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The Economist critica política externa de Lula e aponta impopularidade

Análise sobre a postura diplomática do governo Lula no exterior e o cenário de desequilíbrio nas contas externas e arrecadação recorde no Brasil.

Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista

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TL;DR · 4 min de leitura

Análise sobre a postura diplomática do governo Lula no exterior e o cenário de desequilíbrio nas contas externas e arrecadação recorde no Brasil.

A revista britânica The Economist publicou uma análise contundente sobre a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, classificando o presidente como incoerente em suas relações internacionais e impopular perante o eleitorado brasileiro. O diagnóstico aponta um descompasso entre o discurso diplomático do país e as práticas das democracias ocidentais.

Um dos pontos centrais da crítica refere-se ao posicionamento do Itamaraty sobre o conflito entre Israel e Irã. Em junho, o governo brasileiro condenou ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos ao território iraniano, alegando violação da soberania e do direito internacional. Tal postura diverge da linha adotada por outras nações democráticas que apoiaram a ofensiva americana ou mantiveram uma postura de cautela.

O alinhamento do Brasil com o Irã deve se intensificar com a cúpula dos Brics, marcada para os dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro. A BBC News Brasil destaca que a participação brasileira em um bloco dominado pelas agendas de China e Rússia faz o país parecer cada vez mais hostil ao Ocidente.

O isolamento em relação aos Estados Unidos também é um fator de destaque. A publicação observa que Lula não teve um encontro pessoal com o presidente Donald Trump, tornando o Brasil a maior economia cujo líder não apertou a mão do mandatário americano. Em contrapartida, o presidente brasileiro tem priorizado o estreitamento de laços com Pequim, tendo se encontrado com Xi Jinping duas vezes no ano passado.

O descompasso diplomático ocorre em um momento de fragilidade econômica externa. Dados do Banco Central mostram que o Brasil registrou um déficit de US$ 3,185 bilhões em suas transações correntes no mês de maio. Conforme reportado pelo Valor Econômico, o déficit acumulado em 12 meses já alcança a marca de US$ 64,148 bilhões, o que representa 2,6% do Produto Interno Bruto.

O cenário de contas públicas também apresenta sinais de alerta para o investidor. Embora a arrecadação esteja em ritmo acelerado, o país enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento. Projeções indicam que o Brasil deve atingir a marca de R$ 2 trilhões em impostos arrecadados em 2026, atingindo esse patamar com maior rapidez do que no ano anterior, segundo dados do Impostômetro citados pelo ND Mais.

Essa eficiência na cobrança de tributos contrasta com a persistência do déficit fiscal. O contribuinte brasileiro está pagando mais cedo, mas a máquina pública não tem conseguido converter esse fluxo em superávit, mantendo o país operando no vermelho apesar da pressão tributária crescente.

O debate sobre o desempenho econômico também resgata comparações históricas. Enquanto críticos apontam que o governo Lula prioriza a igualdade em detrimento do crescimento, estudos do Instituto de Economia da Unicamp sugerem que não haveria uma contradição intrínseca entre esses dois objetivos. O estudo menciona que, durante o governo Lula 1, o PIB real expandiu-se em 37% acompanhado de redução de desigualdades.

Entretanto, o atual governo Lula enfrenta o desafio de conciliar uma política externa que flerta com regimes autoritários com uma economia que exige estabilidade e confiança dos mercados globais. A saída líquida de investimentos estrangeiros em carteira e em ações nas bolsas de valores em maio reforça a percepção de cautela por parte do capital internacional.

O governo tenta mitigar esses efeitos através do Investimento Direto no País, que somou US$ 7,974 bilhões em maio, um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, a projeção de déficit de US$ 56 bilhões para o fechamento de 2026, conforme o Relatório de Política Monetária, coloca o país em uma posição de vulnerabilidade fiscal.

O Brasil caminha para uma encruzilhada: manter o alinhamento com o bloco dos Brics ou buscar uma reaproximação com as potências ocidentais para estabilizar as contas e atrair investimentos de longo prazo.

Fontes
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
  • eco.unicamp.br — https://www.eco.unicamp.br/noticias/dimensoes-da-economia-brasileira-renda-emprego-e-desigualdade-nos-governos-lula-a-bolsonaro
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/06/26/brasil-tem-deficit-em-conta-corrente-de-us-3185-bilhoes-em-maio-diz-bc.ghtml
  • ndmais.com.br — https://ndmais.com.br/economia/brasil-caminha-para-r-2-trilhoes-em-impostos-e-ainda-opera-no-vermelho/
  • cartacapital.com.br — https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/por-que-michelle-diz-que-ciro-gomes-e-o-maior-responsavel-pela-inelegibilidade-de-bolsonaro/

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