons...
Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica
Pesquisa Genial/Quaest revela que 90% do mercado financeiro avalia negativamente o terceiro mandato de Lula, com apenas 3% dando notas positivas à gestão. Análise com dados cons...
Em dezembro de 2024, a pesquisa Quaest/Genial indicou que 90% dos agentes do mercado financeiro avaliaram negativamente o governo Lula. O levantamento ouviu 105 fundos de investimento entre 29 de novembro e 3 de dezembro, sem margem de erro estimada. Somente 3% dos entrevistados manifestaram opinião favorável ao mandato.
Enquanto a pesquisa da CNN mostra 90% de avaliação negativa, Lula afirmou em abril de 2023 (https://investnews.com.br/economia/lula-diz-que-criticas-de-mercado-e-a-esquerda-o-farao-governar-pelo-centro) que as críticas o levariam a governar pelo centro. A declaração foi feita durante cerimônia dos 100 dias de governo, onde o presidente destacou a necessidade de conciliar interesses do mercado com as demandas da base partidária. Essa visão contrasta com a percepção de risco fiscal manifestada pelos investidores, que apontam para a insuficiência das medidas de contenção de gastos anunciadas em novembro.
A análise que segue demonstra que, apesar do crescimento do PIB registrado em 2024, a confiança do mercado permanece baixa, refletindo dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas. Segundo a CNN Brasil (https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest), a pesquisa não possui margem de erro estatística, o que exige cautela na interpretação dos números. Ao mesmo tempo, a estratégia de Lula de governar pelo centro, citada por investnews.com.br (https://investnews.com.br/economia/lula-diz-que-criticas-de-mercado-e-a-esquerda-o-farao-governar-pelo-centro), busca mitigar as críticas com ajustes fiscais e uma reforma tributária.
- “Dados da pesquisa: 90% de rejeição ao governo Lula no mercado”
Dados da pesquisa Quaest/Genial publicadas em dezembro de 2024 revelaram que 90% dos agentes econômicos avaliam negativamente o governo Lula, com apenas 3% considerando sua gestão positiva. A pesquisa, realizada entre economistas de fundos de investimento em São Paulo e Rio de Janeiro, mostrou que 7% dos entrevistados consideraram a atuação do presidente regular, destacando um consenso de insatisfação generalizada. A participação de 105 profissionais em uma amostra específica, sem margem de erro estatística, reforça a força do arquétipo negativo, que persiste mesmo após anúncios de medidas fiscais em novembro de 2025. cnnbrasil.com.br
A crítica do mercado refere-se principalmente à gestão fiscal e à implementação de reformas. Segundo a mesma pesquisa, o ministro da Fazenda Fernando Haddad tem uma avaliação mais positiva, mas não é suficiente para reverter a percepção negativa do Executivo. A isenção do Imposto de Renda para renda até R$ 5 mil, anunciada junto com medidas de contenção de gastos, foi vista como um erro pelo mercado, que via na combinação de políticas um sinal de instabilidade orçamentária. A economia prevista para 2025 e 2026, com redução de R$ 70 bilhões em gastos, não compensou a desconfiança, especialmente em um contexto de juros altos e inflação controlada. investnews.com.br
O contexto histórico sugere que a polarização do mercado contra Lula está ligada à percepção de que suas políticas priorizam interesses eleitorais em detrimento da estabilidade macroeconômica. Desde seu retorno ao poder em 2023, o governo tem enfrentado pressão para equilibrar compromissos sociais com responsabilidade fiscal, um desafio que agravou a desconfiança do setor privado. A comparação com o primeiro mandato de Lula, quando a economia crescia 3,2% em 2023, destaca a dificuldade de replicar esse desempenho sob novas pressões globais e domésticas. A persistência da rejeição também reflete a falta de consenso entre o governo e o setor financeiro sobre a prioridade das reformas tributárias e de austeridade.
- “Discursos de Lula: defesa do governo e críticas ao mercado financeiro”
Em entrevista de 2023, Lula afirmou que as críticas do mercado financeiro o ajudarão a governar pelo centro, reforçando sua estratégia de equilibrar demandas opostas. O presidente defendeu Haddad, que enfrentou resistência interna do PT por propor um arcabouço fiscal rígido, e insistiu que o projeto será aprovado no Congresso. Em janeiro de 2023, Lula criticou o mercado por rotular como “gasto” qualquer despesa não relacionada a juros, posicionando-se contra a narrativa de que o Estado deve se abster de investimentos sociais. istoedinheiro.com.br
A retórica de Lula em 2023 também incluiu ataques diretos ao setor financeiro, argumentando que o Estado tem obrigação de cuidar dos mais necessitados, mesmo que isso implique gastos públicos. Ele associou a austeridade ao aumento da desigualdade, alegando que países escandinavos reduziram desigualdades sem sacrificar a responsabilidade fiscal. A defesa do financiamento sem condicionalidades, anunciada em 2025, busca atrair investidores internacionais, mas enfrenta ceticismo por ser vista como idealista em um cenário de dívida pública elevada. g1.globo.com
Historicamente, Lula tem alternado entre discursos populistas e pragmatismo econômico. Seu primeiro governo (2003-2010) viu crescimento positivo e redução de pobreza, mas a relação com o mercado financeiro era mais cooperativa. Atualmente, seu discurso contrasta com a abordagem anterior, onde críticos do setor eram vistos como externos. A manutenção dessa postura, mesmo diante de dados econômicos positivos em 2024, sugere que Lula prioriza a imagem de defensor do povo sobre a consolidação de confiança com o capital. Essa abordagem pode dificultar a aprovação de políticas fiscais rigorosas no Congresso, onde partidos de direita exigem mais disciplina orçamentária.
O relatório recente indica que o governo Lula está enfrentando críticas crescentes em escala global e dentro do próprio Brasil, com sua postura em temas tributários e econômicos sendo questionada por especialistas e pela sociedade civil.
Dados recentes mostram que o presidente Lula já enfrenta pressões significativas de setores e órgãos institucionais que argumentam que sua abordagem fiscal não é mais alinhada com as realidades econômicas atuais. Isso reflete uma tendência de aumento das expectativas por transparência e responsabilidade financeira do Estado.
Essa tensão entre a política econômica do governo e a realidade percebida por observadores internacionais e nacionais está reforçando a necessidade de uma nova narrativa sobre o papel do Brasil na economia global.
Contexto por trás da desconfiança do mercado
A profunda rejeição dos agentes econômicos reflete um choque de narrativas entre o Palácio do Planalto e o setor produtivo. Enquanto o governo busca consolidar uma agenda de expansão de gastos e investimentos sociais, o mercado exige previsibilidade fiscal para garantir o crédito e o investimento. A pesquisa Genial/Quaest evidencia que o otimismo inicial com o novo arcabouço fiscal se dissolveu diante da percepção de fragilidade nas contas públicas. Esse cenário de desconfiança é alimentado pela constante tensão entre a necessidade de austeridade e a vontade política de manter o nível de despesas elevadas.
O descompasso entre o discurso presidencial e a realidade técnica cria um ambiente de incerteza para empreendedores e investidores. O presidente frequentemente critica o conceito de austeridade e o próprio setor financeiro, o que gera ruídos sobre a real intenção de equilíbrio das contas. Segundo o G1, especialistas apontam que a negação da responsabilidade fiscal como limite de crédito ignora princípios fundamentais da economia moderna. Sem uma sinalização clara de que o controle de gastos será prioridade sobre o populismo fiscal, o prêmio de risco tende a permanecer elevado.
Essa crise de credibilidade não se limita apenas ao campo doméstico, mas reverbera na imagem internacional do Brasil. O desalinhamento com potências ocidentais e a aproximação com regimes autoritários dificultam a atração de capital estrangeiro de longo prazo. O que as pesquisas de opinião não mostram é o custo de oportunidade perdido quando o país prioriza ideologias em detrimento da estabilidade institucional. O mercado não apenas avalia o governo de forma negativa, mas começa a precificar um Brasil mais isolado e fiscalmente imprevisível.
A avaliação negativa de 90% do mercado sobre o governo Lula revela uma profunda desconfiança quanto à gestão fiscal, apesar do crescimento econômico de 3,5% em 2024. A percepção piorou após o pacote de austeridade anunciado em novembro, visto como insuficiente e mal articulado, agravado pela isenção do Imposto de Renda. O ministro Haddad tem imagem mais favorável, mas a tensão entre políticas públicas e expectativas do setor persiste. A discordância sobre o papel da austeridade fiscal expõe novas fronteiras entre governamentalismo e lógicas de mercado.
O cenário aponta para uma governança em transição, onde dados positivos de crescimento não compensam a desconfiança estrutural do mercado. O governo enfrenta o desafio de consolidar reformas tributárias e fiscalmente responsáveis sem perder o equilíbrio político. O papel do Brasil no Brics e as relações com potências como EUA e China também podem influenciar essa percepção. Será que a economia real pode seguir desacoplada da visão pessimista do mercado?
Perguntas Frequentes
Por que o mercado tem avaliação negativa de 90% para o governo Lula?
O setor vê como insuficientes as medidas fiscais anunciadas e critica a isenção do Imposto de Renda como distração de problemas estruturais.
Qual é a imagem do ministro Haddad no mercado?
Haddad tem avaliação mais positiva que a do presidente, mas ainda enfrenta desafios para consolidar a confiança diante das críticas internas e externas.
Como Lula responde às críticas do mercado?
O presidente defende que o Estado deve priorizar cuidado social e acusa o mercado de focar excessivamente em cortes em vez de investimentos.
Quais são as principais medidas de austeridade anunciadas?
O governo prevê redução de gastos de mais de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026, mas o pacote foi mal recebido como insuficiente.
Onde o Brasil está economicamente em 2026?
O país registra crescimento de 3,5% em 2024 e projeções positivas, mas a percepção do mercado continua negativa.
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/avaliacao-do-governo-lula-e-negativa-para-90-do-mercado-diz-quaest
- investnews.com.br — https://investnews.com.br/economia/lula-diz-que-criticas-de-mercado-e-a-esquerda-o-farao-governar-pelo-centro
- istoedinheiro.com.br — https://istoedinheiro.com.br/lula-critica-mercado-por
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/07/04/economistas-divergem-de-lula-e-dizem-que-austeridade-fiscal-da-seguranca-a-economia.ghtml
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais
- bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo