Lula critica mercado e defende papel do Estado na economia
Lula critica o mercado, defende o papel do Estado e enfrenta críticas de economistas, enquanto dados mostram déficit externo e crescimento do PIB.
Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista
Lula critica o mercado, defende o papel do Estado e enfrenta críticas de economistas, enquanto dados mostram déficit externo e crescimento do PIB.
No café da manhã de quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o mercado financeiro por criar a narrativa de que tudo que não é pagamento de juros é gasto. Ele afirmou que, em todas as crises, o Estado foi o salvador da economia. A fala veio antes do anúncio de medidas econômicas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio do Planalto.
Lula relembrou que, durante seus governos anteriores, o país registrou superávits primários e que o mercado não pode reclamar de um governo do PT. Ele disse que o mercado não tem coração e que o Estado tem a obrigação de cuidar dos mais necessitados. “Qualquer dinheiro que vai para a saúde, é gasto. Qualquer dinheiro que vai para a educação, é gasto. Qualquer dinheiro para pagar aumento de salário, é gasto”, criticou.
A declaração foi acompanhada de um discurso que, segundo o jornal IstoÉ Dinheiro, reforça a ideia de que o mercado não deve se preocupar com o governo do PT. Lula concluiu que “não existem razões para os agentes financeiros se preocuparem com um governo do PT”.
Enquanto Lula defende a intervenção estatal, economistas como Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ, apontam falhas na gestão. Em sua palestra no seminário sobre crescimento econômico, Gonçalves descreveu o governo Lula como um “fracasso rotundo do ponto de vista econômico”. Ele citou a baixa competitividade produtiva, a falta de investimentos em tecnologia e a vulnerabilidade externa, que permanece entre as maiores do mundo. Segundo ele, o Brasil cresce a 2,5% ao ano, bem abaixo da média global de 4,3%.
O cenário macroeconômico, no entanto, apresenta sinais mistos. Em entrevista à imprensa, Lula afirmou que a economia vai continuar crescendo e que a inflação permanece controlada. Ele citou dados da Fundação Getúlio Vargas, que apontam um crescimento de 3,5% em 2024, e do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, que indica 3,8% de crescimento no ano passado. O presidente destacou que o país está “infinitamente melhor” do que quando assumiu.
Apesar do crescimento, o Banco Central registrou déficit nas contas externas. Em maio de 2026, o déficit de transações correntes foi de US$ 3,185 bilhões, ligeiramente menor que o de 2025. O déficit acumulado em 12 meses foi de US$ 64,1 bilhões, equivalente a 2,6% do PIB. A balança comercial de bens teve superávit de R$ 7 bilhões, mas a balança de serviços registrou déficit de R$ 5,2 bilhões.
Os investimentos diretos no país continuaram a crescer, atingindo US$ 8 bilhões em maio, o dobro do valor de 2025. No entanto, os investimentos estrangeiros em carteira tiveram saída líquida de US$ 5,478 bilhões, indicando pressão sobre o mercado de capitais.
A divergência entre o discurso de Lula e os números do Banco Central reflete o debate sobre a extensão da intervenção estatal. Enquanto o presidente enfatiza a responsabilidade fiscal e a necessidade de reforma tributária, economistas apontam que o crescimento ainda não é sustentável sem ajustes estruturais.
O mercado, por sua vez, permanece cauteloso. A narrativa de que gastos públicos são “excesso” continua a influenciar a percepção dos investidores. A discussão sobre a necessidade de um equilíbrio entre crescimento e responsabilidade fiscal é mais relevante do que nunca, especialmente diante do déficit externo e da necessidade de atrair capital privado.
O futuro da política econômica brasileira dependerá de como o governo equilibrará a intervenção estatal com a necessidade de manter a confiança do mercado. A próxima fase de reformas, especialmente tributária, pode ser decisiva para o rumo da economia.
FAQ
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Por que Lula critica o mercado financeiro? Lula argumenta que o mercado interpreta gastos públicos como excesso, o que pode levar a pressões sobre a política fiscal.
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Qual é o déficit das contas externas do Brasil? Em maio de 2026, o déficit de transações correntes foi de US$ 3,185 bilhões, com um déficit acumulado de 12 meses de US$ 64,1 bilhões.
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Como o crescimento do PIB se compara ao passado? O PIB cresceu 3,5% em 2024, superando a meta de 2,5% e a média de crescimento de 2023, que foi de 3,2%.
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O que o economista Reinaldo Gonçalves criticou? Ele apontou baixa competitividade, falta de investimento em tecnologia e alta vulnerabilidade externa como principais falhas do governo Lula.
- istoedinheiro.com.br — https://istoedinheiro.com.br/lula-critica-mercado-por
- camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/noticias/82054-economista-diz-que-governo-lula-e-um-fracasso-economico
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais
- oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/26/brasil-registra-deficit-de-us-32-bilhoes-nas-contas-externas-em-maio-segundo-o-bc.ghtml
- valor.globo.com — https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/06/26/brasil-tem-deficit-em-conta-corrente-de-us-3185-bilhoes-em-maio-diz-bc.ghtml